Artigo redigido por Tony da Silva, treinador de futebol, adjunto na seleção dos Camarões entre 2019 e 2022 e atual formador FIFA de treinadores no futebol africano.
O Senegal conquistou a Taça das Nações Africana (CAN) relativa a 2025 ao bater na final a seleção de Marrocos por 1 a 0, graças a um golo de Pape Gueye, no prolongamento. Esta é a segunda vitória do Senegal na história da competição, após o sucesso na de 2021, realizada nos Camarões.
A seleção vencedora
O sucesso da equipa comandada por Pape Thiaw baseou-se sobretudo na organização tática rigorosa, mentalidade combativa e uma gestão inteligente dos momentos-chave. Fundamental para o sucesso foi a liderança e experiência de jogadores-chave como Sadio Mané e Idrissa Gueye, que proporcionaram estabilidade ao grupo, principalmente nos momentos cruciais dos jogos a eliminar. Na final observamos a importância da solidez defensiva e da resiliência tática contra uma equipa muito ofensiva, como a seleção de Marrocos. Também muito importante para a conquista da competição foi a qualidade do guarda-redes Édouard Mendy. Brilhou durante todo o torneio, mas o penálti defendido crucial na final, foi decisivo para a conquista da competição.
Competição de nível elevado
O CAN 2025 ficou marcado por um nível competitivo bastante elevado, com vários jogos equilibrados e muitas seleções cheias de talento. A média de golos no torneio foi alta, registando-se um recorde de mais golos na competição até às meias-finais, o que mostra como esta edição ficou marcada por um futebol ofensivo e dinâmico.
Equipas com tradição como Egito, Nigéria, Senegal e Marrocos dominaram a prova, mas tivemos batalhas muito duras na fase de grupos, nos oitavos e também nos quartos-de-final, refletindo a profundidade do futebol africano.
A organização e o ambiente nos estádios em Marrocos, foram fatores que elevaram a experiência geral, com estádios quase sempre cheios, como consequência do entusiasmo popular.


Seleções que merecem elogios
- África do Sul: Os Bafana-Bafana mostraram energia e um futebol agressivo, com destaque para jogadores como Oswin Appollis e Lyle Foster. Ficou pelos oitavos de final, batido pelos Camarões, mas ficou a sensação que tinha capacidade para ir mais longe.
Egito: Embora tradicionalmente forte, muitos esperavam uma eliminação precoce, chegou às meias-finais graças a uma garra e a uma fome de vencer muito acima da média, a que se juntou o talento de Salah. No seu percurso, nesta fase final, conseguiram derrotar os campeões em título, a Costa do Marfim).
Marrocos: Como anfitrião, e também pela qualidade dos seus jogadores, já se esperava uma participação positiva, mas as expectativas foram superadas devido à forma como controlaram os seus jogos, estiveram muito perto da conquista da competição.
Moçambique: Alcançou um marco histórico ao ultrapassar a fase de grupos pela primeira vez, e logo no chamado grupo da “morte” com Camarões, Gabão e Costa do Marfim, mas acabou por sofrer perante o nível da Nigéria na fase eliminatória. Geny Catamo assumiu-se como o grande patrão da equipa.
Os melhores jogadores
- Sadio Mané: Sem dúvida uma das grandes figuras do futebol africano e mundial, um líder nato ao chamar os seus companheiros a voltar ao jogo da final, quando todos já estavam no balneário e queriam abandonar, um jogador experiente com golos decisivos.
- Brahim Díaz: O melhor marcador do torneio, esteve em grande forma, sempre a desequilibrar no 1×1, com nota artística, capaz de marcar a diferença a qualquer momento do jogo.
Yassine Bounou: Eleito o melhor guarda-redes do torneio, foi decisivo com defesas cruciais e espetaculares. Especialista nos penáltis, contra a Nigéria, foi o herói do jogo.


Talentos jovens
Os senegaleses Ibrahim Mbaye (PSG) e Lamine Camara (Mónaco), o argelino Maza (Leverkusen) e o camaronês Kofane (também do Leverkusen), apesar da tenra idade, mostraram qualidade que lhes permite sonhar com uma carreira ao mais alto nível, no futebol internacional. Já estão em clubes de nomeada e têm condições para atingir o patamar de referência das seleções que representam.

