Nacional 0-1 Sporting: A raça também vale três pontos

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Viagem longa. Relvado traiçoeiro. Adversário agressivo e forte fisicamente. Estavam reunidas todas as condições para um daqueles jogos para homens de barba rija, para um daqueles onde, no final, se contam mais mazelas nos tornozelos e nas canelas do que grandes pormenores técnicos no jogo inteiro. No fim, Slimani de cabeça ligada e André Martins substituído por lesão. No fim, três pontos para o Sporting porque quis mais e lutou mais. Isto também é futebol. Também vale três pontos. Hoje mediu-se a união (que a comunicação social tem tentado testar).

Marco Silva optou por começar com André Martins em detrimento de João Mário. Não deixo de estranhar a saída do mais jovem dos médios numa altura em que William continua com dificuldades em regressar à sua habitual forma e, sobretudo isto, Adrien continua a cair de rendimento – e isso tem-se tornado cada vez mais difícil, semana após semana. Posto isto, sob o risco de parecer mais um qualquer treinador de bancada, deixo claro: acho justo o regresso de André Martins, mas seria sempre Adrien o preterido. Infelizmente para o nº8 leonino, uma lesão impediu-o de corresponder à aposta. Para a semana, perante a expulsão de Adrien e se tiver em condições físicas para tal, talvez tenha nova oportunidade. Oxalá a aproveites, André!

O jogo na primeira parte foi muito dividido. Muita luta, muita entrega. Um Slimani atípicamente muito participativo no jogo, sempre a dar uma nova linha de passe e a proporcionar dificuldades aos centrais adversários. Falhou duas ocasiões de golo mas realizou a sua melhor exibição da época! Um Adrien tipicamente pouco assertivo no passe, com pouca noção dos espaços a ocupar, do local onde arriscar (aquele pontapé de baliza…) e que, com um pouco menos de sorte, até podia ter ido para a rua mais cedo. Que se acabem com os estatutos de uma vez por todas, Marco! Ao intervalo, três oportunidades claras de golo para o Sporting (duas do ponta de lança argelino e uma de Carlos Mané) e uma do Nacional (de Rondón).

Na segunda metade, e nisto os treinadores têm quase sempre influência, a equipa de Alvalade regressou por cima. Quase sempre a ganhar as segundas bolas – Marco Silva deverá ter entendido que era este o tipo de jogo necessário -, os jogadores do Sporting empurraram o Nacional para trás e acabaram por chegar ao golo com naturalidade. Depois de uma bola parada onde Slimani vence o duelo no ar, Mané, no sítio e na hora certa, finaliza sem grandes problemas. O Nacional passou a ter de arriscar um pouco mais, o jogo poderia ter sido morto mais cedo pelo Sporting – Gottardi evitou o golo a Carrillo e Adrien – e só com a expulsão do médio internacional português é que o jogo se complicou. Ainda assim, sem contar com um lance perigoso (mas em que nem sequer houve finalização) em que Patrício sai da baliza, o guarda-redes verde e branco nunca foi incomodado.

Vitória justa, que acaba por não reduzir diferenças para os rivais porque a história do costume foi novamente repetida, mas que serve e muito bem para esclarecer a posição de Marco Silva face ao seu plantel que, hoje, deu tudo quanto tinha pelo seu treinador. A esse propósito, que cada macaco se mantenha no seu galho. Ouviu, presidente?

A Figura

Slimani e Paulo Oliveira – Era injusto deixar de mencionar um deles. Paulo Oliveira está a apresentar-se a um nível cada vez maior e tem conseguido equilibrar a falta de qualidade do parceiro que o acompanha, seja ele qual for. Slimani foi o avançado que tantas vezes se pede: mais um a jogar e não apenas mais um a finalizar.

Fora de Jogo 

Adrien – Não é de hoje que tem sido mais vezes problema do que solução, mas hoje excedeu o seu próprio registo no que toca a erros inadmissíveis: passes falhados, perdas de bola, má colocação no processo defensivo e uma expulsão que poderia ter colocado em causa o jogo dos seus colegas. Para sempre titular?

Foto de Capa: FPF

João Almeida Rosa
João Almeida Rosa
Adepto das palavras e apreciador de bom Futebol, o João deixou os relvados, sintéticos e pelados do país com uma certeza: o futebol joga-se com os pés mas ganham os mais inteligentes.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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