Erdal Rakip providenciou todos os detalhes da sua passagem pelo Benfica, apontando para «jogo sujo» por parte do clube.
Numa entrevista reveladora para o podcast Lundh, Erdal Rakip refletiu sobre a sua tranferência para o Benfica em 2017 e a forma como foi tratado pelo clube durante a curta passagem pelas águias. O internacional pela Macedónia destacou que «a forma como tratam os jogadores que não querem é muito dura».
Erdal Rakip começou por relembrar a sua chegada ao Benfica:
«Quando cheguei ao Benfica percebi logo que as coisas não eram como eu tinha imaginado. Fui contratado como jogador livre após terminar época no Malmö, mas senti que não havia um plano desportivo para mim. Mal tive tempo de conhecer as instalações e já se falava em emprestar-me. O Benfica decidiu que eu devia ir para o Crystal Palace para ganhar experiência. Eu aceitei porque queria jogar, mas a verdade é que o Benfica apenas me enviou para lá porque queriam ‘colocar-me’ em algum lado. Quando o empréstimo em Inglaterra terminou e eu não joguei, o meu regresso ao Benfica foi um pesadelo»
De seguida, descreveu a forma como foi tratado pelo clube quando regressou do empréstimo:
«Quando voltei de Londres, fui completamente colocado de parte. O clube simplesmente ‘congelou-me’. Eu não treinava com a equipa principal, mandavam-me treinar sozinho ou com jogadores que eles também queriam despachar. Foi uma situação muito difícil. Tu sentes-te um prisioneiro, estás num grande clube, numa cidade fantástica, mas não te deixam ser aquilo que queres: um jogador de futebol. Foi trágico. Eu e mais uns cinco ou seis jogadores fomos colocados à parte. Não podíamos treinar com a equipa principal, nem com a equipa B. Treinávamos em horários diferentes, às vezes sozinhos ou com um treinador que nem sequer era do clube. Não podíamos usar o balneário principal nem comer no refeitório ao mesmo tempo que os outros. Queriam que nos sentíssemos mal para forçar uma saída. (…) Tentavam quebrar-te psicologicamente. Diziam: ‘Tens esta oferta deste clube, tens de aceitar’. Se eu dizia que não era um bom passo para a minha carreira, a resposta era: ‘Então vais continuar a treinar à parte’. É uma forma de jogo sujo. No Benfica, se não estás nos planos, passas de estrela a ninguém num segundo»
Por fim, o médio referiu que também foi afetado financeiramente:
«Eles queriam que eu abrisse mão do dinheiro para me deixarem sair. É um lado muito frio do futebol profissional que as pessoas não vêem. Nunca tive uma oportunidade real de mostrar o que valia nos treinos com o grupo. O treinador [Rui Vitória] nem sequer falava connosco. Estávamos ali apenas para cumprir o contrato até que alguém cedesse. É um clube enorme, com uma estrutura fantástica, mas a forma como tratam os jogadores que não querem é muito dura. (…) Para finalmente conseguir sair daquela situação no Benfica, tive de abdicar de uma parte considerável do que tinha a receber por contrato. Foi o preço a pagar pela minha liberdade e para poder voltar a jogar e ser feliz no Malmö. Foi uma lição cara, mas necessária. Se me arrependo? É difícil dizer. O Benfica é um dos maiores clubes do mundo, era um sonho. Mas vendo como as coisas correram e a forma como fui tratado, claro que gostaria que tivesse sido diferente. Aprendi muito sobre o lado obscuro do futebol»

