Argentina 1-0 Bélgica: o sono belga no controlo argentino

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O RESCALDO

28 anos depois de Maradona ser Maradona, quis o destino que Argentina e Bélgica voltassem a cruzar caminhos na Copa. Desta feita, não numa meia-final mas no acesso a esta. Do lado alviceleste, os sonhos argentinos liderados por Messi e Di María, que suportam a verdadeira anarquia táctica em que Alejandro Sabella envolveu esta equipa. Na Bélgica, um conjunto mais coeso, racional e seguro a servir o génio de Hazard. Na verdade, este era o primeiro grande teste para qualquer uma das equipas, que até agora apenas tinham defrontado selecções de menor nomeada. Para sorte desta Argentina desequilibrada defensivamente, este seria o primeiro duelo em que defrontavam uma equipa que não se preocuparia apenas com o momento defensivo do jogo. A Bélgica vinha em crescendo de forma desde o início da competição, situação proporcionada pela muito pouca experiência dos jogadores nestas andanças. Assim, não seria de todo errado pensar numa certa vantagem argentina, dada a maior maturidade da selecção das pampas. E ter Messi é suficiente para que nem seja preciso pensar em mais razões para esse favoritismo.

Com a já habitual insistência de Sabella nos jogadores em quem confia e não nos mais indicados para o jogo argentino, Demichelis (mais experiente) entrou para o lugar de Fernández, Basanta para o do castigado Rojo e… Biglia fez as vezes de Gago. Enzo Pérez, o melhor médio-centro desta selecção, que continue à espera enquanto este duplo-pivot desprovido de qualquer lógica continua a impedir o melhor futebol da equipa. Do lado belga, surpreendeu a inclusão de Mirallas no ataque, em detrimento de Mertens, um dos agitadores do ataque de Wilmots.

'La Pipita' Higuaín atirou a Argentina para a meia-final Fonte: Eurosport
‘La Pipita’ Higuaín atirou a Argentina para a meia-final
Fonte: Eurosport

Ainda o relógio não tinha batido nos dez minutos de jogo e já a Argentina se colocava em vantagem no marcador. Aproveitando a displicência defensiva que a Bélgica apresentou durante toda a primeira parte, Messi desembaraçou-se da preguiça de Fellaini e, após ressalto num passe de Di María, Higuaín disparou sem hipóteses para Courtois. Melhor início de jogo para o lado alviceleste era impossível e cabia à Bélgica a resposta. Resposta essa que não chegou. Sem capacidade de pressão no centro do terreno e com evidentes dificuldades na ligação defesa-ataque, a equipa do Velho Continente foi uma mera amostra daquilo de que é capaz. Serviu a saída por lesão de Di María para percebermos até onde pode ir a casmurrice de Sabella, que ainda vê em Enzo o extremo-direito do Estudiantes de 2011. A Argentina perdia um dos motores da sua manobra ofensiva mas ganhava mais músculo e capacidade de segurar a bola. O resultado ao intervalo materializava a ligeira superioridade sul-americana frente a uma Bélgica apática, para quem estesmata-mata” ainda são um corpo estranho.

Com a Argentina confortavelmente instalada sobre a vantagem no resultado, no segundo tempo esperava-se uma Bélgica diferente em tudo, algo que voltou a não acontecer. Apenas um cabeceamento de Fellaini para registo futuro numa Bélgica completamente desinspirada, que teve em Fellaini e Witsel uma dupla com mais cabelo do que intensidade e em Hazard um génio fora do jogo. Total apatia do conjunto europeu, que com quatro centrais de raiz de início e um duo de meio-campo tão vazio de ideias se entregou à experiência do adversário. Ficou a imagem de uma equipa que consegue mas não quis, quando nesta Copa já tivemos verdadeiros exemplos de quem tanto quis mas não conseguiu: Argélia, E.U.A ou Grécia são exemplos para a Bélgica levar em conta no futuro. A geração de ouro terá muito que crescer e, sobretudo, correr, porque da teoria à prática ainda vai muito no futebol. Para a Argentina, é o regresso a uma meia-final de um Mundial 24 anos depois. Mais forte colectivamente e no momento defensivo, o sonho é possível.

A Figura
Higuaín – A exibição argentina também esteve longe de encher o olho, mas Gonzalo Higuaín esteve em excelente plano. Marcou o único golo da partida, teve mais oportunidades para isso e deu dinâmica ao ataque argentino.

O Fora-de-Jogo
Bélgica – Deplorável a exibição belga nesta partida. A geração de ouro ainda tem pés de barro e pouco andamento para jogos de barba rija.

Francisco Vaz de Miranda
Francisco Vaz de Miranda
Apoia o Sport Lisboa e Benfica (nunca o Benfas ou derivados) e, dos últimos 125 jogos na Luz, deve ter estado em 150. Kelvin ou Ivanovic não são suficientes para beliscar o seu fervor benfiquista.                                                                                                                                                 O Francisco não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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