Espanha 1-1 Alemanha: Flamenco ou Valsa?

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A CRÓNICA: ESPANHA E ALEMANHA EMPATAM A UMA BOLA E DEIXAM TUDO EM ABERTO

A Espanha partiu para a segunda jornada com a possibilidade de ficar muito perto da qualificação caso saísse vitoriosa do grande jogo da fase de grupos do Mundial, depois da brilhante vitória por sete bolas a zero perante uma débil Costa Rica. Do outro lado, a Alemanha necessitava de uma vitória para manter a esperança da qualificação viva. A derrota perante a seleção do Japão por 2-1 deixou os germânicos numa posição frágil, naquele que foi o primeiro jogo de Hansi Flick ao serviço da seleção num mundial.

O contexto potenciava um belo jogo de futebol, com uma seleção espanhola extremamente confiante e uma seleção germânica a querer dar resposta, após o desaire na primeira jornada.

Apesar de ser responsabilidade dos germânicos assumirem o jogo pois precisavam dos três pontos, a seleção espanhola acabou por entrar melhor em jogo, criando as primeiras oportunidades no jogo, parecendo estar mais próxima da vantagem no marcador. Entraram mais pressionantes e acima de tudo muito confiantes. A Alemanha assumia um posicionamento mais expectante, vivendo dos rasgos de criatividade de jogadores como Musiala e aproveitando os pequenos erros que os espanhóis iam cometendo. Tal como aconteceu à passagem do minuto 40, com Rudiger a introduzir a bola dentro da baliza. Golo que viria a ser anulado por fora de jogo do central do Real Madrid.

No início da segunda parte, assistimos a uma seleção germânica mais pressionante, provocando por diversos momentos erros na formação espanhola. Luís Enrique rapidamente mexeu na equipa com a entrada de Morata para a saída de Ferrán Torres.

Um tiro certeiro do técnico espanhol que poucos minutos após a substituição viu o avançado espanhol fazer o 1-0 no marcador, com uma grande finalização, precisamente no melhor momento da seleção germânica no encontro.

A Alemanha foi atrás do resultado e a faltarem pouco menos de 10 minutos para o fim do jogo, Fullkrug, que havia entrado para o lugar de Muller, restabeleceu a igualdade no marcador. A Espanha sentiu o golo alemão e até ao final os germânicos estiveram por cima do encontro. Porém o resultado não se alterou e o jogo ficou empatado a uma bola.

Na minha opinião, o melhor jogo do campeonato do mundo até agora. Um festival exibicional naquele que tem sido o flagelo qualitativo que este mundial tem apresentado no que a jogar futebol diz respeito.

 

A FIGURA

Sergio Busquets – O maestro da orquestra espanhola. Assumiu a batuta do jogo e percebeu (como de costume) todos os compassos do mesmo. É uma exibição brutal do médio do Barcelona. Soube quando atacar, quando defender, quando pausar ou quando lançar os seus companheiros. Na minha opinião, das exibições mais enriquecedoras deste mundial. Digno de ser visto por todos os amantes da modalidade.

 

O FORA DE JOGO

Ilkay Gundogan – O médio do Manchester City não esteve ao nível que costuma estar e a seleção germânica sofreu com isso durante toda a primeira parte, sem conseguir ligar o meio-campo e o ataque. Uma exibição cinzenta do alemão que ficou aquém das expectativas e do próprio jogo.

 

ANÁLISE TÁTICA – ESPANHA

Como se diz na gíria futebolística, em equipa que ganha não se mexe. Luís Henrique voltou a apostar no 4-3-3 que bateu a seleção costarriquenha na primeira jornada da competição.

A única alteração feita foi no setor defensivo. Carvajal rendeu Azpilicueta no lado direito da defesa. O selecionador espanhol voltou a apostar em Laporte e Rodri para ocuparem o corredor central da defesa, com Jordi Alba a ficar encarregue do corredor esquerdo.

No meio-campo, o trio blaugrana, com Busquets, Pedri e Gavi para o apoio aos três homens que pisam os terrenos mais adiantados com Dani Olmo a descair mais para a esquerda, Ferran Torres para a direita e Asensio a jogar como se de um falso número nove se tratasse. Um ataque bastante móvel, com trocas de posição constantes.

