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Flamengo é o novo rei da América | Tetracampeão da Taça Libertadores

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Três anos depois, o Flamengo conquistou novamente a Taça Libertadores, ao derrotar o Palmeiras por 1-0, num duelo 100% brasileiro. O veterano Danilo (com passagem pelo FC Porto) convertido a defesa-central pelo técnico Filipe Luís, foi o herói do encontro ao marcar o único golo da partida.

Foi a primeira final da Libertadores perdida pelo treinador português, que falha assim o tricampeonato desta competição, sendo que muito provavelmente será o primeiro ano em que Abel Ferreira não irá conquistar nenhum título, desde que assumiu o comando técnico dos brasileiros do Palmeiras em Outubro de 2020.

Dois meses depois, Abel Ferreira conseguiu conquistar a sua primeira Taça Libertadores, algo que veio a repetir no ano seguinte em 2021, derrotando o Flamengo, que naquele momento contava com Filipe Luís no plantel principal da equipa carioca.

Apesar desta derrota, os números de Abel Ferreira na maior competição de clubes da América do Sul são absolutamente impressionantes: em seis anos, conseguiu marcar presença em cinco meias-finais (!) e em três finais, sendo considerado por muitos (justamente) como o melhor treinador da história do Palmeiras.

Na final, o Flamengo (que também não está a atravessar um momento exuberante de forma) foi sempre superior e controlou grande parte do jogo. Os primeiros 15 minutos foram de um autêntico vendaval ofensivo dos comandados de Filipe Luís.

À passagem do minuto 12, grande jogada de Samuel Lino (ex-avançado do Gil Vicente) e remate do médio-ofensivo uruguaio de Arrascaeta a ser desviado por um defesa do Palmeiras. Dois minutos depois, um remate por cima da barra de Bruno Henrique, quando tinha tudo a seu favor para inaugurar o marcador.

Aos 15 minutos, mais uma excelente oportunidade com remate perigosíssimo de Samuel Lino, que tirou tinta ao poste do guardião Carlos Miguel.

A primeira aproximação perigosa do Palmeiras, foi apenas ao minuto 20, com um cabeceamento defeituoso de Vítor Roque. Ao minuto 29, um erro escandaloso da arbitragem ao perdoar uma expulsão clara por uma entrada violentíssima do médio chileno Erik Pulgar. A imagem da perna de Bruno Fuchs era sintomática da gravidade da entrada de Pulgar, e incompreensivelmente, o VAR não foi chamado a rever o lance.


É sempre um acto de futurologia pensar qual seria o desfecho deste encontro, caso o Flamengo tivesse de jogar mais de uma hora com dez unidades em campo, mas certamente que este lance tem de ser considerado absolutamente capital, sendo natural e lógica a insatisfação de toda a comitiva palmeirense, durante e depois do jogo.

Ao minuto 42, Bruno Henrique voltou a levar perigo à baliza do Palmeiras, mas foi uma primeira parte de pouca eficácia ofensiva do avançado do Flamengo.

A primeira parte terminou com um remate de meia distância do lateral-esquerdo uruguaio Piquerez, que foi desviado para canto, mas o árbitro assinalou o fim da etapa inicial, sem conceder mais uma oportunidade num momento do jogo no qual o Palmeiras é muito forte, como são os casos das bolas paradas.

Aos cinco minutos da segunda parte, um remate perigoso do internacional argentino Flaco López, que só não encontrou o caminho da baliza, por ter sido muito bem interceptado pela defesa do Flamengo, podia ter sido o mote para uma exibição mais afirmativa e dominante da equipa paulista, mas foi apenas fogo de vista.

Um minuto depois, uma hesitação do defesa-central Murilo, só não foi fatal, porque o defesa-central paraguaio Gustavo Gómez fez um corte brilhante a negar o golo a Giorgian de Arrascaeta.

Já depois da hora de jogo, foi a vez de Bruno Fuchs a negar o golo a Jorginho, depois de uma saída incompleta do guarda-redes Carlos Miguel, que não conseguiu fazer esquecer Weverton, um dos grandes obreiros das outras duas Taças Libertadores consecutivas conquistadas pelo Palmeiras, que não pôde dar o seu contributo à equipa por estar lesionado.

A meio da segunda parte do jogo, aconteceu o lance decisivo da partida. Canto muitíssimo bem batido pelo inevitável de Arrascaeta, para uma excelente impulsão de Danilo, que livre de oposição, conseguiu um cabeceamento muitíssimo bem colocado, sem qualquer hipótese para Carlos Miguel.

O veterano Danilo torna-se assim o primeiro jogador da história a ganhar a Taça Libertadores (catorze anos depois do seu primeiro grande título, ao serviço do Santos) e a Liga dos Campeões por duas vezes.

