José Mourinho esteve presente na conferência de imprensa de rescaldo à vitória sobre o Real Madrid, que deu acesso aos playoffs da Champions League.
O Benfica bateu o Real Madrid por 4-2, esta quarta-feira, na jornada final da Champions League. Na conferência de imprensa de rescaldo da partida, Jose Mourinho reagiu à vitória, começando pelos sentimentos após o golo que garantiu o apuramento:
«Já ganhei e perdi jogos e eliminatórias no último minuto, mas nunca com o guarda-redes a fazer um golo que os melhores atacantes gostavam de fazer. Pensava eu que já tinha passado por tudo. O momento em que faço a substituição do António e Ivanovic é para fechar a porta. Mas depois deve ter havido um golo em qualquer lado e já não chega. O próprio Trubin também não percebeu bem o que estava a acontecer. Quando há falta lateral, temos que ir com tudo. Ou matamos ou morremos de pé. O grandão faz um golo fantástico e para o Benfica é uma noite fantástica. Já sei da sorte incrível que nos calhou o Real Madrid ou o Inter, mas estou super feliz pelos jogadores. Fizeram um jogo extraordinário. Não quero acreditar que amanhã não vai haver respeito para com eles. Se não houver é porque as coisas passaram uma barreira indescritível».
De seguida, referiu que pediu desculpa a Arbeloa pelos estejas:
«Pedi desculpa pela forma como festejei. Ele é um homem do futebol e sabe que naquele momento nos esquecemos de tudo».
Jose Mourinho falou também sobre a evolução da equipa e pediu respeito:
«A equipa é a mesma. Desde que comecei a trabalhar com eles, a equipa é a mesma, é unida, é gente que quer trabalhar, que sofre com resultados negativos, que não desiste, é gente que vai até ao fim. Recordo que à quinta jornada tínhamos 0 pontos e faltava-nos jogar com Nápoles, Real e Juventus e eles foram até ao fim. Fizeram o que pedi: ou matamos ou morremos. Se hoje tivesse perdido, morria de pé. Ganhámos a possibilidade de mais uma noite importante na Luz, contra um gigante europeu. Economicamente não tem impacto, mas prestígio sim. Gostaria que os jogadores tivessem ganho um bocadinho de respeito, só um bocadinho».
Relativamente ao nível dos adversários, o técnico referiu:
«Vi um grande Benfica. Entendo que vocês de Madrid analisem o Real, mas o meu foco é no Benfica e nos meus. Fizemos um jogo incrível. Eu disse aos jogadores que estes jogadores matam e o Mbappé matou-nos. Jogámos muito bem contra Leverkusen e perdemos. Jogámos bem com o Nápoles e ganhamos. Hoje foi o melhor jogo».
Sobre o desempenho de Andreas Schjelderup:
«Eu não sou importante. Há coisas que por muito que tentes, há coisas que não se apagam. A minha carreira não tem solução. Por muito que queiram apagá-la, não se apaga. Falo do Benfica. Não são os melhores jogadores do mundo, mas também não são os piores. Schjelderup? Fala-se, fala-se, mas nos últimos 4 jogos jogou todos. Eu acredito que este Schjelderup é melhor do que aquele que encontrei. Faz coisas que não fazia. Não podem jogar todos. Há jogadores que têm um limite, mas este é um miúdo que tem um caminho a percorrer. Uma coisa é estar à venda outra é ter propostas. Se o objetivo dele é ir ao Mundial é com estes jogos que vai ao Mundial. Não é ir para uma liga mais fraca. Mas estou muito contente com todos».
José Mourinho falou também sobre os adversários dos playoffs:
«Real e Inter são dos candidatos mais importantes a ganharem a competição. Nós não somos, mas competimos. Perdemos com o Chelsea, mas competimos. Perdemos com a Juventus, mas competimos. Ganhámos ao Real a fazer um grande jogo. Em dois jogos é mais difícil, mas futebol é futebol. Estamos a construir uma equipa. Individualmente não temos possibilidades, mas estamos a construir uma equipa. Veremos. Continuar a fazer o que estamos a fazer, ganhar jogos. No campeonato, se os que estão à frente não perdem, não podemos fazer nada. Na próxima eliminatória há Rafa e Lopes Cabral. São mais duas opções. Quando estava para ir ao Bernabéu pela primeira vez, ligou-me o Benfica. Agora posso ir como adversário».
Em resposta ao Bola na Rede, refletiu sobre a abordagem tática na pressão da saída de bola:
«Não temos referência. Defendemos zonal. Quando salta Sudakov a pressionar, os alas têm que fechar dentro. Quando a bola circula por um lado, o ala do lado contrário tem fechar o espaço interior. É assim que estamos a trabalhar»
Por fim, falou sobre a importância do triunfo:
«Estou a pensar mais nos jogadores. Obviamente que ganhar ao Real e estar nas eliminatórias é um prestígio, mas estou numa fase em que penso menos em mim e mais nos jogadores e clube. Não estou à procura de fazer algo que nunca fiz. Só desfrutar. Esta gente jogar uma eliminatória contra Inter ou Real, alguns já o fizeram, mas é uma oportunidade fantástica».

