O Vitória SC conquistou a Taça da Liga pela primeira vez na história ao vencer o Braga por 2-1. Confere os destaques do encontro.
Mario Dorgeles: O ala costa-marfinense inaugurou o marcador ao minuto 17’, na sequência da cobrança irrepreensível de um livre direto. Em termos funcionais, Dorgeles assume um papel muito importante na manobra ofensiva do SC Braga, ajustando constantemente os seus movimentos às dinâmicas de Rodrigo Zalazar e Ricardo Horta. Com estes dois jogadores a descair com frequência para o corredor esquerdo, procurando tabelas e a criação de superioridades, foi recorrente ver Dorgeles a ocupar zonas interiores ou até o corredor direito, com o objetivo de fixar elementos do Vitória SC e libertar espaço. Sem bola, revelou também compromisso defensivo, baixando em vários momentos para a linha defensiva bracarense, de forma a travar as projeções ofensivas do lateral Tony Strata.
Beni Mukendi: Num primeiro tempo bastante exigente para o Vitória SC – marcado por dificuldades nos ajustes de pressão, muito espaço concedido nos três corredores e uma capacidade de pressão efetiva inferior à demonstrada frente ao Sporting —, o médio angolano foi uma das exceções pela positiva. Com bola, ofereceu maior tranquilidade à equipa, ora optando por lateralizar o jogo, ora recebendo sob pressão, respondendo de forma acertada na maioria das situações. Já no momento de transição defensiva, e tendo em conta o espaço de que o SC Braga dispôs para criar perigo, Beni Mukendi destacou-se com alguns desarmes importantes, evitando que o perigo se tornasse ainda mais evidente.
Ricardo Horta: Aos 31 anos, Ricardo Horta continua a ser o jogador mais móvel da equipa bracarense. Foi sobretudo através dos seus movimentos a cair no corredor esquerdo que o Braga conseguiu criar superioridades e aproximar-se com maior frequência da baliza de Charles. A ligação entre Ricardo Horta e Rodrigo Zalazar, quando ambos procuravam o mesmo corredor para tabelar – claramente a dinâmica ofensiva mais eficaz da equipa -, revelou-se decisiva para criar dúvidas nas referências defensivas do Vitória SC, originando várias situações de 3×2 no corredor, quer com a entrada de um médio, quer com a participação de Mario Dorgeles. Esta dinâmica evidencia o trabalho desenvolvido por Carlos Vicens desde a sua chegada. Já em zonas centrais, Ricardo Horta encontrou também espaço entre linhas e nas costas dos médios adversários, recebendo e girando com qualidade.
Samu Silva: A entrada do médio português, ao minuto 54’, alterou por completo o paradigma do encontro. Apesar do Braga ter entrado melhor na segunda parte, o golo de Samu Silva, na conversão de uma grande penalidade aos 58’, deu origem a um Vitória SC mais pressionante e dinâmico no processo ofensivo. Muito desse crescimento deveu-se à energia que Samu trouxe ao meio-campo vimaranense (saída precoce de Grillitsch), conferindo maior tranquilidade e experiência numa fase de maior ascendente bracarense. Com a saída de Diogo Sousa, Gonçalo Nogueira recuou no terreno para formar dupla com Beni Mukendi, permitindo a Samu Silva assumir um papel mais ofensivo. Acabou por fazer a assistência para o golo decisivo de Alioune Ndoye, ao minuto 83’.
Charles: O guarda-redes brasileiro protagonizou o momento da noite ao defender a grande penalidade de Rodrigo Zalazar já no tempo de descontos. Já depois de uma exibição de grande nível frente ao Sporting, Charles voltou a ser importante para a conquista da Taça da Liga.

