Dérbi decidido na eficácia | Vitória SC foi superior, Braga foi letal

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Há jogos que se decidem com controlo, outros com inspiração, mas o Dérbi do Minho acabou por ser decidido na eficácia. Depois da polémica à entrada para a Pedreira, ambas as equipas entraram no encontro para vencer e jogar bom futebol. Um Braga confiante e um Vitória SC atrevido resultaram num jogo eletrizante e muito bem disputado desde o primeiro ao último minuto. A formação de Luís Pinto entrou sem medo de pressionar alto e foi colhendo alguns frutos, mas a competência do trio atacante dos gverreiros acabou por falar mais alto. Os vimaranenses voltaram a demonstrar a capacidade de se bater frente-a-frente com o top quatro da Primeira Liga, apesar de não ter os mesmos recursos.

Um dos fatores determinantes para o ritmo de jogo ser tão elevado foi claramente as variações do Vitória SC entre uma pressão alta e um bloco mais compacto (mantendo a linha defensiva relativamente subida). Procuraram pressionar os defesas-centrais mais abertos do Braga (Arrey-Mbi e Barisic), procurando manter as marcações apertadas na zona central de forma a forçar passes de maior distância. Esta abordagem foi bem escolhida para este jogo pois nenhum dos três elementos do eixo defensivo bracarense é particularmente dotado na amplitude de passe. O problema, como tem sido para muitas equipas, encontrou-se nas movimentações do trio ofensivo Horta-Pau Víctor-Zalazar, que dificultou as já exigentes marcações numa estratégia tão corajosa.

A equipa da casa chegou à vantagem num momento que contrariou totalmente a tendência do jogo até então, com um penálti cobrado por Rodrigo Zalazar. O uruguaio foi claramente um dos destaques da partida, acabando por estar diretamente envolvido nos três golos bracarenses. Ocupou o corredor esquerdo e foi importante na forma como providenciou largura, permitindo que Diego Rodrigues fizesse movimentos interiores e procurando forçar Tony Strata a ficar mais contido no seu posicionamento. Do lado oposto, Ricardo Horta não se limitou a um espaço em concreto, procurando constantemente uma variação entre apoios curtos em espaços entre-linhas e movimentações verticais. Por fim, Pau Víctor adotou a habitual função de ‘falso nove’, reagindo às mudanças de posição dos seus colegas e aproveitando os espaços que resultaram das mesmas.

Rodrigo Zalazar, Gustavo Silva, Braga x Vitória SC
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

A resposta vimaranense ao golo foi muito rápida, restabelecendo a igualdade dois minutos depois, numa jogada que demonstrou também as ideias de Luís Pinto para este encontro. Num passe longo a explorar as costas de Arrey-Mbi e a aproveitar a subida de Diego Rodrigues, Diogo Sousa encontrou Noah Saviolo, que cruzou para a zona frontal da pequena área, onde Barisic encostou para a própria baliza. A superioridade numérica do Vitória SC no corredor central acabou por favorecer a dupla de pivôs, que apresentou um excelente equilíbrio graças à forma como os perfis de Diogo Sousa e Beni Mukendi se complementam. O jovem português foi muito inteligente na forma como procurou constantemente encontrar espaços em que se pudesse virar de frente para o jogo e lançar ataques rápidos com passes nas costas da defesa. Por outro lado, Beni Mukendi assumiu um papel de progressão com bola, procurando bater linhas de pressão através do drible e utilização do poderio físico.

Algo importante de notar na estratégia ofensiva dos visitantes foi também o posicionamento do avançado Nélson Oliveira, que flutuou entre-linhas, caindo muitas vezes na meia esquerda. Estes movimentos foram aproveitados por Gustavo Silva, que foi várias vezes o elemento mais central do ataque. Noah Saviolo acabou por ser um extremo mais ‘puro’, procurando alargar a linha defensiva do Braga em posse e utilizar a sua velocidade e explosão nas transições. As marcações a este trio foram muito complicadas de assegurar do lado bracarense, devido a uma falta de mobilidade de Grillitsch e João Moutinho, que limitou a forma como conseguiram condicionar o lançamento dos ataques.Quando os médios subiam demasiado, deixavam Samu e Nélson Oliveira com espaço para receber em zona privilegiada, e quando ficavam mais retraídos ofereciam espaço à dupla de meio-campo do Vitória.

Contudo, mais uma vez contra a corrente do encontro, a formação de Carlos Vicens voltou à liderança com um grande golo, que resultou de uma jogada coletiva de excelência. Ricardo Horta encontrou o espaço entre-linhas num movimento que tem feito cada vez mais, no qual parte do corredor esquerdo e acaba por se juntar ao extremo do lado contrário. O português soltou em Víctor Gómez, que foi inteligente ao encontrar Zalazar num movimento de rotura. O uruguaio foi inteligentíssimo ao, num toque de calcanhar, servir Horta numa zona difícil de falhar e forçar os defesas do Vitória a rodar os apoios, não tendo tempo para reagir.

