UFC: Justin Gaethje conquista pela segunda vez o cinturão interino dos leves, será que agora conseguirá convertê-lo para o linear?
O UFC 324 já faz parte da história, e fica marcado como o primeiro da era Paramount+, embora não tenha sido uma estreia muito convincente. Na luta principal da noite, Justin Gaethje e Paddy Pimblett presentearam ao público da T-Mobile Arena, uma guerra. Paddy Pimblett fugiu ao plano de maior taxa de eficácia, e decidiu abdicar do grappling para trocar em pé com o americano, o que deu mau resultado.
A má movimentação de cabeça era precisamente o maior ponto contra o inglês, que tende a evadir dos golpes deixando o queixo bem exposto. E as mãos de Gaethje encontraram o queixo do britânico, pontuando múltiplos knockdowns e dominando a luta em pé nos cinco assaltos. Mas Justin também se demonstrou vulnerável, permitindo que Paddy The Baddy tivesse os seus momentos, onde deixou o veterano em perigo. Agora Justin Gaethje terá mais uma chance de lutar pelo tão cobiçado título dos leves, mas a meu ver Topuria encontrará mais brechas ainda que o inglês, e a diferença de “punch” entre eles leva-me a crer que caso acerte, será definitivo.
Na luta co-principal, Sean O’Malley saiu com mais uma vitória questionável, a luta contra Song Yadong poderia muito bem ter caído para ambos os lados, e a meu ver o chinês merecia ter o braço levantado. Dominou as interações em pé, sendo mais incisivo, além de introduzir o grappling para controlar o americano. Ficou clara pela transmissão, a “boa vontade” em relação a “Sugar”, com Daniel Cormier e Joe Rogan a darem como garantido a chance de disputa pelo título ainda durante a luta de Umar. Essa “boa vontade” com mais um resultado polémico, alimenta a narrativa de que o americano está a ser “empurrado” pela organização.
DESILUSÂO DA NOITE
Destaquei Waldo-Acosta, “Salsa Boy”, como o possível destaque da noite, mas o que vimos foi uma luta morna e que deixou os fãs desapontados. Foi uma clássica luta desastrosa, que infelizmente se tem tornado habitual. Lutadores a ficarem sem stamina e a esbanjar um show de horrores no que toca a técnica. Salsa Boy conseguiu a vitória frente a Derrick Lewis mas não convenceu, e terá que fazer pelo menos mais uma rodada para sonhar com uma luta pelo título.
MVP DA NOITE
A meu ver Jean Silva merece o destaque do evento. Embora tenha começado a luta a correr atrás do resultado, porque Arnold Allen emplacou bem o esquema de manter a distância, com chutes e jabs, no final do primeiro round, uma trocação no pocket já mudou o destino do duelo. No segundo e terceiro rounds, Jean conseguiu levar a melhor nas interações em pé e impor o seu jogo, fintando a sua entrada na curta distância e apresentado um arsenal de golpes plásticos e imprevisíveis, além de muito mais poder, que foi minando o inglês e tornando-o num alvo cada vez mais fácil. A meu ver conquistou o direito de ser o próximo na fila após a luta entre Volkanovski x Diego Lopes. Umar Nurmagomedov lutava a chance de “roubar” o title shot a Sean O’Malley caso apresentasse uma performance de gala, mas o que vimos não fugiu do esperado.
Figueiredo não conseguiu desenvolver o seu jogo pelo medo constante da queda, e o russo foi dominando a luta com belos chutos e o mix de grappling. Acho que o UFC irá atrasar um pouco a sua chegada ao desafio pelo título para evitar colocar grappler como dono da divisão novamente.
O primeiro UFC da Paramount+ caso não tivesse sido salvo por uma luta que concorrerá facilmente a luta do ano, seria medíocre na melhor das avaliações. Mas tivemos ainda boas lutas e é bom começo de ano, para movimentar bem as respetivas divisões e traçar narrativas.

