O novo formato do Campeonato do Mundo masculino de Futebol: prós e contras

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Depois do Campeonato do Mundo fora d´horas do Catar, que rompeu completamente com a tradição da maior competição de seleções do mundo, vai haver nova mudança na prova.

Foi no 73º congresso da FIFA, que decorreu em Kigali, no Ruanda, que ficou decidido que o Campeonato do Mundo de seleções iria ter um novo formato, consequência da inserção de mais 16 países na competição. Para perceber como vai funcionar, aqui fica uma breve explicação: o número de participantes passará dos 32 para os 48, o que vai fazer com que haja mais quatro grupos (eram oito, passarão a ser 12). Desses grupos classificar-se-ão para a próxima fase os dois primeiros, até aqui nada de novo, mas também os oito melhores terceiros, que completam assim uma lista de 32 apurados. Isto vai fazer com que a fase a eliminar comece nos 16avos de final e não nos oitavos, como até aqui aconteceu. Daqui para a frente será tudo igual, um jogo a eliminar onde o melhor seguirá em frente. 

Em termos práticos, e assumindo que cada convocatória engloba 26 jogadores, isto vai permitir a presença de mais 416 atletas do que até aqui se verificou e, em termos de calendário, vai significar uma competição com 104 jogos, mais 40 do que nas edições passadas. 

Este é um cenário que certamente agradará a uns, não tanto a outros, mas que tem as suas vantagens e desvantagens.

Começando pelo lado positivo, sendo um Campeonato do Mundo uma competição que engloba mais países, torna-se muito mais inclusiva, pelo que vai permitir a determinadas nações estarem num evento desta magnitude pela primeira vez na sua história. Para os países em questão, que merecem tanto respeito como os outros, mas onde as oportunidades são menores e a cultura futebolística não é tão acentuada, esta é uma excelente forma de lá chegar, algo que certamente servirá de impulso para o crescimento do desporto no país. 

Para além dos países em si, isto vai permitir a jogadores profissionais realizarem sonhos que eles até então não acreditavam ser possíveis. Há muita qualidade espalhada por esse mundo fora, mas que não tem a possibilidade de se mostrar em palcos maiores. Pois bem, esta é uma grande possibilidade para tal, havendo até, quem sabe, a abertura a novos mercados até então pouco explorados. 

Por fim, e na sequência do aumento do número de seleções, creio que a probabilidade de haver surpresas cresce bastante. Sabemos que nos 16avos de final serão, à partida, grandes tubarões a defrontar seleções menos capazes, mas em tantos jogos certamente que teremos uma ou duas surpresas, algo que acontece muito no futebol de seleções (recordo que a Macedónia do Norte eliminou a Itália no play-off de apuramento para o Campeonato do Mundo de 2022, por exemplo). Isto só poderá ser positivo para a competição, que assim se tornará menos previsível e onde o campeão terá de ser melhor em cinco partidas, e não apenas em quatro. No fundo, é privilegiar a fase a eliminar, onde os jogos são mais espetaculares e emocionantes, e criar mais momentos de tensão e expectativa para os adeptos. 

A tudo isto poderemos juntar a vertente financeira que será, certamente, ainda mais positiva para todas as entidades diretamente envolvidas.

Olhando para o lado menos bom, ele também existe como é natural. Desde logo, com a existência de mais equipas e com a tal oportunidade para a presença das menos fortes, haverá muitos jogos onde o interesse será reduzido. Jogos entre duas seleções que raramente (ou nunca) marcaram presença na competição terão um nível de interesse muito baixo, excluindo para os países em questão (com este novo formato, serão 16 seleções da Europa, nove de África, oito da Ásia, seis da América do Sul, seis da América do Norte, Central e Caribe, uma da Oceania e duas vindas de play-off). 

Com a possibilidade dos oito melhores terceiros também se apurarem, algo que também acontece, à sua medida, no Campeonato da Europa, reduz um pouco a competitividade nos primeiros três jogos da competição. Não havendo a urgência de ficar nos dois primeiros, porque mesmo com o terceiro é possível lá chegar, a fase de grupos será, ao contrário da fase a eliminar, mais aborrecida e menos espetacular. 

Olhando para o aspeto físico dos jogadores, e visto que a competição se vai realizar no final da temporada, a existência dos 16avos de final representa mais um jogo para os atletas que cheguem à final. É verdade que “é só mais um jogo”, mas 90 ou 120 minutos a mais no final duma época representarão mais um obstáculo para a integridade física dos atletas. 

De uma forma geral, acredito que esta mudança representa um bom princípio e que há que dar abertura para o aparecimento de novas dinâmicas. No fim, há que analisar e perceber se este modelo foi ou não um sucesso, e acima de tudo ter a coragem de voltar atrás no caso das alterações não representarem nada de positivo para o desporto rei. A ideia tem sempre de ser a de dar um bom espetáculo aos adeptos, garantindo ao mesmo tempo a segurança de todos os envolvidos, essencialmente dos atletas. 

Guilherme Vilabril Rodrigues
Guilherme Vilabril Rodrigueshttp://www.bolanarede.pt
O Guilherme estuda Jornalismo na Escola Superior de Comunicação de Comunicação Social e é um apaixonado pelo futebol. Praticante desde os três anos, desde cedo que foi rodeado por bola e por treinadores de bancada. Quer ser jornalista desportivo, e viu no Bola na Rede uma excelente oportunidade para começar a dar os primeiros toques.

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