- Advertisement -

A bola deixou de rodar. O Campeonato do Mundo disse adeus e como em todos os campeonatos a chamada Comunicação Social apelidou-o como o melhor de todos os tempos. Os Países da soberbia futebolística deixaram o Mundial antes da hora da merenda. Estavam com saudades e as famílias reclamavam férias algures onde se alugassem iates e o Sol se manifestasse apaixonadamente.

Mas, a terra dos Czares e do Estaline não mostrou Garrinchas, Maradonas, Eusébios, Bobys Moores, Benkanbaures, Mários Gol Kempes, Puyols e muitos outros que encheriam esta crónica sem poder escrever mais palavras. Messi exibiu-se dentro da vulgaridade que acostuma quando joga com a Argentina; Neymar rebolou-se pela relva como se rebolam os catraios a brincar ao ar livre na terra da Avó e Cristiano Ronaldo festejou antecipadamente contra Espanha; depois caiu estrepitosamente quando falhou o penalti que provocou o cruzamento com o temível e aguerrido Uruguai.

Brilharam os grandes; os segundos que assumem as equipas onde jogam e estendem a passerelle do glamour para que as estrelas do espetáculo se banhem com aplausos e flores. Brilhou Modric. Aquele corpo pequeno, seco com cabeleira alourada e ligeiramente boémia.

Brilhou o homem que configura no Real Madrid um meio-campo soberbo na companhia do Casimiro e Kroos. Brilharam alguns outros e revelou-se Mbappé. O adolescente que doa o dinheiro ganho em representação da seleção para obras sociais. Este jovem regou a raiz humanista das origens da Taça do Mundo; a raiz cravada na terra por Jules Rimet. Marcou terreno Pogba e voou como uma águia Courtois.

Fonte: FFF

E a França ganhou neste passado que ainda há pouco era presente. Estava no banco sentado e seguro um campeão Mundial; um daqueles segundos que são enormes; os que estendem a passerelle do glamour para as estrelas de pódio: Didier Deschamps. Tenaz, sábio e depois de passar pela Juventus conseguiu que o galo francês cantasse o dia e a noite inteira. Zidane, a estrela que calcorreou a passerelle do glamour, seguramente que estará um dia, dois dias, vários dias a pensar nas bolas recebidas entrelinhas; os cortes providenciais e as faltas táticas que salvaram aquela França campeã e que fizera esquecer a seleção de Fontaine e Kopa.

Perto de Didier Deschamps em 1998, encostado à linha direita, chegara um dos jovens da seleção francesa que era filho de asturiana. Alto, galopada de passo largo; dono de uma mudança de ritmo que partia os rins e encravava as pernas. Senhor de um remate de meia-distância com a rosca caprichosa que voava para o pau contrário e deixava o guarda-redes estatelado com estrondo, estava Robert Pires. A memória de Pires talvez tenha visto para Mbappé e sentado ou de pé seguramente que libertou a emoção da saudade risonha porque viu que não só a Taça, mas, sim um jovem artista cheio de humanidade passeou a sua criatividade e energia pelos relvados russos como quem está a brincar no jardim do Bairro. O Passado sempre se projeta sobre o presente-futuro. Por isso, este campeonato foi mais que nada memória; passado.

Foto de Capa: FIFA

José Luís Montero
José Luís Montero
Poeta de profissão, José simpatiza com o Oriental e com o Sangalhos.                                                                                                                                                 O José não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Rui Borges reflete sobre a sua carreira: «Tudo começou lá atrás quando tinha 26 anos e comecei a treinar a formação do Mirandela»

Rui Borges falou com os jornalistas durante esta terça-feira, num encontro válido pela oitava jornada da Champions League.

Rui Borges e a recuperação de Ousmane Diomandé: «A vontade dele jogar é tanta, independentemente da máscara»

Rui Borges falou com os jornalistas durante esta terça-feira, num encontro válido pela oitava jornada da Champions League.

Rui Borges responde ao Bola na Rede: «Preparámos o jogo olhando mais para o coletivo do que para o individual»

Rui Borges marcou presença esta terça-feira no San Mamés, de forma a realizar a antevisão ao encontro entre o Sporting e o Athletic.

Rui Borges e o apuramento direto: «Não jogaremos a pensar nisso, mas sim em ganhar e criar história»

Rui Borges falou com os jornalistas durante esta terça-feira, num encontro válido pela oitava jornada da Champions League.

PUB

Mais Artigos Populares

Rui Borges e o embate com o Athletic Bilbao: «Estamos focados e há vontade de fazer algo que ficará marcado»

Rui Borges falou com os jornalistas durante esta terça-feira, num encontro válido pela oitava jornada da Champions League.

Casa Pia cede Fahem Benaissa ao Mantova até ao final da temporada

O lateral-esquerdo francês Fahem Benaissa vai reforçar o Mantova por empréstimo do Casa Pia até ao final da temporada, num negócio que inclui uma opção de compra.

Rui Silva e a visita ao Athletic Bilbao: «Somos um grande clube e já estamos habituados a ambientes destes»

Rui Silva falou com os jornalistas durante esta terça-feira, num encontro válido pela oitava jornada da Champions League.