Gustavo Silva, Vitória SC
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

Na segunda parte, o Braga ajustou as marcações e acabou por conter um pouco melhor a forma como os adversários construíam desde trás. Apesar disso, os vimaranenses voltaram a marcar e igualar o marcador, através de uma jogada em que João Mendes conseguiu carregar pela corredor central e libertar em Saviolo, que voltou a encontrar Arrey-Mbi no 1v1. O extremo belga cruzou de forma certeira para o segundo poste, onde encontrou Gustavo Silva completamente isolado. Esta falha de marcação aconteceu devido ao movimento de Samu, que procurou o espaço para receber um cruzamento atrasado, puxando Víctor Gómez com ele.

Tal como aconteceu no primeiro tempo, a resposta adversária foi praticamente imediata. Num lance em que o Vitória SC tentou aplicar a pressão que tantas vezes tinha funcionado ao longo do jogo, Horta e Zalazar estavam no mesmo corredor e o português acabou por ficar livre de marcação. A subida de Beni Mukendi forçou Samu a adotar um posicionamento mais retraído, mas o médio ofensivo não foi capaz de ler o movimento do adversário. Para piorar a situação, Tony Strata estava também subido numa marcação apertada ao extremo uruguaio, resultando num enorme buraco no corredor direito dos visitantes, que foi aproveitado pelo Braga para, pela última vez, regressar para a frente do marcador. A partir deste momento, a dinâmica do jogo foi-se alterando, em parte devido ao desgaste sentido dos dois lados pela intensidade do jogo até então. As equipas foram perdendo requinte nas decisões e a falta de qualidade das oportunidades criadas na última meia hora de jogo demonstrou isso mesmo.

O Vitória SC saiu da Pedreira sem pontos mas cheio de personalidade, pois sabe que encontrou um Braga mais letal do que nunca. Como foi destacado por Luís Pinto após a partida, os adversários acertaram na baliza em todos os remates que realizaram, resultando sempre em golo ou defesa de Charles. Por outro lado, a formação de Vicens mostrou saber fazer algo que equipas grandes têm de ser capazes: vencer jogos em que foram inferiores. Assim, ambos os lados podem sair do dérbi de cabeça levantada, não só pelo futuro próximo, mas também pelos projetos que continuam a construir com bons treinadores, muito talento e a raça característica do povo do Minho.

Rodrigo Zalazar, Braga
Fonte: Paulo Ladeira / Bola na Rede

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: O Vitória acabou por ser superior na partida apesar da derrota. De que forma vê a exibição da sua equipa no lado defensivo, principalmente na contenção das movimentações constantes e quase livres do trio de ataque do Braga? 

Luís Pinto: Nas nossas movimentações defensivas, julgo que quando nós conseguimos acertar timings de início de pressão tivemos sucesso. Ou obrigámos a bater longo e estávamos posicionados para conseguir ganhar a bola, que aconteceu imensas vezes na primeira parte. Ou então conseguimos ganhar bola mesmo nas zonas que o Braga estava a tentar explorar. Contudo, também sofremos com isso no segundo e terceiro golo, se não me engano. O segundo golo é um pontapé de baliza a nosso favor que acabamos por perder a bola, depois há um atraso do meio-campo para o guarda-redes e nós iniciámos pressão sem ter essa necessidade. No terceiro golo foi uma pressão muito bem iniciada da nossa parte, mas rodámos a linha dos dois lados. Iniciámos a pressão pelo lado esquerdo com o extremo e o lateral, e depois quando fomos para o lado direito tambem colocamos o extremo direito a pressionar e devia ter sido um homem de dentro a sair, e isso fez com que tivéssemos de rodar em excesso. E a frente do Braga, que além de bastante qualidade têm um entrosamento muito bom entre eles e acabaram por fazer a diferença. E nas vezes que nos conseguiram desmontar, é um dado curioso, mas acertaram sempre na baliza. Ou foi golo ou o Charles defendeu. E isso acabou por fazer a diferença.

Bola na Rede: O Braga nunca chegou a ter o controlo do jogo apesar de sair com os três pontos. O Vitória conseguiu ter superioridade numérica no meio campo com os três médios e as descidas de Nelson Oliveira, pensa que isso acabou por não permitir que o Braga estabilizasse com bola?

Carlos Vicens: Penso que não. Penso que foi mais a nossa falta de confiança, frescura e finura nas primeiras intervenções das nossas saídas. Essa superioridade aconteceu mais quando o vitória tinha bola e foi algo que ajustamos ao intervalo. As nossas dificuldades tiveram mais a ver com, obviamente a pressão do Vitória, mas mais do que isso pela falta de finura para encontrar os homens livres na saída de bola. Aconteceu menos do que queríamos, mas quando bola chegava em condições aos médios, alas ou atacantes, gerávamos sempre ocasiões de golo. Mas gostaria que estas situações tivessem acontecido mais vezes, e isso custa um pouco. Creio que foi por aí que perdemos o controlo do jogo, mas temos de continuar a trabalhar para sermos melhores.

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