Artur Soares Dias condena a “falta de coragem” dos regulamentos em Portugal e aponta João Pinheiro como o seu sucessor ideal nos grandes palcos, desafiando a visão crítica de José Mourinho.
O antigo árbitro internacional Artur Soares Dias quebrou o silêncio sobre o estado atual do futebol português. À margem de uma conferência em Cascais, o ex-juiz de 46 anos abordou a crise de violência na arbitragem e aproveitou para enviar uma mensagem direta a José Mourinho, manifestando o seu apoio público a João Pinheiro como o seu sucessor natural nos grandes palcos.
O ex-árbitro não poupou críticas à forma como os incidentes disciplinares têm sido geridos em Portugal. Para o antigo árbitro, o clima de tensão que se vive todos os fins de semana é fruto de uma impunidade regulamentar ou a falta de coragem de aplicar os regulamentos:
«Esta incompetência pode prejudicar um fenómeno, um negócio que é o futebol português. Mantenham-se resilientes, mantenham-se com coragem, não desistam, porque toda a gente fala da carência que existe hoje de árbitros, mas eu gostava de saber quem é que quer ir para árbitro», afirmou Artur Soares Dias.
Com um currículo que inclui os Europeus de 2021 e 2024, além da final da Conference League 2023/24, o ex-juiz olhou para o futuro da representação portuguesa lá fora. Num comentário que serviu de resposta às recentes críticas de José Mourinho à arbitragem nacional, o antigo juiz foi direto:
«Eu desejo, ao contrário do Mourinho, que o João Pinheiro vá à próxima competição europeia. Eu gostava que o João Pinheiro tivesse esse sucesso. Eu, felizmente, tive essa oportunidade. Não uma vez, mas várias, felizmente, e gostava que agora o João tivesse essa oportunidade, também para valorizar o nosso desporto e o nosso país», revelou o atual comentador.
Relativamente à fase decisiva das competições, o antigo juiz acredita que os árbitros atuais estão plenamente conscientes da adversidade e da pressão que os rodeia, estando já habituados a lidar com contextos difíceis. No entanto, Artur Soares Dias sublinha que esse ambiente hostil não ajuda no desempenho desportivo, defendendo que devem ser criadas melhores condições de trabalho para que os árbitros possam evoluir e ser melhores.

