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A Era de Neymar

Daniel Melo · 3 min

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O título que dá nome a este artigo tem poucas explicações por fazer. Penso que todos compreendem o que quer dizer. Sim, estamos em posição de poder afirmar: depois da Era de Cristiano e Messi, vem aí o tempo de Neymar. A não ser que algo de grave aconteça, como uma lesão (esperemos que não) ou uma quebra de forma absurda, Neymar vai reinar. Pode não ser dentro de um ou dois anos. Mas reinará. E será um reinado longo.

Não podemos propriamente dizer que o brasileiro “mordeu os calcanhares” na eleição para a Bola de Ouro 2015. Ficou em terceiro lugar, atrás dos inevitáveis. Porém, Neymar é o mais novo dos três e tem uma margem de progressão imensa. É humilde (pelo menos Q.B. e também quanto se saiba) e ainda tem o trunfo de poder a vir conquistar um Campeonato do Mundo; Ronaldo já só joga um Mundial, em princípio – e, vamos ser sinceros, Portugal não vai ganhar um Mundial –, e Messi também se não vencer a próxima Copa ficará muito perto de acabar a carreira sem sequer um título pela Argentina. Aliás, é algo que persegue os dois craques do século XXI, que, juntos, têm incríveis oito (!) Bolas de Ouro. Contudo, nenhum soma, sequer, um triunfo numa grande competição pela sua respetiva nação.

Neymar é sinónimo de magia Fonte: Pagina Oficial de Neymar
Neymar é sinónimo de magia
Fonte: Pagina Oficial de Neymar

Neymar venceu uma Copa das Confederações. Talvez um título menor, sim, mas é um título. Messi nem sequer conseguiu ganhar uma Copa América e Ronaldo vai agora jogar mais um Europeu. É verdade que a qualidade de um jogador não se mede pelos títulos coletivos. Mas sendo o futebol um desporto coletivo é muito mais importante ganhar pela equipa do que ganhar por si próprio. Isto é, na minha opinião, atualmente, dá-se mais importância a prémios individuais – Bola de Ouro, Bota de Ouro, etc. – do que a títulos de equipa ou seleção; quando deveria ser precisamente o contrário. Por isso é que jogadores como Eusébio, Zico, Di Stéfano, Platini, Cruijff, os húngaros dos anos 1950 e outros tantos jogadores de qualidade nunca terão (infelizmente) mais reconhecimento: porque nunca foram campeões do mundo de seleções!

Por isso, volto a afirmar. Neymar Júnior terá mais chances de vir a ser campeão mundial pelo Brasil e assim ter essa estrelinha; porquanto terá também mais oportunidades que o português e o argentino, que estão mais perto do fim de carreira. E o que tem isto que ver com futebol brasileiro? Não só pelo facto de o jogador ser do Brasil, mas também porque me lembro de muita gente com responsabilidade no futebol – não só os adeptos comuns, mas a esses pode-se permitir isso – troçar das capacidades do “menino da vila”, afirmando, estapafurdiamente, que o astro só conseguiria fazer habilidades, golos, assistências e tudo mais no Santos, porque o Campeonato Brasileiro “é fraco, sem expressão, sem cultura tática”. Enfim, um sem-número de bacoradas que se ouve todos os dias em qualquer esquina.

Pois bem. Neymar provou que veio para ficar. Provou que no Brasil também se aprende a jogar bom futebol. Provou, igualmente, que os brasileiros não aprendem “tudo” na Europa; os conhecimentos e o talento já existem. E, por último, provou também que os campeonatos europeus, sem a magia dos brasileiros e demais sul-americanos, seriam um tremendo zero.

Foto de Capa: Facebook Oficial de Neymar Jr.

Daniel Melo

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