Por que se ouvem assobios no Santiago Bernabéu? | Real Madrid

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A Champions League é a Champions League e o Real Madrid é o Real Madrid. A história dos merengues na prova milionária é uma das mais incontestáveis no futebol europeu e, todos sabem que há uma equipa nos jogos domésticos e outra nos europeus.

Por isto, o ambiente que esperará o Benfica no Santiago Bernabéu esta quarta-feira, num jogo a contar para a segunda mão dos playoffs da Champions League, será bem diferente daquele que, nas últimas semanas, tem levantado apreensão por Madrid.

Xabi Alonso foi despedido ainda nos primeiros jogos de janeiro depois de cair perante o  Barcelona na Supertaça. A demissão do timoneiro merengue e um nome muito querido entre os adeptos, pelo passado como jogador da casa, foi o rastilho que acendeu um fogo que já se fazia prever.

Álvaro Arbeloa, o seu sucessor, também é um nome da casa, mas menos mediático e com provas menos fortes no futebol, onde ainda procurava crescer na formação blanca. Ora, se a 11 de janeiro Xabi Alonso fez o seu último jogo pelo Real Madrid, no dia 14, Álvaro Arbeloa fez o seu primeiro pelos merengues. A surpreendente derrota diante do Albacete, do segundo escalão, e a eliminação da Taça do Rei levantaram o véu sobre um fantasma adormecido.

Um cenário de cortar à faca

Real Madrid Jogadores Vinícius Júnior
Fonte: Real Madrid CF

A última época, ainda com Carlo Ancelotti no clube, não foi famosa para os adeptos do Real Madrid, que ficaram sem Champions League no playoff e viram o Barcelona ser dominante no plano interno. Esta temporada, apesar das dificuldades, nem aparentava um nível tão mau: o Real Madrid estava bem vivo na luta pelo top-8 da Champions League e disputava a liderança com o Barcelona com poucos pontos de diferença.

Ainda assim, o clima de crispação sentiu-se assim que os homens de Álvaro Arbeloa pisaram o relvado pela primeira vez ao leme do novo timoneiro do navio merengue.

Dia 17 de janeiro, os jogadores do Real Madrid foram assobiados ao entrar no aquecimento. Vinícius Júnior e Kylian Mbappé, nomes principais da formação merengue, foram alguns dos principais visados da ira dos adeptos. Também Florentino Pérez, presidente do clube espanhol foi visado.

Apesar do ambiente hostil para a própria equipa da casa, o Real Madrid venceu o Levante por 2-0 e a este jogo seguiram-se vitórias importantes contra o AS Mónaco, cuja goleada praticamente – e o praticamente é importante – selava o apuramento no top-8 da Champions League, e contra o Villarreal, uma equipa em destaque nesta edição da La Liga.

O ambiente não passou a ser de paz, mas passou a ser tolerante. Até que, em Lisboa, o Benfica fez o que poucos adeptos merengues esperavam, bateu o emblema espanhol num cenário absolutamente epopeico com o golo de Anatoliy Trubin e o cenário provável de seguir já para os oitavos de final da Champions League desapareceu. No jogo seguinte, o ambiente no Bernabéu voltou a complicar-se e, desta vez, a exibição não ajudou.

O Real Madrid viria a vencer o Rayo Vallecano por 2-1, mas antes do jogo voltou a ver-se o eco do desconforto com os assobios a multiplicar-se. A exibição pobre e o golo marcado apenas nos descontos voltaram a trazer à tona problemas.

«Creio que foi uma vitória na qual os jogadores puseram a alma. Precisámos da ajuda do público e, sem esse impulso, seguramente não teria acontecido. Fizemos por ter marcado antes. Sei que não era um jogo fácil e eles conseguiram-no perante um adversário complicado. Assobios? Respeito muito o público do Bernabéu e vou pedir-lhes sempre o seu apoio», refletiu Álvaro Arbeloa depois do jogo, apelando a uma união que se voltou a fazer sentir, mas de forma muito ténue.

A manta com que o Real Madrid vai tapando os seus problemas é muito fininha e feita a uma medida muito curta, esperando apenas uma dificuldade para se voltar a esfumar. Diante do Benfica, não há dúvida de que o momento entre Vinícius Júnior e Gianluca Prestianni foi capaz de unir.

A justificação para os assobios

Adrián Fouz Jornalista
Fonte: Carlos Silva / Bola na Rede

Mas afinal, qual o motivo para os assobios em Madrid? O Bola na Rede falou com o jornalista espanhol Adrián Fouz, do Mediaset España para tentar perceber a real amplitude do fenómeno e, mais importante que tudo, quais as suas motivações.

«Há muitos anos que não havia uma assobiadela tão unânime. Estava todo o estádio contra os jogadores e o presidente. Já há muito tempo que não se via algo assim. Os adeptos do Real são muito exigentes no geral e, quando vê algo de que não gosta, protesta e avisa como um alerta para que os jogadores não se despistem. Aqui o importante é o clube, o emblema e isso é mais importante que qualquer jogador. Nem o Vinícius, nem o Bellingham, nem o Mbappé, que é muito respeitado, são mais importantes. Todas as superestrelas ouvem que o emblema está acima de tudo», sinalizou o jornalista.

