«O guarda-redes português não é devidamente valorizado» – Entrevista BnR com Ricardo Ribeiro

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-A despromoção, o projeto Estoril Praia e o regresso a Moreira de Cónegos-

“Sinto que o guarda-redes português não é devidamente valorizado. O único profissional que possui essa vantagem é o atual guarda-redes da Seleção Nacional, Rui Patrício.”

(BnR): Iniciaste a época até à jornada 14. Os nefastos 5-0, diante do Setúbal, provocaram a tua exclusão do onze base ou outro motivo ditou tal facto?

(RR): Após esse jogo, o treinador tirou-me a titularidade. Claro que não fiquei feliz, mas são decisões que somos obrigados a aceitar. Quando eu digo que não existe proteção nem perdoam os erros que cometemos, de modo a aprendermos com eles é porque sinto que o guarda-redes português não é devidamente valorizado. O único profissional que possui essa vantagem é o atual guarda-redes da Seleção Nacional, Rui Patrício. Não sei se o resultado provocou a exclusão, nunca me explicaram o porquê e tenho muito respeito pelo treinador à data, Jorge Casquilha, pessoa que ainda mantenho contacto sem mágoa nenhuma. Na altura ele decidiu o que decidiu para me proteger também, pelo facto de ser contra o SL Benfica e correr o risco de nova goleada. Mas lá está, não concordo nada com isto porque jogamos duas vezes contra o FC Porto e, nas duas vezes, fui eleito melhor em campo. É um risco que corremos, mas sempre respeitei a decisão dele.

(BnR): O que achaste que faltou para assegurar a manutenção?

(RR): Desde o início da época que a estrutura surgiu debilitada, estruturou-se mal a época e a direção tem a culpa disso. Se as pessoas estiverem recordadas, nós iniciamos jogos com 16 jogadores apenas. Não tínhamos uma equipa bem alicerçada e quem acabou por pagar a fatura foram os jogadores e o treinador, mais o treinador pelo facto de ser mais fácil mandar um treinador embora do que nove ou dez jogadores.

(BnR): Durante a passagem pelo clube, quais são as pessoas que destacas com maior nostalgia?

(RR): O Castro, o capitão, uma pessoa fantástica a todos os níveis, ainda hoje é o dia em que falamos inúmeras vezes e é uma pessoa que guardo com muita saudade. O Sr. Carlos, massagista do clube, o Dinis, técnico de equipamentos na altura, o Filipe Gonçalves, o mister Daniel Ramos que na altura, ainda júnior, me lança diante do Lixa e do Merelinense e o Jorge Casquilha.

(BnR): Na época seguinte, 2013/2014, fazes as malas, rumas à capital e tens como destino o Estoril Praia. O projeto Europa League foi um fator determinante na decisão?

(RR): Honestamente, não foi esse fator que me conduziu à saída do Moreirense FC. Existiram variantes das quais não vale a pena ser feita a referência. Precisava de sair porque as pessoas não procederam do modo correto comigo e não cumpriram aquilo que prometeram na altura. Decidi ir para o Estoril, foi a melhor coisa que fiz até hoje porque não davam valor àquilo que eu fazia. Considero que merecia outro trato, pelo facto de ser da terra. As pessoas podiam ter lucrado comigo, mas o esforço nunca foi feito.

A ida para o Estoril pôs fim a uma ligação de 14 anos com o Moreirense
Fonte: Nélson Mota/ Bola na Rede

(BnR): Nessa época, regressas ao Moreirense FC num encontro para a Taça de Portugal, onde o Estoril acaba por vencer (0-2). Esperavas assobios e apupos ou o aplauso dos adeptos?

(RR): Eu sabia que ia ser bem-recebido porque nunca tratei mal o clube. Eu sempre disse que era do Moreirense, sou adepto do Moreirense, foi o clube que me formou, é o clube da minha terra, foram 14 anos a servi-lo, não foram dois ou três. Desde o início que tive a consciência de que seria bem-recebido, excetuando aquelas brincadeiras de amigos na bancada a mandar umas bocas, mas inofensivamente. Fui muito bem-recebido.

Romão Rodrigues
Romão Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
Em primeira mão, a informação que considera útil: cruza pensamentos, cabeceia análises sobre futebol e tenta marcar opiniões sobre o universo que o rege. Depois, o que considera acessório: Romão Rodrigues, estudante universitário e apaixonado pelas Letras.                                                                                                                                                 O Romão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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