Sérgio e Francisco Conceição abrem o livro sobre a Seleção Nacional: «Uma fonte enorme de orgulho e alegria»

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Sérgio Conceição e Francisco Conceição concederam uma entrevista ao The Athletic na qual refletiram sobre a relação pai-filho no futebol.

Sérgio Conceição e Francisco Conceição realizaram uma entrevista a dois com o The Athletic, refletindo sobre a dinâmica familiar no futebol e o orgulho de representar a Seleção Nacional. Depois de o técnico recordar o filho como uma criança «sempre competitiva, sensível e próxima da família» e um «aluno de topo», o extremo da Juventus deixou grandes elogios ao pai:

«Jogador fantástico. Vencedor como treinador. As pessoas compararam-me ao meu pai desde cedo. Não me importei. Tudo o que senti foi um amor incondicional».

Sobre os tempos de jogador, Sérgio Conceição destacou os pontos positivos de criar os filhos em diferentes países:

«Estávamos juntos como família e isso deu-lhes algumas competências de vida interessantes. Os rapazes falam quatro ou cinco línguas, jogaram por vários clubes e experienciaram diferentes culturas».

Francisco Conceição concordou, lembrando as diferentes paragens e as aprendizagens que resultaram dessa fase:

«Primeiro em Milão e Roma, depois em Portugal. Na Bélgica, no Standard. Vivemos na Grécia. O pai jogou no PAOK e eu estive lá na formação. (…) Penso que aprendi muito mais do que se estivesse apenas num só lugar. Mais pontos positivos do que negativos para mim».

Apesar de quatro dos seus filhos, incluindo Francisco, jogarem como extremos direitos, tal como ele, Sérgio Conceição sublinha que são «todos diferentes»:

«O Francisco é esquerdino e tem um estilo diferente do meu; ele prospera em situações em que a defesa está desequilibrada. Tem caráter. (…) Eu era mais de cruzamentos; na altura, os extremos não jogavam com o pé mais fraco. Hoje em dia, os extremos fletem para dentro para tentar rematar».

Por outro lado, o jovem reconheceu as similaridade entre os talentos de ambos, mas destacou as suas próprias características:

«Adoro o um-contra-um, o drible, criar, desequilibrar o adversário. Sou irreverente».

Relativamente à Seleção Nacional, o treinador revelou que ver o filho representar Portugal é «uma fonte enorme de orgulho e alegria», relembrando a reação ao golo do filho no Euro 2024:

«Lembro-me do golo no Euro 2024. Eu estava lá e vi aquele golo no estádio, e foi incrivelmente comovente».

De seguida, Sérgio revelou que Francisco Conceição fala com a família antes de todos os jogos:

«Ele é muito próximo da família, liga-me sempre antes dos jogos, depois liga à mãe, aos avós, aos irmãos — a toda a gente. Diz-nos que está a caminho do balneário. (…) Ele sofre muito por mim e pelos irmãos. Devido às nossas profissões, nem sempre conseguimos vê-lo ao vivo, mas estamos sempre a apoiá-lo e felizes com o que ele está a fazer na Juventus e na seleção, sabendo que ele tem apenas 23 anos e pode ir muito mais longe. O Francisco tem um potencial enorme».

Francisco confirmou essa ligação à família, reforçando o apoio incondicional aos irmãos:

«Todos os meus irmãos jogam futebol. O mais novo, que tem 10 anos, quer ser jogador. Os meus irmãos fizeram um grande esforço e empenho. Festejo as vitórias deles como se fossem as minhas».

Contudo, Sérgio Conceição confessou que gostaria de estar mais presente:

«Gostava de ser um homem elástico para poder estar em todo o lado com os meus filhos. Falamos com todos eles várias vezes ao dia, acompanho tudo o mais de perto possível».

Voltando à Seleção Nacional, o técnico falou sobre as expectativas para Portugal no Mundial 2026:

«A expectativa para uma equipa com esta qualidade é ir o mais longe possível, chegar às fases a eliminar. Esse entusiasmo e essa pressão também não são fáceis de gerir. Mas a qualidade técnica da equipa é excecional; tem tudo para ir longe no torneio. No entanto, nestes torneios curtos, sabemos que a bola bater no poste e entrar, ou bater no poste e sair, faz toda a diferença. Embora existam equipas com uma história mais rica, com a qualidade que temos, podemos fazer um excelente Mundial».

Por sua vez, Francisco Conceição destacou o talento do plantel e a influência de jogadores como Bruno Fernandes e Cristiano Ronaldo

«Tantos jogadores de topo. O Bruno Fernandes é um jogador incrível, pelo que faz no United e na seleção. Pode ajudar-nos muito com a sua liderança e as suas características únicas e, esperemos, a vencer. Tenho uma relação positiva com o Cristiano, que é o primeiro a dar conselhos sobre o que fazer. Tendo em conta quem ele é, merece toda a atenção. Estou feliz por estar num balneário com ele, mas ele ensina-me coisas sobre a vida fora do futebol. A importância da família. A nutrição. Como viver a vida. Como recuperar o corpo. É preciso fazer muitos sacrifícios para se estar ao mais alto nível»

Sérgio Conceição relembrou ainda o Europeu de 2000, comparando as duas gerações:

«A melhor é a que vence. Esta já ganhou a Liga das Nações duas vezes e um Campeonato da Europa em 2016. Não são todos os mesmos jogadores, mas jogadores como o Ronaldo e o Pepe já ganharam títulos. Eu, o Figo, o Rui Costa, o Vítor Baía, o Paulo Sousa, o Fernando Couto e outros poderíamos ter ganho o Euro 2000. Estou convencido de que, se não tivéssemos sido eliminados pela França com um golo de ouro de penálti nas meias-finais do Euro 2000, teríamos ganho esse Europeu. Não tenho dúvidas. Muitos desses jogadores tinham sido campeões do mundo de sub-20. Fomos uma geração fantástica, mas não ganhámos. Os melhores são sempre os que vencem».

Para finalizar, Francisco Conceição mostrou-se confiante para o futuro de Portugal, elogiando a mentalidade transmitida pelo selecionador Roberto Martínez:

«Só posso falar do agora. Individualmente, estamos entre as melhores equipas do mundo. Todos os jogadores estão nas melhores equipas da Europa. O selecionador Roberto Martínez, que fala muito bem português, diz-nos que somos suficientemente bons para ganhar o Mundial, mas também sabemos que depende de muitos fatores e que precisamos de um pouco de sorte. Podemos ganhá-lo e não devemos ter medo de o dizer»

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