Everton Cebolinha (que já jogou no Benfica) entrou ao minuto 68 para o lugar de Samuel Lino, já visivelmente desgastado fisicamente. O Palmeiras depois de sofrer o golo, mostrou-se demasiado apressado a ligar jogo com os seus atacantes.

Erick Pulgar (que já não devia estar em campo), ainda realizou um corte decisivo para negar os intentos de Flaco López, ao minuto 69. Ao minuto 71, o desinspirado Allan (que havia sido decisivo para o que o Palmeiras tivesse conseguido jogar mais uma final da Taça Libertadores) e Raphael Veiga foram substituídos, dando entrada a Facundo Torres e Felipe Anderson.

Mais com o coração do que com a cabeça, o Palmeiras foi agregando jogadores à sua linha ofensiva, mas o Flamengo estava a conseguir controlar bem as operações, não concedendo grandes oportunidades aos comandados de Abel Ferreira.

Ao minuto 88, a verdadeira e única grande oportunidade de golo para o Palmeiras em todo o encontro, com Vítor Roque a falhar o golo do empate já dentro da pequena área, num acção defensiva providencial de Danilo. Arrisco-me a dizer que há um mês (apesar de Danilo ter feito esse corte milagroso), esse lance teria resultado no golo do empate da equipa verde e branca, mas tal como todos os seus companheiros, o avançado brasileiro está a atravessar uma grande crise de confiança, não marcando há cinco jogos, e tendo perdido a pontaria na altura mais determinante da época.

Abel Ferreira voltou a recorrer à solução das bolas longas (testada anteriormente com evidente sucesso) para beneficiar do excelente jogo de cabeça do seu capitão Gustavo Gómez, que jogou a ponta-de-lança nos minutos finais do encontro. 

Mas até ao fim do jogo, e aproveitando a pouca clarividência e balanceamento ofensivo da equipa do Palmeiras, a equipa do Flamengo foi quem dispôs de uma última oportunidade de golo, com um livre muito bem batido por Everton Cebolinha já dentro do período de descontos, que ainda embateu no poste direito da baliza do Palmeiras depois de uma excelente defesa de Carlos Miguel.

Poucos minutos depois, soou o apito final do árbitro, e desatou a alegria entre toda a comitiva da equipa do Rio de Janeiro e de toda a sua massa adepta presente em Lima, no Perú.

Com este resultado, o Flamengo torna-se o primeiro clube brasileiro a conseguir conquistar a Taça da Libertadores por quatro vezes na história, feito que o Palmeiras de Abel Ferreira também poderia ter alcançado, caso tivesse conseguido levar de vencida o clube carioca.

São vários os destaques individuais desta equipa do Flamengo. Bruno Henrique (que foi absolvido após um escândalo judicial relacionado com manipulação de resultados e cartões amarelos), voltou a marcar golos decisivos nos momentos mais críticos da época do Flamengo, mostrando estar à altura de suprir a ausência do goleador internacional brasileiro Pedro. 

O guarda-redes argentino Agustín Rossi foi fulcral para que o Flamengo tivesse marcado presença em mais uma final da Taça Libertadores, fazendo uma exibição monumental contra os argentinos do Estudiantes de la Plata na segunda mão dos quartos-final, onde foi igualmente decisivo ao defender duas grandes penalidades, depois de ter já ter tido defesas de elevado grau de dificuldade, aguentando o “massacre” da equipa argentina, que pressionou até ao fim do jogo beneficiando do facto de ter jogado contra dez jogadores, depois de uma expulsão totalmente desnecessária do equatoriano Gonzalo Plata (outro jogador que despontou em Portugal, este ao serviço do Sporting).

E claro está, a contratação do internacional italiano Jorginho veio trazer ao meio-campo do Flamengo a estabilidade e controlo necessárias ao meio-campo do Flamengo, principalmente depois da traumática saída do capitão Gerson para os russos do Zenit a meio da época. A experiência, qualidade e sobriedade de Jorginho são essenciais para que depois os “artistas” da linha ofensiva, possam explanar o seu futebol com maior liberdade.

Obviamente que o grande destaque do Flamengo e desta Taça Libertadores, é Giorgian de Arrascaeta. O médio-ofensivo uruguaio tem sido um jogador-chave nas conquistas mais importantes da equipa carioca nos últimos anos, e nesta edição da maior competição de clubes da América do Sul, voltou a demonstrar toda a sua classe, sendo o cérebro de uma equipa muito técnica, mas que beneficia igualmente da pausa que de Arrascaeta consegue dar ao jogo, assim como da sua extraordinária visão de jogo.

Mas como considero que o futebol é um desporto colectivo no qual as individualidades sobressaem, não poderia deixar de frisar o excelente trabalho de Filipe Luís no seu primeiro ano como treinador. É verdade que o técnico brasileiro teve um passado glorioso como treinador da equipa carioca, mas é igualmente uma realidade que não é nada fácil deixar os relvados, e assumir pouco tempo depois o comando técnico de uma equipa com uma massa adepta muito intensa e apaixonada, o que aumenta exponencialmente o grau de exigência.