Os comandados de Luís Henrique entraram muito bem no jogo. A pressão estonteante de Pedri e Gavi juntamente com a mobilidade dos homens da frente criaram dificuldades aos germânicos, saindo, facilmente, na maior parte das vezes, da pressão exercida pelos alemães.

Na segunda parte e com a entrada de Álvaro Morata que rendeu Ferran Torres, Asensio deslocou-se para o corredor direito, com o avançado do Atlético de Madrid a situar-se no corredor central do ataque. Mais tarde e já em vantagem, o selecionar espanhol retirou Gavi e Asensio, colocando Koke e Nico Williams, mantendo o sistema tático, mas mudando as características dos intervenientes. Ainda antes do término, lançou Alejandro Balde para o lugar de Jordi Alba para dar mais energia ao corredor esquerdo.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

UNAI SIMON (6)

DANIEL CARVAJAL (6)

RODRI (5)

AYMERIC LAPORTE (5)

JORDI ALBA (6)

SERGIO BUSQUETS (8)

PABLO GAVI (7)

PEDRI (7)

FERRAN TORRES (5)

MARCO ASENSIO (6)

DANI OLMO (6)

SUPLENTES UTILIZADOS

ALVARO MORATA (7)

KOKE (5)

NICO WILLIAMS (4)

ALEJANDRO BALDÉ (3)

 

ANÁLISE TÁTICA – ALEMANHA

A seleção germânica apresentou-se, novamente no 4-3-3 repetindo o esquema tático da derrota com o Japão, mas com algumas alterações no onze.

Hansi Flick optou por Kehrer em detrimento de Schlotterbeck. Desta forma, Sule e Rudiger ocuparam a faixa central da defesa, com Raum responsável pelo corredor esquerdo e Kehrer pelo lado direito. Tendo assim um jogador mais fixo na ala direita e outro (Raum) mais ofensivo na ala esquerda.

No meio-campo, o selecionar germânico lançou Goretzka para o lado de Kimmich, fazendo um duplo pivot e subiu Ilkay Gundogan. Musiala e Gnabry mantiveram-se nas faixas com Muller na posição mais avançada do terreno.

Uma entrada expectante por parte dos germânicos que só começaram a mostrar-se a meio da primeira parte. Uma primeira parte jogada muito mais na expectativa sem conseguindo assumir as rédeas do encontro.

Na segunda parte, vimos uma seleção germânica mais subida e mais pressionante, dificultando a saída em posse já habitual da seleção espanhola, provocando diversos erros.

Após o golo sofrido, Flick mexeu na equipa. Retirou Gundogan, Muller e Kehrer para dar lugar a Sané, Fullkrug e Klostermann. Desta forma Musiala passou a jogar numa zona mais interior com Gnabry a abrir na faixa esquerda e Sané a colocar-se na faixa direita.

As alterações tiveram um grande impacto com os germânicos a conseguiram chegar à igualdade no marcador. Musiala no centro acabou por conseguir fazer o que Gundogan não havia conseguido na primeira parte.

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

MANUEL NEUER (6)

THILO KEHRER (5)

NIKLAS SULE (5)

ANTONIO RUDIGER (6)

DAVID RAUM (6)

LEON GORETZKA (6)

JOSHUA KIMMICH (6)

ILKAY GUNDOGAN (4)

SERGE GNABRY (5)

JAMAL MUSIALA (8)

THOMAS MULLER (5)

SUPLENTES UTILIZADOS

LEROY SANÉ (7)

NICLAS FULLKRUG (7)

LUKAS KLOSTERMANN (5)

JONAS HOFMANN (-)

NICO SCHLOTTERBECK (-)

Duarte Amaro
Duarte Amarohttp://www.bolanarede.pt
Duas são as paixões que definem o Duarte: A Comunicação e o Desporto. Desde muito novo aprendeu a amar o desporto, muito por culpa dos intervenientes que o compõem. Cresceu a apreciar a mestria de Guardiola, a valentia de Rossi e a habilidade de Hamilton, poder escrever sobre estes é algo com que sempre sonhou.

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