A WWE apresentou no último dia de janeiro um dos seus eventos mais entusiasmantes do ano, com dois combates Royal Rumble que iriam determinar quem avançaria para a WrestleMania de modo a defrontar campeões da sua escolha. Para além disso, um título mundial estava em jogo, com possibilidade de ser conquistado por um herói da casa, enquanto havia também uma carreira em risco de terminar.
LIV MORGAN CONSEGUE O QUE JÁ MERECIA
A noite começou com o Royal Rumble feminino, com Alexa Bliss e Charlotte Flair, parceiras de equipa, a começarem o combate, esperando sem se atacarem muito até chegar Kiana James, a terceira. E isso deu o mote para um início de Rumble algo lento, com os seus destaques, mas o ritmo só aumentou verdadeiramente no final.
O ponto mais alto do combate foi nas últimas sete, que foram Liv Morgan, Raquel Rodriguez, Rhea Ripley, IYO SKY, Sol Ruca, Lash Legend e Tiffany Stratton. Lash eliminou SKY, já depois de ter colocado Charlotte fora, saindo valorizada deste Rumble, antes de ser eliminada por Ripley. Raquel eliminou a australiana com um Tejana Bomb no apron do ringue, num dos spots mais brutais da noite, antes de Morgan surpreender e eliminar a sua parceira dos Judgment Day, sem arrependimentos.
As últimas três foram Liv, Sol e Tiffany, com as três a lutarem no apron e a lutadora do NXT a cometer um erro e a ser eliminada por Tiffy quando procurava um Sol Snatcher. Segundos depois, um Oblivion de Morgan assegurou-lhe a vitória que já procurava há muito tempo e que merece sem qualquer dúvida.
Esta segunda-feira, no Raw, Rodriguez desafia Stephanie Vaquer pelo título e é possível que o título mude de mãos. Seja como for, parece evidente que Liv vai escolher o título do Raw e o facto de ter eliminado a sua parceira é mais um indicador disso mesmo. O combate em si começou lento e foi melhorando com o passar do tempo, terminando bastante bem. Para além de Tiffany Stratton, a outra surpresa foi o regresso de Brie Bella (o público saudita adorou) e a ausência de Bianca Belair, cuja lesão já é preocupante.
Nota do combate: 4/5
ACABOU PARA STYLES?
De seguida, tínhamos a carreira de AJ Styles em jogo, com o Phenomenal One a ter de se retirar se perdesse para Gunther, que procurava mais uma vitória por submissão e terminar mais uma carreira, depois da de John Cena. O combate foi o melhor da noite, tal como se esperava, com Styles e o Ring General a corresponderem às expetativas. O austríaco utilizou um golpe baixo quando o árbitro não estava a olhar, mas acabou por ser um contra-ataque a um Phenomenal Forearm que permitiu a Gunther aplicar o seu sleeper. AJ lutou com tudo o que podia, mas acabou por desmaiar na manobra, com o árbitro a levantar o braço de Styles e a terminar o combate quando não obteve resposta.
A minha única queixa aqui é que seria mais eficiente levantar o braço de AJ três vezes e terminar o combate quando este não respondesse da terceira vez. De resto, isto foi exatamente aquilo que devia ser, sobretudo do ponto de vista de Gunther, que voltou a ser o homem perigoso que devia ser depois de fazer desistir John Cena. A carreira de Styles acaba mais cedo do que esperávamos, mas, se olharmos com atenção, os últimos tempos da sua carreira já constituíram uma retirement tour.
Por outro lado, é possível que AJ não termine já a carreira, tendo-se recusado a tirar as luvas depois da derrota. Na WWE, imagino que já esteja tudo fechado (aliás, era essa a estipulação). Contudo, não descarto a hipótese de o Phenomenal One ainda ir fazer alguns meses à TNA antes de pendurar de vez as luvas e o restante equipamento.
