Diogo Costa afasta rumores de interesse da Premier League: «Estarei sempre feliz no FC Porto»

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Diogo Costa mostrou-se comprometido ao FC Porto, deixou elogios ao treinador e a Thiago Silva, e projetou o Mundial 2026.

Diogo Costa realizou uma entrevista com o The Athletic, na qual refletiu sobre a sua carreira com a camisola dos dragões e olhou para o futuro, incluindo o Mundial 2026 e o interesse de clubes da Premier League. O guardião de 26 anos reforçou o seu comprometimento com o FC Porto, relembrando que renovou recentemente o contrato até 2030.

O internacional português começou por elogiar o futebol inglês, mas afastou os rumores:

«Toda a gente sabe que a Premier League é a melhor, ou uma das melhores ligas do mundo. Se perguntarem a todos os jogadores no mundo se gostariam de jogar na Premier League, acho que não há nenhum que não gostasse. Mas acabei de renovar e estou extremamente feliz. É um sonho tornado realidade e como vim de uma família portista estarei sempre feliz aqui».

Demonstrou ainda a sua gratidão e desvalorizou a cláusula de rescisão:

«Jogar aqui e ainda por cima enquanto capitão, algo que nunca imaginei ser tão cedo… estou muito grato ao FC Porto por tudo o que me ensinou como jogador e como homem. Já admiti que se tivesse de jogar aqui durante toda a minha carreira seria extremamente feliz, por isso este é um sonho tornado realidade. Cláusula de rescisão? É apenas uma parte do contrato e foi o acordo a que chegámos. Acabei de renovar e serei feliz todos os dias se acabar a minha carreira cá. Todos os anos há sempre quem pense se eu vou ficar ou sair, mas isso faz parte da vida de um profissional de futebol».

De seguida, Diogo Costa descreveu a mentalidade que distingue os dragões:

«O FC Porto para ganhar sempre precisou de correr mais, de trabalhar mais e de se esforçar mais do que os adversários. Queremos manter essa identidade, porque é uma identidade muito boa e é o melhor para a evolução de cada jogador, porque se nós estivermos bem e a evoluir isso será sempre bom para o coletivo (…) Em todos os jogos que fizemos até agora corremos sempre mais do que os adversários, temos sempre mais três, quatro, cinco ou seis quilómetros a mais que a equipa adversária».

O guarda-redes deixou fortes elogios ao técnico Francesco Farioli:

«Com a vinda deste treinador, e também com a mudança de alguns jogadores, passámos a representar bem o que é ser uma equipa, que era o que o FC Porto estava a precisar. (…) Existe um estilo de jogo, principalmente em posse, e cada treinador tem a sua forma de ver a tática, de criar essas oportunidades ofensivas, e este é o seu estilo. Acho que dá para perceber que mudámos em todas as posições, mas ele já foi treinador de guarda-redes e gostamos de discutir o que é que é melhor ou pior. De um modo geral, não mudou muita coisa, há apenas uma nova forma de jogar, que é a do mister (…) Apesar de eu ser capitão, ele é o nosso líder e temos de respeitar as suas indicações. Se fizermos tudo o que ele pede ficaremos sempre muito mais perto de ganhar, porque estamos todos no mesmo barco».

Revelou ainda a sua motivação para continuar a melhorar, falando sobre a sua capacidade de defender penáltis:

«Nunca penso que já tenho o suficiente para ser o guarda-redes do FC Porto ou da Seleção Nacional. (…) Agora tenho 26 anos, mas entre os 18, 19, 20 ou 21 isso era algo que eu treinava. Quando treinamos defender penáltis, seja a técnica da queda, a forma como atacas a bola ou as estratégias para poder ser o mais explosivo possível… tudo isso tem um treino por trás. Hoje em dia é algo que eu não gosto muito de trabalhar, porque os jogadores com que treino não são os jogadores que vou apanhar no jogo. Acho que essa técnica de atacar a bola, de queda e de ser o mais explosivo possível é algo que já se trabalha todos os dias, é quase como o pequeno-almoço, e eu como sempre quase a mesma coisa ao pequeno-almoço. Não é algo que eu goste muito de trabalhar nos treinos, porque no jogo é diferente. Com a pouca experiência que tenho fui-me apercebendo que há um treino por trás, mas no jogo é muito instinto também (…) Saber cheirar, como se diz no futebol, saber o que o jogador vai fazer… isso não é algo que eu goste de treinar todos os dias».

