É uma pena deixarmos de ver Marrocos jogar

- Advertisement -

O momento de forma de Marrocos na chegada à Rússia comprovou-se nos relvados do campeonato do mundo, mas, infelizmente para a formação magrebina, não houve correspondência nos resultados. Voltou 20 anos depois a um mundial. Esteve no França’98. Despede-se com o sentimento de que ser talvez a melhor seleção africana não lhe valeu de muito em termos de resultados num grupo com dois pesos pesados. Faltou assertividade.

Se olharmos aos números, Marrocos teve um número assinalável de remates nas três partidas do grupo B, mas apenas uma percentagem reduzida foi enquadrada com a baliza. No estilo, foi fácil de reconhecer, e se pegarmos no caso do jogo com Portugal, a qualidade de jogo ofensiva da equipa do norte de África.

Fernando Santos não escondeu no final desse encontro alguma irritação pela seleção das quinas não conseguir ter bola. Aí entra o mérito marroquino. O pressing no último terço atacante foi imagem de marca e, com bola, a qualidade e intensidade com que agredia rumo aos espaços, sobretudo nos flancos, era um problema para qualquer defesa.

Nordi Amrabat, Ziyach e Harit foram provavelmente os jogadores que mais se destacaram neste modelo de Hervé Renard que se mostrou ao mundo com um espírito de luta abnegado. O problema foi a finalização e ser letal dentro da área. Renard recorreu a três pontas-de-lança: El Kaabi (titular na estreia com o Irão), Boutaib (titular nos outros dois encontros) e En-Nesyri (entrou na segunda parte contra a Espanha).

Nordi Amrabat foi um das figuras de destaque de Marrocos. Incansável nos 90 minutos. Irreverente, sim, mas muita qualidade!
Fonte: Fédération Royale Marocaine de Football

Os marroquinos só marcaram no último jogo, e logo dois golos, mas aí, contra ‘La Roja’, o jogo já foi diferente. Quem teve mais bola (como facilmente se previa) foi a Espanha e aí os ‘leões-do-atlas’ tiveram de lutar contra a própria identidade, daí os seis amarelos que registaram ao contrário dos jogos com Portugal e Irão onde apenas viram um amarelo em cada. Na despedida, também sobressaiu, aliado à eficácia, outro dado: o poderio nas bolas paradas ofensivas.

O elo mais fraco no que diz respeito a uma linguagem setorial terá sido a defesa e também um específico momento do jogo: a transição defensiva. Benatia não tem um colega no eixo defensivo do seu nível e isso nota-se. No primeiro jogo foi Saiss, no segundo foi Manuel da Costa. No terceiro, o central da Juventus foi poupado por Hervé Renard. Quer um quer o outro não convencem.

Por outro lado, como Marrocos gosta de jogar subido, foram visíveis as dificuldades em suster os adversários quando ativavam o contra-ataque. Os laterais projetavam-se muito e ia valendo um meio-campo sólido (El Ahmadi, Boussoufa e Belhanda) que foi assegurando equilíbrio, mas faltou articulação com o coração do ataque…

Agora só em setembro volta a competir. Dia 6, com o Malawi, para a qualificação da CAN 2019. Gostava de ver Renard continuar em Marrocos e sustentar ainda mais este projeto magrebino. No próximo mundial, voltariam e creio que voltarão a ser candidatos a surpreender. É uma pena deixar de ver esta seleção jogar. Os 90 minutos passam rápido!…

Foto de Capa: Fédération Royale Marocaine de Football

Artigo revisto por: Jorge Neves

Rúben Tavares
Rúben Tavareshttp://www.bolanarede.pt
O futebol foi a primeira paixão da infância, no seu estado mais selvagem e pueril. Paixão desnuda. Hoje não deixou de ser paixão, mas é mais madura, aliada a outras paixões de outras idades: a literatura, as ciências sociais, as ciências humanas.                                                                                                                                                 O Rúben escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

Subscreve!

Artigos Populares

Vitinha e Nuno Mendes escolhidos para o Onze do Ano da Champions League

Este domingo, a UEFA anunciou o Onze do Ano da edição 2025/26 da Champions League, contando com a presença de dois internacionais portugueses.

Liverpool recebe proposta de 20 milhões de euros por médio e aponta mais alto

O Inter Milão quer contratar Curtis Jones e ofereceu 20 milhões de euros. Liverpool pretende receber cerca de 30 milhões de euros pelo médio.

Manchester United e Juventus podem vir a lutar por internacional francês que vai ao Mundial 2026

O Manchester United e a Juventus olham com interesse para Jean-Philippe Mateta. Avançado está convocado pela França para o Mundial 2026.

Leça e Vitória Sernache garantem bilhete para a final do Apuramento de Campeão do Campeonato de Portugal

Já são conhecidas as equipas que marcarão presença na final do Apuramento de Campeão do Campeonato de Portugal, marcado para o dia 10 de junho.

PUB

Mais Artigos Populares

Nandinho abandona o comando técnico do Al Muharraq após conquistar a dobradinha

Por opção própia, Nandinho anunciou a saída do Al Muharraq, após 16 meses no comando do clube, durante os quais conquistou dois campeonatos e uma taça.

Silas Andersen já fala do Sporting: «É tentador pois é um grande clube»

Silas Andersen fez um belo golo na possível despedida ao Hacken. «Sporting é tentador pois é um grande clube», disse o médio de 21 anos.

Ibrahima Konaté entra no radar do Al Ittihad: Defesa-central está disponível a custo zero

Depois de uma temporada desapontante, o Al Ittihad de Sérgio Conceição juntou-se à lista de clubes interessados na contratação de Ibrahima Konaté.