Quanto aos porquês, o momento do Real Madrid é a justificação mais natural. A saída de Xabi Alonso, com quem muitos adeptos estavam emocionalmente envolvidos, tornou a situação mais complicada. Aliado ao sub-rendimento de alguns dos principais jogadores do plantel, criou-se a combinação perfeita para explodir.

«Há muitos anos que não havia uma assobiadela tão unânime. Estava todo o estádio contra os jogadores e o presidente».

Adrián Fouz, jornalista espanhol

«O início do primeiro jogo do Arbeloa na La Liga no Bernabéu foi um jogo com um ambiente muito crítico dos adeptos aos jogadores. Muitos insultos e assobios aos jogadores e ao presidente. No geral, um sentimento de irritação muito grande. Creio que os adeptos do Real Madrid não viam o Xabi Alonso como culpado. Consideravam que o presidente não devia ter despedido o treinador do Real Madrid. Também sinto que, a partir desse jogo, tudo mudou e os jogadores deram conta de que os adeptos estavam a apontar para eles e que teriam de mudar a sua atitude em campo para ganhar o respeito dos adeptos. Viam-nos como culpados e, desde então, melhoraram muito até ao último fim-de-semana, em que perderam em Pamplona com o Osasuna. Voltou a levantar dúvidas sobre o projeto do Arbeloa em Madrid», explicou o jornalista espanhol.

Uma situação que, ainda assim, não deverá servir de grande consolo para o Benfica. Há um Real Madrid na Champions League que é muito diferente daquele que vai fazendo figura na La Liga e, nas bancadas, a situação é semelhante.

«Um ambiente duro. Para começar, o Santiago Bernabéu é muito diferente na Champions e na La Liga. O Real Madrid na Champions League não precisa de explicação sobre a união com esta competição. Acima disso, o que vimos com o Benfica e o sucedido no jogo da ida vai acentuá-lo. Não porque culpem todos os jogadores do Benfica, mas vão criar um ambiente muito pesado e com muita tensão para incomodar o Benfica e para que os jogadores não se desconcentrem. O 1-0 é um resultado perigoso e o Benfica pode entrar na eliminatória se o Real Madrid se despistar», alertou o jornalista.

O retrato fiel do descontentamento

Estádio do Real Madrid
Fonte: Real Madrid CF

Foi nas imediações do Santiago Bernabéu que entrámos em contacto com Angel Ravelo, motorista da Uber que tem no estádio do Real Madrid um dos pontos centrais nas suas rotas diárias e um dos lugares onde mais feliz se sente.

O preço dos bilhetes impede-o de estar tantas vezes na casa dos merengues como as que gostaria, mas nem isso o impede de olhar para o clube que ama desde pequeno. E, nas suas declarações, fica patente a visão de uma grande parcela dos adeptos do Real Madrid.

«Gostava muito do trabalho dele [Xabi Alonso]. Tenho um pouco de pena e não gostei que o tivessem despedido dessa maneira. Penso que faltou um pouco de carácter à equipa, porque a ele faltou-lhe tempo para conseguir lidar com tanto ego. Penso que o Xabi Alonso também não teve o carácter suficiente para dominar uma equipa com estes egos», lamentou o adepto merengue, que comparou o antigo treinador com o atual.

«Gosto muito mais do estilo de jogo do Xabi Alonso. Também gosto do Arbeloa, mas o estilo de jogo do Xabi Alonso encanta-me muito mais. É mais técnico», explicou Angel Ravelo.

«o treinador só põe a jogar os que considera estarem melhores. São os jogadores que jogam».

Angel Ravelo, adepto do Real Madrid

Quanto aos assobios, o motorista garantiu que não vê qualquer problema neles. Para o adepto merengue, são os jogadores os grandes direcionados.

«Os assobios foram mais direcionados aos jogadores. No final do dia, é deles o trabalho e o treinador só põe a jogar os que considera estarem melhores. São os jogadores que jogam», apontou Angel Ravelo, que apontou aquele que é, na sua visão, o grande problema do Real Madrid.

«Creio que falta ao Real Madrid um jogador, mais do que não estarem a dar. Falta ao Real Madrid um médio capaz de controlar o jogo, que marque o ritmo. O Real Madrid não tem ritmo. Cai o Mbappé por um lado, o Vinícius por um lado, o Valverde por um lado e faz falta alguém capaz de controlar o ritmo», concluiu o adepto.

Diogo Ribeiro
Diogo Ribeirohttp://www.bolanarede.pt
O Diogo tem formação em Ciências da Comunicação, Jornalismo e 4-4-2 losango. Acredita que nem tudo gira à volta do futebol, mas que o mundo fica muito mais bonito quando a bola começa a girar.

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