O primeiro ano de Filipe Luís como treinador é absolutamente sensacional (só se comparando com as devidas diferenças ao primeiro ano de treinador de Pep Guardiola). Já havendo conquistado a Taça do Brasil no fim do ano de 2024, Filipe Luís conseguiu ganhar o campeonato estadual no início deste ano, ganha agora a Taça Libertadores, e está a apenas uma vitória de se sagrar campeão brasileiro (a sua equipa tem cinco pontos de vantagem sobre o Palmeiras, com apenas dois jogos por disputar).

É um pecúlio digno de todos os elogios, e que perspectiva uma grande carreira do treinador brasileiro, que dificilmente irá permanecer muitos anos no Brasil, pois já admitiu que futuramente quer treinar na Europa, a quem auguro altos voos.

O reverso da medalha vive agora o Palmeiras. Há um mês atrás, os adeptos do Palmeiras sonhavam legitimamente com a conquista do Brasileirão e mais uma Taça Libertadores. Nessa noite de 31 de Outubro no Allianz Parque, o Palmeiras tinha conseguido uma sensacional reviravolta nas meias-finais da Taça Libertadores. Tendo perdido a primeira mão por 3-0 na altitude de Quito contra os equatorianos da LDU, a equipa comandada por Abel Ferreira conseguiu um impensável, mas igualmente fabuloso 4-0 no jogo da segunda mão, no qual o jovem extremo Allan e Vítor Roque protagonizaram uma noite mágica, a par de Raphael Veiga, que já tem de ser considerada uma lenda do clube.

Um mês depois e após uma terrível sequência de jogos (a equipa paulista não obteve qualquer vitória nos últimos seis jogos), a equipa do Palmeiras foi perdendo gás, o que foi igualmente evidente nesta final com o Flamengo.

Derrota penosa para Andreas Pereira (que tinha ficado intimamente ligado à derrota do Flamengo nessa final anteriormente mencionada contra o Palmeiras, quando se encontrava ao serviço do clube rubro-negro), que perde assim a sua segunda final da Taça de Libertadores.

Igualmente doloroso deve ter sido (o seu choro compulsivo no final da partida assim o representa) para Vítor Roque, que depois de uma passagem frustrada pela Europa ao serviço do Barcelona e do Bétis, tinha resgatado o seu melhor futebol na última metade da época, marcando golos decisivos para a equipa do Palmeiras. Assim como já tinha acontecido na final de 2022 (que disputou com apenas 17 anos estando ao serviço do Atlético Paranaense), o Flamengo voltou a ser o seu carrasco, e a impedi-lo de conquistar o título mais desejado.

A outrora infalível dupla Flaco López-Vítor Roque deixou de ter o mesmo nível de eficácia, e obviamente que com a queda de rendimento dos seus dois principais jogadores, qualquer equipa se ressente, ainda para mais quando falamos num calendário muitíssimo sobrecarregado do futebol brasileiro, no qual também não ajudou nada não ter havido uma pausa no campeonato brasileiro, apesar de muitos plantéis terem vários jogadores internacionais convocados para jogos amigáveis em datas FIFA.

Apesar de ter a máxima confiança da sua presidente Leila Pereira, todos sabemos que o futebol brasileiro é ainda mais emocional do que o futebol europeu, e não consigo assegurar que Abel Ferreira vá cumprir o seu contrato, que termina em Dezembro de 2027.

Com um título brasileiro ainda em disputa, Abel Ferreira assumiu um risco, deixou bem clara qual era a sua prioridade, abdicando de toda a equipa titular no jogo contra o Grémio a meio da semana para poder apresentar uma equipa fresca mental e fisicamente contra o Flamengo, mas à semelhança dos últimos jogos, o Palmeiras voltou a exibir-se muito abaixo do seu potencial nesta final da Taça de Libertadores.

Eu sou partidário de que também é preciso que seja dado mérito às equipas que estão presentes nas grandes decisões e que lutam pelos títulos mais importantes do ano até ao fim.

Mas no futebol, os resultados são tão ou mais importantes do que referi anteriormente, pelo que não sei até que ponto este ciclo de Abel Ferreira pode ter chegado ao fim, existindo a possibilidade de que seja inclusive o técnico português a reconhecer esse facto e a querer abraçar outro desafio.

O Flamengo é o novo rei da América de forma justíssima e o primeiro tetracampeão brasileiro da Taça Libertadores. Glória eterna para a nação rubro-negra. 

Tiago Campos
Tiago Campos
O Tiago Campos tem um mestrado em Comunicação Estratégica mas sempre foi um grande apaixonado pelo jornalismo desportivo, estando a perseguir agora esse sonho. Fã acérrimo do "Joga Bonito".

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