SE Palmeiras 1-0 Santos FC: Verdão de Abel Ferreira conquista a América do Sul

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A CRÓNICA: BRENO LOPES SALTOU DO BANCO PARA RESOLVER A FINAL

O mítico Estádio do Maracanã preparou-se a rigor para receber um dos jogos mais entusiasmantes do futebol mundial: a final da Libertadores da América do Sul. Debaixo de um calor intenso, o “clássico da saudade”, que coloca frente a frente duas equipas cariocas, prometia elevar ainda mais a temperatura no Rio de Janeiro.

Sem o brilho e espetacularidade do pré-jogo de outros anos, muito por culpa da pandemia da Covid-19, a final ficou marcada pela ausência, já habitual, dos adeptos nas bancadas. Ainda assim, cerca de cinco mil pessoas, entre convidados e ex-futebolistas, tiveram a oportunidade de poder ver o jogo das grandes decisões. Abel procurava levar o SE Palmeiras à segunda Libertadores do clube, enquanto que o Santos FC tentava tornar-se no clube brasileiro com mais conquistas na competição.

Apesar do arranque, surpreendentemente controlador, por parte do Santos FC, o SE Palmeiras equilibrou a partida e as equipas não permitiram que se criassem lances de perigo. Este foi um típico jogo da América do Sul. Muita garra, intensidade, faltas, e sem muito espaço para brilhantismos. Mais do que jogar, as duas equipas preocuparam-se em não deixar jogar, tentando anular as maiores evidências, de parte a parte. A toada manteve-se durante todo o primeiro tempo e as equipas foram para o balneário sem terem efetuado um único remate enquadrado com a baliza. Apesar das várias investidas, o jogo esteve sempre muito preso com duas formações bastante encaixadas uma na outra. Maior destaque da primeira parte? Sem dúvida, a t-shirt personalizada de Cuca, treinador do Peixe.

A segunda metade pareceu um autêntico retrato da primeira. Faltas e cartões amarelos? Sim. Remates enquadrados? Nem por isso. O primeiro da partida foi ao minuto 76.

Pouca história tiveram os restantes minutos da partida. Excluindo o período de descontos, onde tudo aconteceu. Cuca foi expulso, num lance onde se envolveu com Marcos Rocha, perderam-se minutos e voaram cartões (amarelos e vermelhos). No seguimento, e quando se previa que o jogo se prolongasse por mais 30 minutos, o Palmeiras chegou à vantagem por Breno Lopes, aos 90+9, que respondeu de forma perfeita ao cruzamento de Rony. O Palmeiras, de Abel Ferreira, venceu e conquistou, a segunda Libertadores da história do clube. Que vitória. Parabéns, Abel!

 

 

 

A FIGURA

Breno Lopes – A figura do jogo saiu mesmo do banco, aos 85 minutos. O golo é, e será sempre, um dos aspetos mais importantes do futebol. Hoje não foi diferente. Entrou, marcou, e entregou o título ao Verdão, coroando uma belíssima campanha e selando a presença no Mundial de Clubes.

 

O FORA DE JOGO

Yeferson Soteldo – O venezuelano era, a par de Marinho, uma das maiores esperanças do Santos para a grande final. O jogador tinha sido um dos destaques da temporada e esta final não fez justiça ao valor deste pequeno, mas enorme, jogador. Provavelmente muito por culpa da forte marcação dos laterais contrários, os extremos não conseguiram criar perigo e Soteldo podia e devia ter feito melhor.

 

 

ANÁLISE TÁTICA – SE PALMEIRAS

Abel Ferreira procurou explorar uma defesa a quatro, contrariamente ao que fez na primeira mão das meias-finais, frente ao CA River Plate, quando apresentou um esquema com cinco defesas. Ainda que fosse algo confuso e maleável, podemos considerar que o Verdão se organizou em 4-2-3-1 ou 4-1-4-1, dependendo do posicionamento de Zé Rafael.

Ainda que a defesa seja sólida e consistente – muito importante nas meias-finais – o maior destaque na equipa do treinador português surge do meio-campo para a frente. Danilo funciona como um médio mais defensivo, tendo sido recorrentemente apoiado por Zé Rafael, que tinha movimentos defensivos, impedindo as investidas pelo centro do adversário. À frente destes, apareciam as coqueluches: Raphael Veiga, Rony e Gabriel Menino. O primeiro, mais centralizado procurava ajudar a referência ofensiva, Luiz Adriano. Rony, pela esquerda, e Gabriel Menino, pela direita, foram sempre os mais inconformados, principalmente Rony, muito rápido e dinâmico procurou sempre rasgos individuais de grande destaque.

 

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Weverton (6)

Marcos Rocha (6)

Gustavo Gómez (7)

Luan (6)

Matías Viña (7)

Danilo (7)

Gabriel Menino (6)

Zé Rafael (6)

Raphael Veiga (6)

Rony (8)

Luiz Adriano (6)

SUBS UTILIZADOS

Patrick de Paula (6)

Breno Lopes (9)

Alan Empeurer (-)

Filipe Melo (-)

 

 

ANÁLISE TÁTICA – SANTOS FC

O Peixe, orientado por Cuca, alinhou num 4-3-3. Na saída de bola os defesas-centrais, Lucas Veríssimo e Luan Peres, abriam muito para as laterais deixando espaço no meio para Alisson, que recuava para ajudar na construção. Os defesas-laterais tentavam aparecer mais subidos, onde encontraram a marcação cerrada dos extremos contrários. A inclusão de Sandry no meio-campo do Santos FC poderia indicar um esquema mais retraído, mas não aconteceu. A equipa surpreendeu e procurou ter a posse nos primeiros minutos da partida. De resto, ressalvar a procura dos extremos pelos momentos de 1×1, onde se poderiam mostrar e criar desequilíbrios. Cuca sentiu a necessidade de alterar o esquema e lançou Lucas Braga, mais rápido e perigoso, por troca com Sandry, jogador de posse e controlo.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

John Victor (6)

Lucas Veríssimo (7)

Luan Peres (6)

Felipe Jonatan (6)

Alisson (7)

Yeferson Soteldo (5)

Sandry (6)

Diego Pituca (7)

Marinho (6)

Kaio Jorge (6)

SUBS UTILIZADOS

Lucas Braga (6)

Madson (-)

Wellington (-)

 

 

 

 

 

 

Gabriel Henriques Reis
Gabriel Henriques Reishttp://www.bolanarede.pt
Criado no Interior e a estudar Ciências da Comunicação, em Lisboa, no ISCSP. Desde cedo que o futebol foi a sua maior paixão, desde as distritais à elite do desporto-rei. Depois de uma tentativa inglória de ter sucesso com os pés, dentro das quatro linhas, ambiciona agora seguir a vertente de jornalista desportivo.

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