O futuro das areias – Entrevista a Jordan Santos

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Numa altura em que o Futebol de Praia procura um lugar de destaque no desporto português, são vários os talentos emergentes que começam a notabilizar-se na prática desta modalidade, que deu a conhecer ao mundo jogadores de referência como Madjer, Hernâni, Alan ou Zé Miguel. A reforma e o envelhecimento destes atletas obrigou a FPF a uma remodelação sustentada nos últimos anos, que permitisse a integração de novos talentos capazes de fazer esquecer os grandes futebolistas portugueses dos anos 90 e de, ao mesmo tempo, manter Portugal no topo do ranking das melhores seleções de Futebol de Praia. Jordan Santos, 23 anos, é o mais recente caso de sucesso oriundo das camadas jovens portuguesas. O internacional português já é presença regular no 5 inicial do selecionador nacional, Mário Narciso, e foi recentemente eleito o melhor jogador do último Mundialito de Futebol de Praia. Em declarações exclusivas ao Bola na Rede, o atleta não escondeu a satisfação pelo feito conquistado.

Obviamente que me sinto feliz por ter conseguido o prémio de melhor jogador. Mas foi também muito importante a nível coletivo tudo ter corrido igualmente bem porque vencemos uma competição muito importante para Portugal, como é o Mundialito“, referiu o jovem jogador português, que demonstrou estar muito otimista em relação ao futuro da equipa das Quinas: “O balanço deste Mundialito foi muito positivo, uma vez que fizemos bons resultados e boas exibições e, por isso, o nosso grande objetivo agora é claramente o título de campeão do Mundo. Ainda para mais porque jogamos com o apoio do nosso público, o que vai ser uma grande vantagem para nós“.

Mas será que esta satisfação geral com a produtividade da Seleção Nacional nas últimas competições é sinónimo de qualidade inequívoca de Portugal e da certeza de a nossa seleção está ao nível das melhores equipas do Mundo, como são os casos de Brasil, Rússia ou Espanha? Para Jordan, a resposta é claramente afirmativa: “Estamos praticamente ao mesmo nível. As seleções de agora preparam-se todas da melhor forma e o equilíbrio é cada vez mais dominante. Mas nós queremos contrariar isso e ser sempre os melhores“.

Jordan foi eleito o melhor jogador do Mundialito de Futebol de Praia'2014 Fonte: desportoleiria.com/
Jordan foi eleito o melhor jogador do Mundialito de Futebol de Praia’2014
Fonte: desportoleiria.com

Para se ser grande, é preciso criar metas, trabalhar e encontrar figuras inspiradoras dentro do ramo. Jordan Santos não foge à regra. Tendo como grande referência no meio o antigo convidado do programa radiofónico do Bola na Rede, Madjer, o internacional português confessa que desde muito cedo se começou a apaixonar pela modalidade: “Desde muito pequeno que jogo na praia com os amigos. Sempre tive uma paixão por jogar na praia. Até que, quando fiz 17 anos, surgiu o convite da equipa do Sótão da Nazaré e comecei a aparecer no Campeonato Nacional. Depois, o caminho consequente até à seleção nacional foi um pequeno passo. Fui chamado para um estágio e acabei por lá ficar até hoje“. Apesar de ainda estar no início da sua carreira de jogador, Jordan já consegue definir bem os seus dois momentos mais marcantes ao serviço de Portugal: “Pela positiva, o que mais me marcou foi claramente a minha primeira internacionalização, em que marquei um golo. Pela negativa, foi a não qualificação para o Mundial’2013 no Tahiti“.

Sendo o Futebol de Praia uma reinvenção do Futebol de 11, são naturais as transições entre atletas de uma modalidade para a outra. Tal como Madjer, Éric Cantona ou Romário, também o jovem português já teve a sua experiência no futebol em relvado. Mas a paixão pela areia foi mais forte: “Sim, já esteve para acontecer. Estive para assinar pela União de Leiria, mas depois de refletir junto da minha família decidi optar pelo Futebol de Praia e por continuar a jogar na Seleção Nacional e no Campeonato Nacional“. Uma decisão complicada, mas da qual Jordan não se arrepende. Tanto pelas suas conquistas a nível individual e coletivo, como pelo crescimento da modalidade, que tem tido uma evolução muito positiva, segundo palavras do próprio: “A Federação Portuguesa de Futebol tem feito um bom trabalho no desenvolvimento do Campeonato Nacional. Acho que estamos no bom caminho“.

Tendo ainda um longo percurso a percorrer no Futebol de Praia, Jordan Santos confessa ao Bola na Rede que guarda algumas ambições para o seu futuro enquanto jogador: “Quero ser campeão do mundo e ser cada vez mais importante na equipa. E, quem sabe, ser eleito o melhor do mundo. Mas não vivo obcecado com isso“. Antes das despedidas, Jordan ainda foi a tempo de eleger o seu 5 de sonho de Futebol de Praia: desde logo, com o guarda-redes espanhol Dona na baliza, os seus compatriotas Madjer e Belchior, a lenda do futebol espanhol Amarelle e o craque brasileiro Bruno Xavier.

Mário Cagica Oliveira
Mário Cagica Oliveirahttp://www.bolanarede.pt
O Mário é o fundador e diretor-geral do Bola na Rede. É também comentador de Desporto na DAZN, SIC e Rádio Observador e professor universitário.

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