O impacto tático de Georgiy Sudakov num Benfica dominador em Vila do Conde

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O Benfica regressou às vitórias no Estádio dos Arcos, após vencer o Rio Ave por 2-0. Comparativamente ao jogo do Estádio do Dragão, que ditou a eliminação das águias da Taça de Portugal, José Mourinho lançou Andreas Schjelderup para o lugar de Sidney Cabral e Georgiy Sudakov para a posição do lesionado Richard Ríos. Do lado do Rio Ave, Sotiris Sylaidopoulos promoveu apenas uma alteração no onze inicial, com a entrada de Nicolaos Athanasiou para o lugar de Vrousai, colocando o defesa grego como ala esquerdo e deslocando João Tomé para ala direito.

Com o Rio Ave organizado num 5-2-3 em organização ofensiva e a defender num 5-4-1, o Benfica conseguiu, em grande parte da primeira parte, manusear muito bem as superioridades numéricas e a criação de espaços e vantagens nos três corredores. Nesse contexto, Georgiy Sudakov teve um papel preponderante a partir da posição de ‘10’. Face à desvantagem dos dois médios do Rio Ave perante o trio do Benfica — com encaixes individuais entre Leandro Barreiro e Aursnes com Aguilera e Andreas Ntoi —, o internacional ucraniano movimentou-se por todo o campo, oferecendo várias linhas de passe e encontrando espaço nas costas dos médios vilacondenses. Além disso, não hesitou em baixar no terreno para participar na construção, e essa constante dúvida gerada nas suas movimentações acabou por ser uma das chaves para uma pressão menos eficaz do Rio Ave na primeira parte.

Outra das boas dinâmicas do Benfica foi a forma como conseguiu ativar e criar desequilíbrios pelos corredores laterais, sobretudo pelo lado esquerdo, onde Samuel Dahl e Andreas Schjelderup estiveram em bom plano. Com os extremos Spikic, à esquerda, e André Luiz, à direita, a demorarem no acompanhamento defensivo dos laterais encarnados, o Benfica criou várias situações de perigo através das combinações nesses setores. Muitas vezes apoiado pelas projeções de Samuel Dahl e pelos movimentos de aproximação de Sudakov, Schjelderup encontrou espaço para encarar o adversário e decidir com critério, seja através do lance individual, seja pelo passe a descobrir o médio ou o lateral sueco. Essas triangulações no corredor — onde também surgia, por vezes, Vangelis Pavlidis — foram determinantes para entrar na área do Rio Ave e explorar os cruzamentos, uma arma utilizada com maior frequência em comparação com os encontros mais recentes do Benfica.

Benfica Jogadores
Fonte: João Freitas / Bola na Rede

Foi precisamente na sequência de um lance de bola parada que surgiu o primeiro golo. Após um canto, Georgiy Sudakov colocou a bola com precisão na área e Leandro Barreiro, nas alturas, bateu Cezary Miszta. O médio luxemburguês regressou também às boas exibições com a camisola encarnada, formando uma dupla sólida com Fredrik Aursnes no meio-campo. Leandro Barreiro destacou-se pelas várias recuperações de bola que permitiram ao Benfica lançar transições rápidas e pelos movimentos de chegada à área e diagonais curtas que originaram espaços no ataque das águias.

O lado direito esteve igualmente em bom plano, com Gianluca Prestianni a aparecer por dentro e a libertar o corredor para Amar Dedić, que criou problemas ao adversário através da condução de bola. Numa dessas ações, o lateral bósnio cruzou para a área e Andreas Ntoi, num lance infeliz, acabou por introduzir a bola na própria baliza, ampliando a vantagem do Benfica para 2-0.

Do lado do Rio Ave, a equipa revelou muitas dificuldades na primeira parte, tanto nos encaixes individuais como na pressão. Os três centrais vilacondenses não conseguiram reduzir eficazmente o espaço quando Vangelis Pavlidis baixava no terreno, permitindo ao Benfica girar e conduzir bola com relativa facilidade. O avançado grego atacou também várias vezes a profundidade, obrigando a linha defensiva do Rio Ave a recuar e criando, assim, espaço entre linhas — entre o meio-campo e a defesa — para combinações pelo corredor central. Em resposta ao Bola na Rede, Sotiris Sylaidopoulos apontou igualmente alguma falta de agressividade nos duelos, um fator que terá contribuído para a desvantagem de dois golos ao intervalo.

Sotiris Silaidopoulos Rio Ave
Fonte: Tiago Cruz/Bola na Rede

Ainda assim, merece destaque positivo a forma como o Rio Ave procurou sair a jogar. A equipa organizava a saída de bola numa linha de três, com os alas a oferecerem apoio numa linha mais adiantada, permitindo que o central encontrasse rapidamente os corredores laterais, onde surgiam pelo menos três jogadores — incluindo um médio e um extremo, ou Clayton. Esta dinâmica permitiu, em alguns momentos, ultrapassar a pressão do Benfica, ainda que sem continuidade no último terço.

