O Guerreiro Otomano – Entrevista André Castro

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FC Porto

BnR: Estando a alinhar na Turquia, como vê o Besiktas JK, adversário do FC Porto na fase de grupos da Liga dos Campeões? Quais são os jogadores ou os aspetos do jogo aos quais o FC Porto deverá estar mais atento?

AC: O Besiktas é uma equipa muito boa, tem sido a melhor equipa nos últimos anos porque tem mantido uma base na equipa e isso não é muito normal aqui. Na Turquia as equipas mudam, de ano para ano, muitos dos seus jogadores e até de treinador e o Besiktas tem mantido o treinador e os melhores jogadores e isso nota-se, tendo uma equipa praticamente igual à do ano passado. Tem jogadores muito interessantes, muitos já conhecidos em Portugal, como o Quaresma e Pepe, mas tem outros como o Oguzhan Ozyakup, número 10, que é muito bom. O Talisca também fez uma boa época o ano passado, como muitos golos; têm o Babel do lado esquerdo do ataque e o defesa-esquerdo que passou pelo FC Barcelona, o Adriano. É uma equipa cheia de soluções e muito interessante. Vai ser um grupo complicado, porque acredito que o FC Porto, o Monaco e o Besiktas são três equipas boas, mas espero que o FC Porto, com este bom início de campeonato, possa passar.

BnR: Como pode descrever a passagem pelo clube do coração, o FC Porto? O que falhou para que não se tenha conseguido afirmar como um elemento indispensável para o plantel dos azuis e brancos?

AC: A minha passagem pelo FC Porto foi muito boa. Desde os infantis que joguei no FC Porto e, quando subi a sénior, fui o primeiro jogador da formação a subir em oito anos. Não joguei muito e acabei por sair para o SC Olhanense e depois para Espanha. Regressei e fiz muitos jogos com o Vítor Pereira e depois, quando o FC Porto vende muitos jogadores, como o Moutinho e o Fernando, pensei que seria o meu ano. Mas, com a chegada do Paulo Fonseca, vejo que ele traz outros jogadores e, numa conversa que tive com ele, perguntei se ele contava comigo e se seria aposta e a resposta foi que tinha trazido alguns jogadores e que não iria passar muito pelas contas dele. Aí decidimos que o melhor seria eu sair, até porque tinha uma proposta muito boa da Turquia, do Kasimpasa, e decidimos que o melhor seria eu vir. Mas eu sinto que a minha passagem foi muito boa. Creio que não me afirmei por vários aspetos; não foi por eu facilitar, sinto que fiz as coisas bem e as pessoas que estão lá no clube sabem isso e, na altura em que eu tive no FC Porto, sempre fui campeão. Nunca tive que nunca numa equipa em que desse para mudar os jogadores, não havia espaço. No primeiro ano o dono do lugar era o Raúl Meireles e outros jogadores, no segundo era o Fernando, o Moutinho e o Lucho e ainda tinha no banco o Defour, e eu consegui fazer mais minutos que alguns deles. Mas sempre existiu muita qualidade no meio campo. Creio que agora está mais fácil subir a sénior no FC Porto, porque não têm ganho e não conseguem contratar tanto; acredito que se tivesse saído agora da formação, que me tinha afirmado com mais facilidade. Mas penso que na minha altura não havia esse espaço, penso que havia mais qualidade no plantel e por isso não cheguei a ter as oportunidades que podia ter tido.

Castro ganhou 3 campeonatos ao serviço do FC Porto Fonte: FC Porto
Castro ganhou 3 campeonatos ao serviço do FC Porto
Fonte: FC Porto

BnR: Acha que agora há uma maior aposta dos clubes portugueses no jovem jogador português? Sente que se fosse nesta altura poderia ter mais oportunidades no FC Porto?

AC: Sim. Como já disse, se fosse agora, acredito que me iria afirmar no FC Porto porque acredito que teria mais oportunidades e mais espaço para me mostrar. O Herrera já está no plantel há tantos anos e ainda não ganhou um título; isso era impensável há uns anos. Não me considero inferior a muitos jogadores que agora estão lá e a outros que saíram do país e não se conseguiram afirmar. Sempre que saí, foi para jogar. Foi assim no Sporting Gijón e aqui também jogo sempre, só no FC Porto é que não consegui jogar.

BnR: Guarda alguma mágoa por não ter tido mais oportunidades?

AC: Sinto alguma mágoa, claro. Depois de um ano em que, com o Vítor Pereira, fui o décimo-segundo jogador, em que entrava sempre e onde as coisas me correram sempre bem, pensei que o ano seguinte seria o meu ano, até pelas saídas de alguns jogadores. Acabou por chegar um treinador que não contava comigo para titular e isso custou-me muito, até porque sentia que seria o ano da minha afirmação e não me deram essa oportunidade. Fui até um dos melhores na pré-época, fui sempre utilizado na Emirates Cup mas, na altura das decisões, já não contava… Ficou alguma mágoa.

BnR: Assumindo que tem acompanhado o FC Porto, como vê o momento atual do clube?

AC: Penso que o FC Porto está num momento espetacular, o Sérgio Conceição conseguiu trazer uma mentalidade que já não se via há algum tempo no clube e, sinceramente, acredito que o FC Porto pode fazer coisas muito boas e ser campeão.

BnR: Qual é que é o principal favorito a conquistar o título de campeão nacional?

AC: À partida, e como é o campeão, o Benfica pode ser mais favorito do que o FC Porto mas, pelo que vejo, não é a melhor equipa esta temporada. Para mim, não é. Penso que o FC Porto, e mesmo o Sporting, têm equipas superior à do Benfica.

Redação BnR
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