Bino Maçães foi entrevistado pelo Bola na Rede. Selecionador nacional passou em revista ano dos sub-17 com vitórias no Europeu e no Mundial.
Bino Maçães concedeu uma entrevista ao Bola na Rede depois da seleção nacional sub-17 ter sido distinguida como a Equipa do Ano 2025. O treinador falou do percurso na prova e nas vicissitudes da final do Mundial Sub-17.
«Nos penáltis senti a equipa mais preparada. Fizemos também as coisas de forma diferente. No Europeu e no Mundial tivemos algumas particularidades muito parecidas. Na meia-final com a Itália [no Europeu] também fomos às grandes penalidades. Aí, senti a equipa mais tensa do que contra o Brasil [no Mundial]. Aí senti-os mais tranquilos e seguros. É aparência, sabemos que por dentro as pulsações estão a mil. Na final, não achei que estivéssemos mais relaxados, mas vi-os mais tranquilos porque a Áustria não tinha estado no Europeu e nós já tínhamos estado presentes numa final e tínhamos a noção de jogar num grande estádio. Podíamos ter algumas vantagens em relação à Áustria e isso deixou-nos um bocadinho mais confortáveis. Depois de passarmos o Brasil, com a dificuldade que foi o jogo, sabíamos que a final era um jogo para dar a nossa vida. É uma oportunidade única para ganhar uma final. Depois de eliminar o Brasil, uma das equipas com mais títulos na competição, sabíamos que podia estar ao alcance. Mas fizemos questão de reforçar o foco, e eles também o sabem, porque os miúdos hoje em dia estão atentos a tudo, muitas vezes até sabem mais que nós porque estão atentos aos resultados, a quem ganha, quem perde, quem marcou os golos, quem são os jogadores. Há uma grande informação. Senti-os muito responsáveis e muito respeitadores do que foi o percurso da Áustria. A Áustria ganha os jogos todos e sofre apenas um golo até à final. Diz muito da sua qualidade. Havia alguns pormaiores no jogo da Áustria que, se defensivamente conseguíssemos ser fortes em duas ou três coisas, iam ser muito importante para ganhar aquela final. Foi nisso que nos focámos. Não nos dispersámos e sabíamos que se o fizéssemos íamos ter sucesso e que, com bola, temos qualidade. Foi acreditar. Havia um padrão forte no jogo da Áustria que conseguimos neutralizar e, felizmente, as coisas saíram bem», elogiou Bino Maçães, que falou ainda do que é necessário fazer para igualar os adversários.
«Nos anos em que estou aqui, acho que isso sempre foi evidente. Não por olharmos de cima para baixo, mas por sabermos quem somos e o que podemos dar. Se estivermos ao nosso nível, podemos ganhar a qualquer equipa e isso sempre esteve presente na nossa equipa. Nós passámos por um processo, até chegarmos aos sub-17, em que perdemos muitos jogos. Isso foi a validação que os jogadores precisavam para meter na cabeça que eles [os adversários] são bons, mas se nós, naquilo que é a intensidade e foco os igualarmos, somos melhores. Acho que isto é um processo de acreditar e saber que, quando jogas contra a Alemanha, por exemplo, tens de igualar a intensidade de jogo porque eles não param. São muito fortes fisicamente, agressivos defensivamente e transitam rápido. Já têm muita qualidade e o ritmo é muito maior. Se conseguires igualar isto e meteres na cabeça o que tens de fazer, não ficamos a dever nada a ninguém. Dou o exemplo da Alemanha como podia dar o da França, porque nós perdemos com eles. Já muito perto dos sub-17, começámos a ganhar. Isto valida o que o treinador lhes vai dizendo, o que queremos pôr no nosso jogo e a intensidade com que queremos jogar. Eles percebem que, quando chegam aqui, tem de ser a este nível. Se não for a este nível, não vamos ganhar», frisou o treinador.
Lê toda a entrevista de Bino Maçães. Recorde-se que, em 2025, os sub-17 nacionais venceram o Europeu e o Mundial da categoria.