Mantendo-se no tema das grandes penalidades, relembrou alguns momentos marcantes:

«Às vezes vemos tantos vídeos que, por vezes, isso até nos prejudica. Às vezes estamos à espera de um comportamento habitual, mas também temos de saber que o jogador sabe que nós o vamos ver. Isso é que torna o futebol interessante, porque tanto podemos ser muito previsíveis como muito imprevisíveis. Nos penáltis da Liga das Nações desenhei uma estratégia por causa do que me aconteceu no passado. Quis ir sempre para o mesmo lado, porque quando defendi os penáltis contra a Eslovénia, e defendi três, tanto fui para a esquerda como para a direita, quase como se já soubesse para onde a bola ia. Temos de saber que os outros também nos veem. Tenho a certeza que os jogadores da Espanha estiveram a ver como é que eu defendia penáltis, por isso é preciso ter uma estratégia. Esse lado tático é muito importante no futebol».

Deixou também elogios ao novo colega Thiago Silva:

«Acima de tudo trouxe muita aura. Receber um jogador como o Thiago, que é tão titulado, é um prazer enorme. É um prazer enorme poder partilhar o balneário com ele e jogar com ele. Treinando com ele todos os dias conhecemos a sua qualidade e vemos que realmente tem características muito interessantes. Nesta idade dá para perceber o pormenor tão limado, que é bonito de se ver. Agora sabemos porque é que ele ganhou tantos títulos e sabemos porque é que é o Thiago Silva. Acho que para todos nós, e para o clube, é um prazer enorme tê-lo na nossa equipa. Pelos títulos, pela sua carreira, por aquilo que sabemos que o Thiago representa, aquilo que ele é enquanto jogador… Acima de tudo, é importante que ele seja mais um para nos ajudar a ganhar títulos. (…) Nunca pensámos que ele voltasse ao FC Porto nesta fase da carreira. Foi uma grande surpresa, mas estamos muito felizes por tê-lo cá.».

Quanto ao Mundial 2026, referiu estar otimista, destacando a homenagem que querem ser capazes de fazer a Diogo Jota:

«A nossa expectativa, tal como a de todos os portugueses, e até mesmo a nível global, todos sabem que a seleção portuguesa é candidata a ganhar. Qualidade não falta, mas obviamente temos essa expectativa alta, temos essa exigência de ganhar o Mundial, não apenas pela qualidade, mas também pelo lado muito sentimental. Depois do que aconteceu com o Diogo Jota e o seu irmão também queremos muito honrá-los ganhando esse título».

Diogo Costa descreveu o peso da morte do compatriota na Seleção Nacional:

«Quando falamos do Diogo, falamos das excelentes memórias que temos dele como pessoa e como jogador. É um assunto difícil, não é muito falado, mas é algo que é muito sentido por todos. O Diogo Jota era um jogador com estatísticas muito boas, mas, enquanto pessoa, era uma daquelas pessoas de que toda a gente gosta dentro do balneário, pela sua personalidade e pela sua maneira de ser. Isso é o que nos marca mais, a sua personalidade e o seu carácter. Não é algo de que falemos muito, mas é algo que sentimos muito e queremos honrá-lo. Tenho certeza de que ele vai estar no nosso balneário e espero que ele nos ajude, lá de cima, a tornar esse sonho realidade».

Por fim, revelou a forma como os jogadores veem Roberto Martínez:

«Acima de tudo, é um treinador que conhece os jogos que tem e sabe o que pode fazer, dentro da sua ideia de jogo, para que cada um de nós possa sobressair ao máximo. E nós, os jogadores, estamos muito felizes por trabalhar com ele e já temos um título ganho em conjunto».

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