Nota do combate: 4.5/5
MCINTYRE NÃO DEIXA MARGEM PARA DÚVIDAS
O terceiro e penúltimo combate envolvia o título da WWE, defendido por Drew McIntyre contra o herói do público, Sami Zayn. O combate até foi bastante mais desequilibrado do que se podia esperar, mas eu gostei da história que contaram. Zayn tentou ser competitivo e teve alguns momentos em que podia aproximar-se da vitória, mas, no final, McIntyre foi demasiado forte para ele, vencendo de forma autoritária com dois Claymores.
Para quem, como eu, pensava que Sami podia conquistar o seu primeiro título mundial na WrestleMania deste ano, este booking sugere claramente que isso não vai acontecer. Aliás, a forma como perdeu vai levar Zayn ao fundo, tendo de recuperar a partir daí como underdog. Contudo, Sami não deve voltar a lutar com McIntyre nem por este título nos próximos largos meses, com esta história a poder ser retomada no próximo ano, em que a WrestleMania é na Arábia Saudita.
Nota do combate: 4/5
MAIS UMA PARA REIGNS
Por fim, tivemos o Royal Rumble masculino, cujo vencedor era bastante imprevisível. Oba Femi entrou como número 1 e Bron Breakker como número 2 (depois de um erro da produção da WWE no SmackDown do dia anterior). Contudo, antes da entrada de Breakker, este foi atacado por um homem mascarado (que não se desmascarou) que lhe aplicou um Stomp (possivelmente Austin Theory, que se acredita que está infiltrado na Vision, mas a trabalhar para Seth Rollins), antes de o enviar para dentro do ringue, com Bron a ser logo eliminado por Femi.
A primeira parte do Rumble até achei interessante, com Oba a eliminar várias pessoas, espaço para coabitarem as três mais recentes chamadas do NXT (Femi, Je’Von Evans e Trick Williams) e a estreia de Royce Keys (antigo Powerhouse Hobbs na AEW). Também houve um momento entre dois Grandes Americanos, mas foi demasiado curto e não resultou muito bem, muito menos com o público saudita.
De resto, este Rumble deixou a desejar, sobretudo pelo facto de haver muito teases, mas pouca sequência dada a esses teases. Brock Lesnar eliminou Oba Femi (pode eventualmente haver um combate na WrestleMania entre esses dois), mas foi depois eliminado durante a entrada de Jey Uso. LA Knight voltou para eliminar dois membros da Vision, houve também alguns lutadores da AAA (o público saudita não teve qualquer reação para eles) e Gunther foi o número 30.
Os últimos quatro foram Roman Reigns, Gunther, Randy Orton e Logan Paul, com Reigns a eliminar Logan e Gunther a eliminar Orton. Gunther e Reigns depois trocaram alguns sleepers antes de o Tribal Chief eliminar o Ring General para vencer. Os últimos quatro não me entusiasmaram e a sequência final do Rumble também não. Por outro lado, considero um erro colocar Gunther no Rumble se ele não ia ganhar.
Também é preciso dizer que a vitória de Reigns não me incomoda tanto como incomodará outros fãs, com Roman a ir possivelmente atrás do título de CM Punk, embora uma história com Drew McIntyre também fosse bem possível.
Nota do combate: 3/5
No geral, foi um bom show em Riade, com o Rumble masculino, infelizmente, a puxar para baixo aquilo que estava a ser uma excelente noite. De resto, penso que tivemos os vencedores certos e algumas histórias ficaram mais ricas para a WrestleMania, embora nem tudo tenha sido bem executado, sobretudo no combate final. Para além disso, a atmosfera também estava algo esquisita, com os sauditas a fazerem bastante barulho em alguns momentos, mas completamente indiferentes em outros momentos, numa arena que chegou a parecer bastante vazia devido aos efeitos visuais provocados pelas luzes (depois percebeu-se que não era assim).
Nota final: 91/100

