O FC Porto recebeu o Estoril Praia no Estádio do Dragão, em jogo da 12.ª jornada da Primeira. Confere os destaques do encontro.
William Gomes: O brasileiro não foi opção no jogo com o Nice, mas uma das grandes características da temporada de William Gomes é aparecer nos momentos em que o FC Porto mais precisa. Os encontros frente a Sporting e Salzburg foram exemplo disso. Diante do Estoril Praia, o avançado, oportuno, aproveitou uma desatenção de Holsgrove para bater Joel Robles aos 8 minutos. Tendo em conta a primeira parte difícil dos dragões, o golo do avançado revelou-se crucial para levar vantagem para o intervalo.
Rafik Guitane: A primeira parte do Estoril Praia foi de altíssimo nível e muito se deveu ao avançado francês. Seguramente, Rafik Guitane foi o elemento mais influente na variabilidade ofensiva da equipa canarinha. Sem bola, o Estoril defendia num 4-2-3-1, com Guitane encarregado de anular o “6” do FC Porto, função assumida por Pablo Rosario, dada a ausência de Alan Varela. Com bola, o avançado gaulês foi um autêntico diabo à solta: a partir sempre do corredor direito, criou várias situações de perigo de fora seja de fora para dentro, seja no corredor direito, obrigando Francisco Moura a um constante esforço defensivo. Contou ainda com o apoio de Ricard Sánchez, que ia permutando posições e aparecendo também na última linha de ataque.
Kévin Boma: Já se previa um duelo intenso com Samu, dadas as características físicas de ambos. Com as várias unidades que o Estoril Praia colocava no processo ofensivo, o FC Porto tentava explorar as bolas em profundidade, mas Boma foi eficaz a controlar e antecipar as tentativas que procuravam o avançado espanhol. Na primeira parte, os duelos físicos sorriram claramente ao defesa togolês. É um defesa com características únicas no plantel do Estoril Praia. Não tem a mesma qualidade com bola de Felix Bacher ou Ferro, mas dá esta segurança ao nível físico.
Ian Cathro: O técnico do Estoril Praia quis surpreender e conseguiu fazê-lo da melhor forma na maneira como montou a equipa. Desfez a habitual linha de três centrais do conjunto canarinho e, diante do FC Porto no Estádio do Dragão, não teve receio de apresentar uma equipa com grande variabilidade e projeção ofensiva, sobretudo na primeira parte. Com o 4-2-3-1, procurou fechar o corredor central e, através de referências individuais, criou várias dificuldades à saída de bola portista. Ainda assim, o momento com bola foi o mais diferenciador. Os laterais, bem como Holsgrove, projetaram-se no ataque, e a colocação de Rafik Guitane a surgir de fora para dentro no corredor direito foi muito importante para a qualidade exibicional apresentada.
Francesco Farioli: Uma das grandes marcas da época do FC Porto é a capacidade que os dragões têm revelado para manter serenidade mesmo nos momentos mais difíceis e não é por acaso que a vitória tem quase sempre sorrido aos azuis e brancos, como se viu diante do Braga. A equipa tem marcado nos momentos certos, e muito disso se deve ao trabalho do treinador. Apesar das inesperadas dificuldades criadas pelo Estoril Praia, o técnico italiano mexeu nos timings corretos. Perante os problemas sentidos por Francisco Moura, retirou o lateral para lançar Zaidu ao intervalo. Já no decorrer da segunda parte, aproveitou o jogo menos conseguido de Rodrigo Mora para colocar Gabri Veiga, que deu outra segurança com bola e maior controlo do ritmo de jogo. O corredor esquerdo passou a fluir melhor com o médio espanhol, e, mais tarde, a entrada de Luuk de Jong acrescentou maior capacidade associativa ao ataque portista.