Na segunda parte, o Rio Ave entrou mais forte e Brandon Aguilera voltou a evidenciar-se como o jogador mais esclarecido da equipa. Num meio-campo a dois, o médio costa-riquenho conseguiu, sobretudo após o intervalo, proteger bem a bola da pressão encarnada e lançar a equipa para o ataque em alguns momentos. A par de André Luiz e Clayton, Aguilera é um dos jogadores com qualidade para dar o salto competitivo. Ainda assim, André Luiz — frequentemente associado ao Benfica — não teve um jogo inspirado, muito devido à capacidade de Samuel Dahl em anular de forma consistente as suas iniciativas.

Benfica Rio Ave Samuel Dahl André Luiz
Fonte: João Freitas / Bola na Rede

Do lado encarnado, Tomás Araújo assumiu maior protagonismo na condução de bola na segunda parte e, aproveitando o espaço disponível, serviu com critério Vangelis Pavlidis e Amar Dedić pelos corredor direito. Foi mais uma solução encontrada para bater a pressão adversária, beneficiando da qualidade na saída de bola do defesa português e permitindo ao Benfica chegar mais rapidamente à baliza contrária.

O Benfica soma assim a segunda vitória consecutiva na Primeira Liga e, depois de uma fase em que parecia reagir mais aos acontecimentos — com segundas partes geralmente mais fortes do que as primeiras —, desta vez entrou agressivo, dominador e resolveu praticamente o resultado ainda antes da meia hora inicial. Já o Rio Ave, depois do triunfo frente ao Casa Pia, regressa às derrotas e ocupa atualmente a 11.ª posição do campeonato.

Fonte: Diogo Cardoso / Bola na Rede

BnR na Conferência de Imprensa

Bola na Rede: A equipa foi concedendo alguns espaços, sobretudo entre linhas e nos corredores, na primeira parte. O que procurou alterar ao intervalo e de que forma conseguiu corrigir esse problema?

Sotiris Sylaidopoulos: É verdade, houve distância entre as nossas linhas, mas sobretudo entre os jogadores. Chegámos muitas vezes tarde à pressão e, quando se dá tanto tempo e espaço a jogadores com esta qualidade, tudo se torna mais difícil. O Benfica fez uma grande primeira parte, diria mesmo que foi das melhores que realizou. Circularam a bola muito rápido e, com a qualidade que têm, criaram-nos muitas dificuldades. Ao intervalo falámos da necessidade de sermos mais compactos e mais corajosos. Nos duelos, fomos demasiado macios na primeira parte; na segunda melhorámos, tivemos mais bola e fomos mais competitivos.

Bola na Rede: O Benfica encontrou muitos espaços na primeira parte nos três corredores para criar desequilíbrios. Quão importantes foram as movimentações do Sudakov, quer a baixar para construir, quer a surgir nas costas dos dois médio do Rio Ave. E quão importantes também foram as triangulações no corredor direito, com as projeções do Dahl e do Schelderup e os movimentos de aproximação do próprio Sudakov ou do Aursnes?

José Mourinho: O Rio Ave é uma equipa que defende 5x4x1, onde os 2 alas tentam fechar por dentro, mas, quando a bola entra no corredor lateral, são os alas que saltam. Às vezes fazem-no com um bocadinho de atraso, se a bola chegar rapidamente ao corredor, chegam com um bocadinho de atraso. E tendo 2 jogadores abertos em cada corredor, Dahl e Schjelderup de um lado e do outro lado o Luca [Prestianni] e o Dedic, aparecer o 3.º homem, seja pelo Sudakov, seja inclusive pelo próprio Pavlidis, que também baixava muito, é difícil para o adversário desde que as coisas saiam bem. Nós corremos esse risco, porque com o Rio Ave, da maneira como nós lemos a coisa, o maior perigo é bola recuperada, transição. Foi assim que na Luz nos fizeram o golo do empate, foi assim que marcaram em Barcelos agora recentemente, foi assim que marcaram ao Casa Pia também. Tem risco, quando se tem tanta bola e se perde bola, existe sempre esse risco, só que a equipa foi muito sólida. E acho que o Barreiro e o Aursnes, por detrás dessa estrutura ofensiva, deram sempre um equilíbrio muito bom à equipa nesse girar de bola e sair de um corredor e aparecer no outro. Portanto, acho que é um jogo muito bem conseguido pelos rapazes, principalmente com a dificuldade que é ter jogado quarta e voltar a jogar, e são sempre os mesmos jogadores. Foram só o Schjelderup e o Otamendi que se podem dizer frescos, porque mesmo o próprio Sudakov jogou 50 minutos na quarta-feira. Acho que foram muito fortes sob o ponto de vista mental, todo o crédito para eles.

Rodrigo Lima
Rodrigo Limahttp://www.bolanarede.pt
Rodrigo é licenciado em Ciências da Comunicação e está a frequentar o mestrado em Gestão do Desporto. Trabalha na área do jornalismo desportivo, com particular interesse pela análise de futebol.

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