«O grande problema é as pessoas desistirem de sonhos quando veem dificuldades» – Entrevista a Madjer

- Advertisement -

entrevistas bola na rede

É a prova viva de que a idade é apenas um número. Do alto dos seus 41 anos, João Victor Saraiva – ou Madjer, como é conhecido – olha para as suas quase infinitas conquistas: mais de mil golos pela Seleção Nacional de Futebol de Praia, campeão mundial de seleções e cinco vezes melhor jogador do planeta. Mas não quer parar por aqui: Madjer levanta o véu quanto aos projetos do futuro enquanto olhou também para o passado em mais uma Entrevista BnR.

Bola na Rede [BnR]: A pergunta deve ser constante, mas de João passou a Madjer: como surgiu este nome?

Madjer [M]: O nome Madjer vem de uma história interessante, porque eu sou sportinguista e acabei por adotar uma alcunha de um jogador do Futebol Clube do Porto. E adotei-a numa altura em que o Madjer estava no auge na sua carreira, em 1987, quando marcou o célebre golo de calcanhar. Os meus amigos de infância começaram-me a chamar Madjer e foi assim que começou esta brincadeira.

BnR: E pegando nessa brincadeira de infância: como é que começou esta paixão pelo futebol de praia?

M: Eu costumo dizer que há males que vêm por bem. Eu comecei a minha formação no Estoril-Praia. Entretanto, aos 17 anos, tive um acidente de mota e fiquei dois anos parado. Depois disso, o regresso ao futebol foi bastante complicado. Até que nessa altura tive um convite do Carlos Xavier, que é meu ex-colega de Seleção e meu amigo há muitos anos, para experimentar o futebol de praia. Isto tudo em 1997 e eu confesso que a minha primeira resposta foi “não”, porque não sabia sequer que se jogava futebol na areia fofa. Eu estava habituado a jogar com os meus amigos no outro tipo de areia, na dura, molhada. De facto, não sabia que se jogava naquela areia, muito menos num nível já considerável. Aceitei o convite e participei no meu primeiro torneio em Carcavelos.

BnR: Olhando para esse ano de estreia, 1997, acha que o futebol de praia atual tem grandes diferenças comparando com a modalidade nessa altura?

M: Tem bastantes e a todos os níveis. A primeira delas é uma vitória de todas as pessoas que têm vindo, ao longo deste percurso, a enraizar o futebol de praia como uma modalidade profissional e sem dúvida de que foi a entrada das federações e também da FIFA. Antes eram as entidades privadas que organizavam os campeonatos e sem dúvida de que isso foi já uma grande vitória de todos. Já daí existe uma grande diferença. Depois, a nível de jogo, mais na parte desportiva, houve uma evolução enorme. Nós passámos de um jogo que era basicamente tecnicista para um jogo muito mais físico porque os próprios jogadores preparam-se muito mais fisicamente para as adversidades das outras equipas.

BnR: Sendo que o futebol de praia tem já um estatuto de relevância, acha que está perto de ser, por exemplo, uma modalidade olímpica?

M: Nós já tivemos uma fase experimental nos Jogos Europeus de Verão em Baku [2015]. Portugal conquistou o terceiro lugar e o futebol de praia entrou como modalidade de exibição. As pessoas gostaram e até conseguimos trazer pessoas ao estádio. Foi mais um passo importante e o próximo passo é, sem dúvida, a UEFA abraçar o futebol de praia. Aí sim, teremos uma modalidade olímpica.

BnR: Sente que essa é realmente a medida que falta ou há outras que também poderiam elevar a modalidade?

M: Eu acho que essa é uma das principais medidas, porque a UEFA foi a única que ainda não “puxou” o futebol de praia para os seus quadros. Quando assim é, as coisas ficam mais complicadas. De qualquer das formas, as federações têm vindo a fazer um excelente trabalho, não só a nível das Seleções mas também no que diz respeito aos campeonatos nacionais. Depois, existe também uma lacuna, que é o facto de o futebol de praia feminino ser praticado por poucas mulheres. Aproveito e deixo já aqui o repto e o convite para as mulheres se juntarem ao futebol de praia. Por último, há dificuldades a nível da formação: é muito complicado colocar as crianças na areia fria durante o Inverno.

Guilherme Anastácio
Guilherme Anastáciohttp://www.bolanarede.pt
O Guilherme estuda jornalismo na Escola Superior de Comunicação Social e tem o sonho de ser um jornalista de eleição. O Sporting Clube de de Portugal é uma das maiores paixões que Guilherme tem, porém, é ao mote do lema da moda “Support your local team”que acompanha a equipa do Estoril-Praia. Sendo natural de Cascais, desde pequeno que apoia a equipa da linha e que é presença assídua no António Coimbra da Mota.                                                                                                                                                 O Guilherme escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Já há previsão para o retomar do França x Iraque do Mundial 2026 depois da interrupção pela trovoada

O França x Iraque está previsto para ser retomado às 00h. Antes disso, os jogadores das duas seleções terão um período de aquecimento.

Julián Álvarez pressiona saída do Atlético Madrid: «Quero cumprir o meu sonho»

Julián Álvarez assumiu a intenção de deixar o Atlético Madrid e garante que uma transferência é a melhor solução para todas as partes.

França x Iraque do Mundial 2026 interrompido: eis o motivo e as novas informações

O França x Iraque foi interrompido. FIFA já havia alertado adeptos no estádio para esta possibilidade, devido a uma tempestade.

António Silva recorda erro no Euro 2024 e atira: «Não gosto de me vitimizar, mas acho que há uma perseguição»

António Silva sente que é alvo de uma perseguição. O internacional português recordou um erro no Euro 2024 por Portugal.

PUB

Mais Artigos Populares

António Silva sobre a renovação pelo Benfica: «Há sim proposta do clube, mas não sei qual vai ser o desfecho»

António Silva confirmou ter uma proposta de renovação do Benfica. O central português ainda não tomou qualquer decisão.

Surpresa: Fluminense oficializa regresso de Thiago Silva seis meses após ter saído para o FC Porto

Thiago Silva assinou contrato com o Fluminense. O jogador brasileiro regressa agora ao Brasil após ser campeão pelo FC Porto.

AM Bola na Rede #4 – A segunda jornada e o conto de fadas de Cabo Verde

O 'AM Bola na Rede' é o podcast que vai acompanhar o Mundial 2026. No segundo episódio, a análise dos jogos dos oito primeiros grupos.