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«É importante não estar sempre a querer igualar o Futebol masculino e feminino porque os homens e as mulheres são diferentes» – Entrevista BnR com Matilde Fidalgo

Afonso Viana Santos · 5 min

Matilde Fidalgo RC Bétis

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Professor Neca entrevista À BnR

No evento Football Talks 2022, organizado pela Federação Portuguesa, de Futebol, o Bola na Rede teve a oportunidade estar à conversa com a futebolista Matilde Fidalgo. O principal tópico de conversa foi, claro está, o futuro do Futebol Feminino e a forma como a modalidade deve ser promovida.

Bola na RedeNesta primeira conferência do Football Talks, Aleksander Ceferin, presidente da UEFA, afirmou que o Campeonato Europeu de Futebol Feminino de 2022 superou todas as expectativas. Na tua opinião terá sido este o big bang do futebol feminino aos olhos do adepto europeu?

Matilde Fidalgo: Talvez, acho que não é tão linear quanto isso. Acho que já o Mundial tinha batido recordes excedido as expectativas e a verdade é que a Inglaterra tem feito um investimento muito grande. Isso nota-se pela evolução do campeonato e também pelo ambiente que se cria à volta do ambiente do futebol feminino. Há muito público e há muito interesse. A Nadine [Kessler] também falou no painel sobre isto ser quase a cereja no topo do bolo para Inglaterra e a verdade é que tudo se juntou para que as coisas corressem muito bem este ano. Mas eu esperava que fosse assim, não fiquei assim tão surpreendida quanto isso porque o Mundial já tinha superado as expectativas e já estava à espera que fosse uma coisa muito grande para aquilo que o público, que não acompanha há tanto tempo, esperava. Não sei se foi o big bang, mas tem de ser um marco a partir do qual só se pode subir e não regredir.

Bola na RedeTambém no Football Talks, Aleksander Ceferin e Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, afirmaram que qualquer investimento que seja feito no futebol feminino será um investimento de sucesso e que trará retorno. Quão animadora são estas notícias são para ti enquanto jogadora de futebol ouvir estas duas declarações destas importantes figuras do futebol europeu?

Matilde Fidalgo: É muito animadora porque são pessoas respeitadas e que trazem alguma confirmação para possíveis investidores que estavam a ponderar. Acho que tudo o que está num processo de crescimento, não só o futebol, precisa de investimento para que as coisas aconteçam. Sei que grande parte desse investimento vai dar frutos quando eu já não for jogadora, mas é muito animador saber que outras pessoas que estão agora a começar podem vir a ter algumas condições que eu não tive. Mas também enquanto sou jogadora, daqui a quatro ou cinco anos que se calhar ainda vou estar a jogar, poder colher algum fruto desse investimento e ver esse processo bonito de crescimento que o futebol feminino tem.

Bola na RedePara o big bang do futebol feminino em Portugal, achas que o sucesso do futebol feminino está diretamente ligado ao sucesso da seleção nacional de futebol feminino?

Matilde Fidalgo: Acho que são coisas que tendencialmente vão estar lado a lado porque a maior parte das jogadoras portuguesas estão no campeonato português, houve uma altura em que estavam muitas jogadoras fora, voltaram a sair umas quantas, mas há muitas jogadoras portuguesas no campeonato português e portanto, se o campeonato evoluir isso vai permitir que estas jogadoras estejam em contextos mais competitivos e mais preparadas para a Seleção. Mesmo a Seleção tendo bons resultados vai acabar por atrair jogadoras e, portanto, acaba por ser um ciclo e não é só a Seleção obrigatoriamente a puxar o campeonato.

Bola na RedeSobre a comparação do futebol masculino com o futebol feminino, sentes que o futebol feminino deve fazer o seu caminho de crescimento independente do futebol masculino ou achas que deve olhar para este e perceber formas de se continuar a desenvolver e a crescer?

Matilde Fidalgo: Eu acho que se pode tirar o exemplo como é óbvio. Foi um caminho que já foi traçado e que é muito mais fácil traçar podendo ir buscar os bons exemplos que o futebol masculino dá e também evitar os erros que o futebol masculino tem e que o futebol feminino também vai ter. Acho que é importante não estar sempre a querer torná-los iguais porque os homens e as mulheres são diferentes. A forma como o jogo é jogado e mesmo em termos de não termos a mesma velocidade, nem a mesma potência, ou seja, não são essas as características que procuramos mais no jogo. É um jogo mais pensado e mais apoiado porque as características das mulheres promovem esse tipo de jogo. Portanto, educar o público a gostar de futebol feminino e não o público ir a um jogo de futebol feminino e ver homens a jogar, porque são coisas diferentes.

Bola na RedeA Nadine há pouco também falava de uma possível Liga Europa feminina e também falou do sucesso da Champions League. Achas que este tipo de competição também seria benéfico para o futebol europeu feminino?

Matilde Fidalgo: Claro que sim porque a Champions permite a entrada de alguns clubes, mas não de todos. Da mesma forma de que para os homens há a vontade de ir à Champions e se não houver a Champions ainda há a Liga Europa, ou seja são sempre objetivos a atingir e acho que os clubes que não consigam inicialmente ir à Liga dos Campeões, ao ter outra liga europeia onde podem promover o futebol, ganhar dinheiro com isso e as jogadoras também estarem expostas a esse tipo de competitividade que ás vezes não vão encontrar nos seus campeonatos é muitíssimo importante e acaba por aumentar o palco para essas jogadoras e aumentar o lote de equipas que vão entrar em competições europeias de alto nível.

Bola na RedeMesmo para potenciais investidores em clubes que não tenham capacidade imediata para ir à Champions, mas pode haver uma atração em mandar primeiro para uma primeira Liga Europa que também já traz alguma exposição internacional e poderá também trazer um maior retorno para esses investidores, não concordas?

Matilde Fidalgo: Claro que sim, é dividir a caminhada em passos um bocado menores para não ter de dar sempre o passo gigante e para poder ir fazendo as coisas gradativamente.

Afonso Viana Santos

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