Rui Costa apresentou-se esta quinta-feira na sala de imprensa do Estádio da Luz, acompanhado por Pedro Pinto, diretor de comunicação do Benfica, procurando responder a várias questões dos jornalistas, não existindo um limite para o final da conferência, uma abertura total que geralmente não ocorre.
O presidente sabia que o nome de José Mourinho seria o protagonista da conversa, por muito que a temporada das águias tenha sido rotulada como uma desilusão. Rui Costa não tem o dom da palavra, com a sua postura a merecer elogios e críticas nas redes sociais.
Contudo, existem algumas notas que se podem retirar das palavras do antigo médio, que começa a época questionado por uma boa percentagem dos sócios, que não vão tolerar uma repetição de 2025/26.


Marco Silva não era a primeira opção
Rui Costa dedicou parte da conferência a responder a perguntas sobre a saída de José Mourinho para o Real Madrid. O dirigente assumiu sem qualquer receio de que a sua ideia inicial passava pela manutenção do treinador para a próxima temporada, inclusivamente afirmou que o técnico renovaria o seu contrato antes do começo de 2026/27. O setubalense era o homem do projeto e que contava com a total confiança da direção, apesar de não ter vencido qualquer título:
«O sucesso de Marco Silva será o sucesso do Benfica. Fizemos a proposta a Mourinho quando achámos melhor. Mourinho sabia perfeitamente que era o treinador que desejava ter na próxima época. Tinha mais um ano e sabia que não ia entrar no último ano de contrato, que íamos renovar, mas preferiu o Real Madrid».
Isto faz com que Marco Silva entenda que não era a primeira opção de Rui Costa para o banco de suplentes, embora o antigo médio tenha afirmado que o ex-Fulham passou a ser o grande sonho do Benfica a partir do momento em que se mostrou disponível para rumar à Luz. O presidente admitiu inclusivamente que existiram outras hipóteses.
Marco Silva terá um ano de margem
Marco Silva vai assinar um contrato válido por duas temporadas, com a hipótese de se estender por mais uma época. Para que isto aconteça, o treinador terá de guiar o Benfica ao título da Primeira Liga em pelo menos uma ocasião. Isto dá ao técnico a margem de erro de um ano, ainda que não possa realizar um trabalho desastroso, já que o Tribunal da Luz não perdoa.
Rui Costa mostrou-se satisfeito com o trabalho de José Mourinho, que terminou a Primeira Liga em terceiro lugar. Marco Silva terá sempre essa ‘arma de defesa’. O Benfica tem pressa para voltar aos títulos, mas a cláusula existente no contrato dá uma curta margem de erro ao novo técnico, que não conquistou a Primeira Liga ao serviço do Sporting.
Rui Costa não fecha a porta a um terceiro capítulo da história entre o Benfica e José Mourinho
Rui Costa podia ter aproveitado a conferência de imprensa para deixar algumas farpas a José Mourinho, algo que se recusou a fazer. O seu discurso foi outro, elogioso para com o trabalho do treinador, aparentando compreender a saída do setubalense para o Real Madrid, como se para o próprio presidente do Benfica os merengues fossem um emblema superior aos encarnados e um desafio mais apetecível.
O dirigente defendeu certas atitudes de José Mourinho, deixando igualmente elogios à sua conduta, recordando por várias ocasiões que a continuidade estava em cima da mesa e que o treinador estava nos planos de 2026/27. Podemos concluir que não existe mágoa entre as duas partes, não se fechando a porta a um segundo retorno do timoneiro.
Um terceiro lugar não dá margem a praticamente ninguém, mas Rui Costa ficou convencido com o trabalho apresentado. O discurso de José Mourinho na conferência de imprensa da partida contra o Estoril Praia, na qual o técnico referiu que tinha 99% de possibilidades de ficar no Benfica, continua na cabeça do presidente das águias, que, caso se mantenha na Luz a longo prazo, não fechará a porta a um agora ‘amor antigo’.
Mercado do Benfica será calmo, pelo menos no princípio
O mercado não foi um tema muito desenvolvido por Rui Costa. O dirigente deixou uma garantia aos sócios: não há necessidade de realizar vendas, ainda que o Benfica não vá marcar presença na Champions League. Os encarnados tampouco têm muitos elementos que lhes possam render algumas dezenas de milhões de euros. Vangelis Pavlidis e Andreas Schjelderup seriam os eventuais candidatos. O dirigente também não mostrou estar com pressa para fechar nomes, essencialmente pela disputa do Mundial 2026, que certamente contará com alguns dos alvos das águias:
«O Marco está otimista, está contente com o que tem em casa, embora sejam necessários reforços. Há um grande otimismo da parte dele. Até agora o mercado está parado, é ano de Mundial. Não temos urgência em fazer vendas»
Rodrigo Zalazar foi o único nome que mereceu algum desenvolvimento. Rui Costa afirmou que não entraria numa corrida pelo uruguaio que rendeu 30 milhões de euros ao Braga. Contudo, se o médio ofensivo na ótica do dirigente não vale esse dinheiro, que jogador da Primeira Liga valerá?
As renovações de António Silva e Andreas Schjelderup também foram esmiuçadas por Rui Costa, afirmando que foram realizadas ofertas aos jogadores. Se no caso do norueguês, o dirigente afirmou que não havia pressa, no do central o discurso foi ligeiramente diferente. O desejo de uma manutenção foi reiterado. Porém, que não se descarte a venda do internacional português.
Tudo o que não seja um top 4 na Europa League será desilusão
Em momento algum Rui Costa afirmou que quer vencer a Europa League, mas admitiu que um emblema como o Benfica terá de ser candidato na competição. Uma prova que terá importância imediata no calendário das águias, que quer chegar à fase da liga, algo que mudou os planos da pré-temporada e que parece não ter agradado nada o antigo médio.
Rui Costa conhece a exigência dos adeptos do Benfica e sabe que os mesmos não vão perdoar uma eliminação contra uma equipa ‘menor’ (lembrar-se-á do ruído que a derrota contra o Qarabag causou):
«O primeiro passo é entrar na Europa League, depois queremos assumir-nos como candidatos à prova. Queremos atacar todas as frentes a nível nacional».
Marco Silva também está pressionado neste aspeto. A Europa League conta com alguns participantes com peso no continente: Juventus, Marselha, Bayer Leverkusen, AC Milan, Real Sociedad, Celta de Vigo ou Bournemouth (sem esquecer Sunderland ou Hoffenheim e o ‘nosso’ Torreense, um dos outsiders). Ainda assim, o Benfica terá de ser capaz de bater-se com qualquer um destes conjuntos, que também devem ambicionar erguer o troféu. Além disso, os prémios da competição, ainda que longe dos chorudos apresentados na Champions League, ajudam no orçamento.



