Portugal cai frente a Espanha na final do Euro de Futsal | Portugal 3-5 Espanha

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Portugal falhou o assalto ao terceiro título europeu consecutivo e viu a Espanha reconquistar o trono continental, ao perder por 5-3 na final do Euro Futsal 2026, disputada na Arena Stozice, em Liubliana. O palco tinha um simbolismo especial, uma vez que foi ali, em 2018, que a seleção portuguesa se consagrou campeã europeia pela primeira vez, precisamente frente aos espanhóis. Oito anos depois, o desfecho foi inverso e serviu como lembrete da rivalidade histórica que continua a definir o futsal europeu.

Esta foi a terceira final ibérica, que chegou carregada de narrativas em volta da partida . A seleção lusa procurava fazer história com um inédito tricampeonato, enquanto a “La Roja” entrava em campo com a ambição de vingar a derrota de 2018 e quebrar um jejum de dez anos sem títulos europeus.

O equilíbrio esperado no papel confirmou-se desde o apito inicial, mas o jogo acabaria por pender para o lado espanhol, sobretudo pela eficácia nos momentos-chave e pela capacidade de manter uma intensidade elevada ao longo de toda a partida.

Portugal entrou decidido a assumir o jogo. Logo no primeiro minuto, criou duas aproximações perigosas e deu sinais de querer ter bola e mandar no ritmo da final. No entanto, foi a Espanha quem golpeou primeiro. Pablo Ramírez segurou a pressão de dois defesas e, com um toque de calcanhar, assistiu Antonio Pérez, que rematou cruzado para o 0-1. O golo abalou a estrutura portuguesa e, praticamente no lance seguinte, nova machadada. Uma má saída a jogar desde trás permitiu a Cecilio Morales servir Raya, que fez o 0-2, colocando Portugal numa desvantagem rara neste tipo de jogos.

O contexto histórico era inquietante. Nos últimos confrontos oficiais entre estas seleções, Espanha até tinha marcado primeiro, mas Portugal acabara sempre por vencer. No entanto, a equipa de Jorge Braz nunca se tinha visto a perder por dois golos tão cedo. A resposta foi imediata, especialmente, ao nível da intensidade. Aos cinco minutos, Diogo Santos insistiu pela direita e Afonso Jesus, aproveitando a queda de um defesa espanhol, reduziu para 1-2. O pavilhão explodia e o jogo ganhava contornos elétricos. Pouco depois, Tiago Brito repôs rapidamente uma bola lateral, Rúben Góis rodou com classe dentro da área e fez o 2-2. Quatro golos em menos de dez minutos numa final europeia diziam tudo sobre o nível do espetáculo a que assistíamos.

A chave da reação portuguesa esteve na agressividade nos duelos e na forma como passou a impedir Espanha de circular com conforto. Durante vários minutos, Portugal deu uma lição de comportamento defensivo, empurrando os espanhóis para o seu meio-campo e recuperando bola em zonas altas. O jogo acalmou após a correria inicial, com mais respeito mútuo e menos balizas, mas com Portugal a dar sinais de maior controlo.

Quando o intervalo se aproximava, um detalhe voltou a fazer a diferença. A sexta falta cometida por Erick Mendonça ofereceu à Espanha um livre direto. Edu Sousa entrou para defender, ainda tocou na bola, mas esta acabou por entrar, com alguma sorte à mistura. O 3-2 ao intervalo era um castigo pesado para Portugal, que tinha crescido no jogo, mas voltava a ser penalizado pela gestão das faltas.

A segunda parte começou com novo susto para os lusos. Francisco Cortés quase aproveitou uma perda de bola em zona proibida, acertou no poste e Pauleta teve de cortar em cima da linha. Portugal respondeu com um lance de classe de Pany Varela, a driblar da ala para o meio e a obrigar Dídac a uma grande defesa. Ainda assim, os primeiros minutos do segundo tempo foram espanhóis, com Bernardo Paçó a assumir protagonismo entre os postes, mantendo Portugal vivo com intervenções decisivas.

A equipa portuguesa tinha mais bola, mas menos agressividade, e sentia dificuldades para desmontar o bloco espanhol. O empate surgiu num momento de oportunismo. Pauleta recuperou alto, foi servido por Pany e rematou cruzado para o 3-3. O jogo estava novamente empatado, mas o esforço começava a cobrar o seu preço.

A partir daí, Espanha entrou numa sequência avassaladora de oportunidades. Rivillos, Gordillo e Cecilio foram testando Paçó, enquanto os postes também iam negando golos aos espanhóis. O quarto golo ia sendo adiado, mas acabou mesmo por chegar. Antonio Pérez desmarcou Cecilio na esquerda, apareceu ao segundo poste e encostou para o 3-4. Era o hat-trick de Toni Pérez, melhor marcador da competição, num jogo em que se revelou absolutamente decisivo.

Portugal já não tinha pernas para acompanhar o ritmo imposto. A dois minutos e meio do fim, Jorge Braz apostou no 5×4, num tudo ou nada em busca do empate. A resposta espanhola foi letal. Nova jogada de classe de Antonio Pérez pela esquerda, assistência para Adolfo e o 3-5 final que selou o destino infeliz da armada lusa.

A Espanha voltou a ser campeã europeia, dez anos depois, com Antonio Pérez a destacar-se como MVP da final e do torneio. Para Portugal, ficou a frustração de uma derrota difícil de digerir e o fim de uma sequência vencedora iniciada em 2018. Ainda assim, esta final não apaga o valor do percurso português nem a solidez de um projeto que tem colocado a seleção nacional entre as grandes potências do futsal mundial.

Perder uma final custa, sobretudo frente a um rival direto como Espanha, mas não redefine um caminho que continua a ser de excelência. O futuro não se escreve a partir de um jogo, por mais decisivo que seja, e Portugal continuará, certamente, a discutir títulos no topo do futsal europeu.

João Magalhães
João Magalhães
Desde pequeno a seguir Futebol, Fórmula 1 e MotoGP, apaixonado pelo desporto, com Licenciatura em Gestão do Desporto e com o grau um de Treinador de Futebol. Ambicioso, lutador e sempre com vontade de saber mais, espera tornar o desporto mais simples e ainda mais interessante para os seus leitores.

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