O Sporting bateu o PSG por 2-1 na Champions League. Rui Borges analisou a vitória leonina em conferência de imprensa.
O Sporting fez história e venceu o PSG – clube detentor da Champions League – por 2-1 na sétima jornada da fase de liga da prova. O Bola na Rede esteve no Estádio de Alvalade e teve a possibilidade de colocar uma questão a Rui Borges, treinador do Sporting.
Bola na Rede: Já falou na necessidade óbvia e natural de adequar a estratégia para o jogo. Como procurou o equilíbrio entre as saídas mais longas e mais curtas e, nas saídas mais curtas, e nas saídas mais curtas, qual a importância de superar os dois homens do PSG praticamente plantados na grande área?
Rui Borges: Foi algo que pedimos. A nossa primeira ligação tinha de ser sempre mais longa. Por longa não digo no espaço, no pé. O PSG deve ser a equipa mais forte na reação à perda e na transição defensiva. É muito intenso, com uma capacidade física acima do normal. Nós não iríamos ter muito espaço para pensar e não poderíamos dar muitos toques. Por isso há bocado disse que falei com o Luis [Suárez]. Disse ao Luis: “A equipa precisa de ti hoje, és muito importante na nossa estratégia”. E nós conseguimos ligar com o Luis na primeira parte, muitas, imensas vezes. E o Luis fez un trabalho espetacular a conseguir ligar. Faltou-nos o passo à frente. Perdemos bolas porque transportávamos e, fisicamente, o PSG é extraordinário. Individualmente é extraordinário nesse sentido. Tivemos essa dificuldade porque como eles são tão intensos na primeira pressão e na reação, a primeira ligação tinha de ser mais longa, sempre para segundas linhas para encontrar uma linha atrasada e aí entrar em fase de criação ou em fase de ataque rápido ou contra-ataque. Conseguimos muitas vezes na primeira parte ligar com o Luis. Conseguimos ligar longo, curto, mas depois faltou um bocadinho de capacidade porque também faltou um bocadinho de oxigénio. Estávamos ligados ao momento defensivo e, quando queremos decidir, parece às vezes que o oxigénio falha. Sentimos um bocadinho isso e faltou essa capacidade. Se tivéssemos um bocadinho mais essa capacidade, acredito que íamos conseguir expor o PSG a grandes problemas. Conseguimos muitas vezes ligar fundo e não conseguimos dar seguimento a isso. É importante e fez parte da estratégia porque é uma equipa muito pressionante. Ligar curto ia ser impossível e mais. Por ser uma equipa tão forte nessa pressão, tem muitos golos em transição porque ganha muitas bolas em pressão alta e perto da área adversária, então tem muitos golos nesse momento. Sabíamos que, para não nos expormos, tínhamos de ir buscar bolas longas, entrar curto, bater a primeira linha de pressão deles e conseguir instalar no meio-campo ofensivo. Não tivemos essa capacidade, mas por outro lado, perdíamos bolas mais longe e tínhamos tempo para reorganizar. Foi isso que aconteceu no jogo. A equipa esteve capaz de fazer isso, faltou capacidade de entrar no segundo momento na fase de ligação. Mas do outro lado está uma grande equipa.

