«O guarda-redes português não é devidamente valorizado» – Entrevista BnR com Ricardo Ribeiro

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-A longa espera, a afirmação e o início do reconhecimento nacional-

«Infelizmente, em Portugal, vemos muitos casos dessa ordem, onde o jogador da formação não é visto da mesma forma como um jogador que vem do estrangeiro.»

(BnR): Nesse jogo, tu não foste chamado à partida. Alguma mágoa ou tristeza?

(RR): Não, não deixou. Ainda não tínhamos garantido a subida de divisão e eu já me tinha estreado nesse ano contra o Vieira. Aí, até acabei por ser expulso, num lance onde o jogador ia isolado e eu tive de recorrer à falta. Acabámos por empatar, se não estou em erro. Eles não conseguiram o golo da vantagem precisamente pela minha expulsão. E não, não fiquei triste. Fiquei triste por não termos conquistado o título, mas o objetivo principal foi cumprido: a promoção à Segunda Liga.

(BnR): Esperava-se, na temporada seguinte, 2010/2011, a afirmação. Porém, os planos inverteram-se e, com a chegada do Roberto Tigrão, foste remetido para o banco de suplentes. Alguma vez te sentiste desiludido ou até incapaz para assumir o compromisso?

(RR): Não diria incapaz. Infelizmente, em Portugal, vemos muitos casos dessa ordem, onde o jogador da formação não é visto da mesma forma como um jogador que vem do estrangeiro. Com isto não quero pôr em causa a qualidade do Tigrão porque acompanhei a primeira passagem dele pelo clube e sempre o considerei uma referência, um guarda redes fantástico e uma excelente pessoa. Mas é claro que a minha vontade era a de jogar sempre e sentia-me capaz disso pelo facto de já ter demonstrado o meu valor anteriormente. Podia ter sido uma aposta com vista para o futuro de modo ao clube lucrar com uma possível transferência. Falta, no Moreirense FC, a aposta na formação. O valor do jogador estrangeiro, infelizmente, apresenta uma importância maior do que um jogador natural da terra ou das escolas do clube.

O guardião de 29 anos lamenta o facto de o jogador nacional ser preterido pelo jogador estrangeiro
Fonte: Nélson Mota/ Bola na Rede

(BnR): No ano seguinte, 2011/2012, finalmente, a afirmação. Dividiste a titularidade, mais jogo menos jogo com o Ricardo Andrade. Aí, ao contrário do que tinha acontecido anteriormente, jogaste o jogo da subida, frente ao Covilhã. Perante o cenário, estádio repleto e esverdeado, foi árdua a tarefa de concentrar a emoção e a atenção num só pensamento?

(RR): Antes do jogo, sim. Perante os familiares e amigos de Moreira a acenar da bancada, foi complicado gerir a ansiedade e o nervosismo inicial porque pretendia dar uma boa réplica, queríamos muito subir de divisão. Foi um orgulho enorme ver o estádio completamente cheio no apoio à equipa, foi fantástico! Um dos melhores momentos que guardo na minha memória, sem dúvida!

(BnR): Nessa época, jogas em Alvalade para a Taça da Liga. Para além do empate (1-1), defendes uma grande penalidade e associação a esse momento, por parte dos adeptos, é imperativa. Segredaste algo ao ouvido do Bojinov ou foi puro instinto?

(RR): (risos) Não, não. Naquele momento até houve aquela confusão entre ele e o Matias Fernandez e eu aproveitei isso porque, de certa forma, desconcentrou o Bojinov. Foi um momento de sorte, de puro instinto. Foi esse o momento que me catapultou para o reconhecimento, para jornais e entrevistas. A partir daí, toda a gente começou a conhecer um pouco do Ricardo Ribeiro.

(BnR): Finalmente, a tão almejada subida. Foi sempre, desde o início da temporada, o teu intuito dar o contributo ao clube ou pensaste em sair?

(RR): Não, eu queria e estava focado no Moreirense FC, queria afirmar-me como guarda-redes. Na altura, tinha quase a certeza de que poderia ser um dos titulares e que estava mais perto de o ser, o que fez com o que o esforço vindo de mim fosse maior. Felizmente, isso aconteceu.

Romão Rodrigues
Romão Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
Em primeira mão, a informação que considera útil: cruza pensamentos, cabeceia análises sobre futebol e tenta marcar opiniões sobre o universo que o rege. Depois, o que considera acessório: Romão Rodrigues, estudante universitário e apaixonado pelas Letras.                                                                                                                                                 O Romão escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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