Publicidade

Talento português na capital do futebol búlgaro – Entrevista a Diogo Viana

Joel Amorim · 4 min

Talento português na capital do futebol búlgaro – Entrevista a Diogo Viana

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho Futebol Internacional

O PFC CSKA Sofia que, num passado não muito distante, deu a conhecer ao mundo do futebol o ex-bota de ouro europeu Hristo “Камата” Stoichkov, serve agora de casa a Diogo Viana, um dos mais talentosos extremos do futebol português da última década que, depois de ter passado por Sporting CP e FC Porto, encontrou na capital búlgara um histórico emblema do velho continente onde está determinado a deixar a sua marca.

Acarinhado pelos adeptos e tido em grande conta pelos meios de comunicação búlgaros, o número 7 do CSKA está até ao momento a realizar uma época de excelente nível e, antes do grande dérbi do próximo Sábado frente ao PFC Levski Sofia, contou ao Bola na Rede como tem sido esta sua nova aventura por terras búlgaras.

Bola na RedeApós duas temporadas de bom nível ao serviço do Gil Vicente FC, como surgiu a oportunidade de rumar à Bulgária?

Diogo Viana: Primeiramente, tenho de dizer que sair do Gil Vicente custou-me muito porque me sentia em casa e é um clube de que gosto muito. É claro que a descida de divisão foi crucial para sair do clube, porque se nos tivéssemos mantido na 1.ª Liga muito dificilmente saía de Barcelos.

BnR: Como foi a adaptação ao futebol búlgaro e a sua primeira temporada no PFC Litex Lovech?

DV: A adaptação foi muito boa porque tinha portugueses na equipa e, quando assim é, tudo fica mais fácil. A Bulgária é um país muito acessível e é fácil adaptarmo-nos.

Diogo Viana é uma das revelações da Liga da Bulgária Fonte: gong.bg
Diogo Viana é uma das revelações da Liga da Bulgária
Fonte: gong.bg

BnR: Aquela partida com o PFC Levski Sofia em Dezembro do ano passado marcou a época negativamente. O que aconteceu realmente?

DV: O nosso Presidente sentiu que os árbitros nos estavam a prejudicar e a beneficiar o adversário e decidiu tirar a equipa do campo.

BnR: Depois de toda a turbulência financeira e desportiva pela qual passou, com despromoções e fusões à mistura, o PFC CSKA Sofia está de volta ao convívio com os grandes. Como estão a ser estes primeiros meses ao serviço do histórico emblema do leste da Europa?

DV: Muito bem, estou muito feliz por jogar no melhor clube da Bulgária e num histórico europeu. Tudo a correr na perfeição, com golos e boa exibições.

BnR: A presença de vários jogadores portugueses no plantel da equipa tem certamente ajudado na adaptação a esta nova realidade. Como é o vosso dia-a-dia na maior cidade da Bulgária? A língua búlgara tem sido um grande obstáculo?

DV: Cidade muito boa para viver, mais barato do que em Portugal, temos vários sítios de lazer, restaurantes muitos bons… quase não sinto que estou fora do meu país. A língua búlgara é muito difícil de aprender, mas hoje em dia todo o mundo fala inglês, o que facilita bastante a todos os níveis.

BnR: Após o bom início de temporada com uma vitória no dérbi contra o PFC Slavia Sofia, encontro em que o Diogo esteve em grande destaque, a equipa sofreu um pequeno desaire na deslocação ao FC Vereya. Acha que essa derrota afectou a equipa e precipitou a saída do carismático Hristo Yanev quinze dias depois?

DV: Todas as grandes equipas perdem pontos, nesse jogo não estivemos ao nosso nível, mas já nos levantámos e estamos mais fortes do que nunca.

Diogo Viana tem brilhado com a camisola 7 do CSKA Fonte: 7dnifutbol.bg
Diogo Viana tem brilhado com a camisola 7 do PFC CSKA Sofia
Fonte: 7dnifutbol.bg

BnR: O Diogo tem sido considerado por muitos como um dos melhores jogadores da Parva Liga actualmente. Tem sentido esse reconhecimento por parte dos adeptos?

DV: Sim, os adeptos do CSKA são enormes e sou muito acarinhado por eles no estádio e na rua, fazem-me sentir bem e confiante para a época.

BnR: Está para muito breve o grande dérbi contra o PFC Levski Sofia, que continua invicto ao fim de nove jogos disputados. Vai ser um jogo especial para si, depois de tudo o que aconteceu na temporada passada?

DV: Um jogo especial, porque é um dos maiores dérbis da Europa em termos de adeptos, mas que temos de ganhar para dar uma alegria a estes adeptos que tanto merecem!

BnR: O Diogo é internacional jovem por Portugal em diversos escalões, passou pela formação do Sporting CP e do FC Porto e era tido pela crítica como um dos jovens mais promissores do futebol nacional mas, ainda assim, acabou por sair do país em busca de outro rumo para a sua carreira. Sente que não lhe foram dadas as devidas oportunidades em Portugal?

DV: Sinto que tenho mais qualidade e capacidade que alguns que estão em clubes grandes em Portugal, mas as oportunidades fazem parte da vida, com mais ou menos sorte, não me queixo e trabalho para alcançar ainda o melhor da minha carreira.

BnR: Tenciona voltar ao futebol português num futuro próximo?

DV: Neste momento, não penso muito nisso mas posso dizer que, se puder, irei continuar no estrangeiro, a todos os níveis é melhor do que Portugal, o único senão é estar longe da família. Mas tanto na Holanda como aqui na Bulgária tenho gostado muito.

BnR: As suas boas prestações com o PFC CSKA Sofia têm certamente despertado interesse além-fronteiras. Passa-lhe pela cabeça, neste momento, uma chamada à Selecção Nacional?

DV: Sou realista e sei que é muito difícil voltar a selecção, quem sabe com um salto na carreira ainda possa sonhar com a selecção, mas neste momento sei que é impossível.

BnR: Em jeito de conclusão, conte-nos como foi a mudança do Sporting CP para o FC Porto, a tão falada troca pelo Hélder Postiga e se é verdade que o Parma o tentou contratar antes de rumar a Barcelos?

DV: Foi uma troca difícil, porque passei sete anos da minha vida em Alcochete e o Sporting CP já era a minha casa, mas fui para o campeão nacional da altura. Tive a oportunidade de jogar na equipa principal e não me arrependo de nada. Em relação ao Parma, sim, é verdade, estive perto mas não se concretizou.

Foto de capa: Top Sport

Texto revisto por: Carlos Valente

Joel Amorim

Redação Bola na Rede · ver artigos