FRIBURGO NA BRISGÓVIA, ALEMANHA- O Braga não é a primeira equipa portuguesa que se vai deslocar à Alemanha para enfrentar o Friburgo. Contudo, os embates entre emblemas lusos e a formação do Europa Park Stadion são poucos, apenas três, contando já com a primeira-mão da meia final da Europa League.
Somente numa ocasião uma formação portuguesa enfrentou o Friburgo em solo germânico. A viagem no tempo não é tão curta assim, mas traz-nos memórias de um plantel que encantou Portugal: o Estoril Praia de 2013/14. A turma da Linha, que finalizou essa Primeira Liga na quarta posição, conseguiu chegar à fase de grupos da Europa League depois de ultrapassar os israelitas do Hapoel Ramat Gan e os austríacos do Pasching.
O objetivo mínimo, tendo em conta os adversários, estava completo. A turma de Marco Silva foi inserida no grupo H, com Slovan Liberec, Sevilha e Friburgo. O encontro que vamos recordar é remetente à terceira jornada e deu o primeiro ponto na prova ao Estoril Praia, que não foi mais além na prova, num grupo que não era propriamente simples.
A folha de jogo do Friburgo 1-1 Estoril Praia, do dia 24 de outubro de 2013, lança-nos uma sensação de nostalgia, com nomes que já não estavam tão frescos na memória, mas pelos quais os nossos olhos cruzaram tantas vezes durante a década passada. Começando pelos visitantes, é garantidamente um dos melhores onzes da história dos canarinhos:
- Vagner
- Mano
- Yohan Tavares
- Rúben Fernandes
- Babanco
- Gonçalo Santos
- Evandro
- Filipe Gonçalves
- Sebá
- João Pedro Galvão
- Luís Leal


Marco Silva tinha um bom onze para trabalhar, realçando-se o nome de Evandro, o médio ofensivo, que acabou por rumar ao FC Porto, mas também nomes experientes como Gonçalo Santos e Filipe Gonçalves. João Pedro Galvão realizava a sua única temporada completa pelo Estoril Praia, longe de imaginar que iria alcançar o sucesso que obteria na Serie A, acabando por transformar-se num internacional italiano.
Uma defesa com nomes profundamente conhecedores do futebol nacional. Mano cresceu no Belenenses, enquanto que Yohan Tavares foi um dos últimos grandes frutos do Beira-Mar. Já Rúben Fernandes vinha de ser o destaque no Portimonense e o Estoril Praia proporcionou-lhe a sua única aventura fora de Portugal. Babanco já tinha logrado o sucesso no Arouca e no Olhanense. Do meio campo para a frente, havia mais artistas, que chegariam mais longe em respetivas carreiras.
A equipa estorilista era uma referência no futebol nacional e Marco Silva um treinador que começava a ter mercado. De toda a ficha do encontro, é seguro afirmar que foi o técnico foi o elemento que atingiu um maior patamar, partindo para o Sporting na época seguinte (onde a convivência com Bruno de Carvalho não lhe permitiu ficar mais tempo por Alvalade) e consolidando-se nos anos seguintes na Inglaterra, depois de uma passagem no Olympiacos. Acabando por se transformar num símbolo do Fulham. Em 2025/26 ainda está pelo Craven Cottage, onde o acompanha um outro nome que esteve nesse Friburgo 1-1 Estoril Praia. Gonçalo Santos, então médio defensivo da turma da Amoreira, hoje em dia é o braço direito de Marco Silva, bebendo ensinamentos que o podem levar a ser uma referência dentro de uns anos (já se destacou no Casa Pia).


Já o Friburgo contava com Christian Streich no banco, posto que apenas abandonaria em 2024, com uma vida praticamente dedicada ao emblema germânico. Contudo, existem outros atletas que nos chamam a atenção. Christian Gunter, Matthias Ginter e Nicolas Hofler estarão presente na partida frente ao Braga, dentro das quatro linhas. Já Julian Schuster é o atual treinador principal, sucedendo precisamente a Christian Streich.
Ao seu lado no meio campo estava Francis Coquelin emprestado pelo Arsenal, onde chegou a ter relativo sucesso antes de partir para a La Liga, para representar Valência e Villarreal. Hoje em dia veste a camisola do Nantes. Quem também estava no lote de médios titulares foi Gelson Fernandes, que em 2012/13 esteve no Sporting, onde passou completamente ao lado, numa era em que o ambiente do lado verde e branco da Segunda Circular estava longe de ser o melhor. Foi precisamente no Friburgo onde conseguiu relançar a carreira. O suíço destacou-se em seguida no Rennes e no Frankfurt.
Um pouco mais à frente no terreno, um nome que todos os amantes de Football Manager conhecem: Vladimir Darida. O checo destacou-se no Viktoria Plzen, acabando por entrar pelas portas do Friburgo na Bundesliga, dando mais tarde o salto para o Hertha, onde esteve por sete épocas.


Na baliza, um então relativamente jovem Oliver Baumann (24 anos), que se formou na instituição e vivia os seus primeiros passos como indiscutível, ainda sem imaginar que se transformaria em internacional alemão e numa referência do Hoffenheim, baliza que ainda defende, mantendo-se como indiscutível.
O Friburgo tinha bons nomes, mas realizou uma época tímida, com um 14.º lugar na Bundesliga, caindo igualmente na fase de grupos da Europa League, permitindo que o Slovan Liberec conseguisse a proeza de passar à fase a eliminar.
O jogo não começou da melhor maneira para o Estoril Praia, com o golo de Vladimir Darida a alegrar o MAGE-Solar Stadium, logo aos 11’, com a bola a bater ainda em Yohan Tavares antes de entrar dentro da baliza, o que dificultou a tarefa de Vagner. Ao contrário dos dias de hoje, o Friburgo era uma equipa intensa, seguindo a tradição alemã da pressão alta e do sufoco ao adversário, ao qual os lusos não estavam tão habituados, passando mal em certas ocasiões. O guarda-redes brasileiro teve mesmo que se aplicar por várias ocasiões durante o primeiro tempo.


Marco Silva guiou o Estoril Praia a uma imagem diferente na segunda parte, com um dos primeiros contra-ataques a resultar num golo. Sebá e Luís Leal combinaram para o extremo empatar, logo aos 53’. A turma da Linha foi para cima, procurando dar a volta ao marcador. Se na primeira parte, foi Vagner a suar, desta vez Oliver Baumann teve que se esforçar para manter o Friburgo com o ponto na mão.
Ainda assim, os alemães voltaram a assumir o controlo do jogo mais perto do final. Francis Coquelin tentou o 2-1, aos 80’, mas Vagner não facilitou e provocou os aplausos das bancadas. Ainda que o Friburgo tenha tentado chegar à vitória, o marcador não voltou a mexer, o que obrigava as duas turmas a realizarem uma segunda parte de fase de grupos imaculada para seguirem em frente. Tal não aconteceu.
O Friburgo 1-1 Estoril Praia dificilmente ficará na história, é um encontro somente recordado pelos adeptos das duas equipas, não tão habituados assim a estarem presentes nas competições europeias. Todavia, se o Braga conseguir imitar o resultado obtido pelos orientados por Marco Silva tem a eliminatória na mão e o passaporte para a final de Istambul garantida.



