Revista do Mundial’2014 – Uruguai

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cab uruguai mundial'2014

O povo uruguaio vive há mais de 50 anos à espera do regresso do sucesso que haviam conquistado nos anos de 1930 e 1950, alturas em que conquistaram o Campeonato do Mundo de Futebol. Curiosamente, na última vez em que se sagraram campeões, o torneio deu-se no mesmo país em que se jogará o de 2014: no Brasil. Crente na repetição da história mas sobretudo na qualidade de Suárez e de Cavani, este país tem a remota esperança de que poderá voltar ao topo do mundo futebolístico já no próximo mês.

Mas não será fácil. A tremida qualificação (em 5º lugar, na zona da América do Sul) deixa no ar alguma insegurança em relação ao que poderá render uma daquelas que é mais regularmente apontada como possível surpresa do Mundial. Por outro lado, é difícil recordar uma outra selecção do Uruguai com tanta qualidade individual nos últimos anos, o que faz deste conjunto de jogadores um perigo eminente para qualquer que seja o seu adversário. Olhando, por exemplo, para a frente de ataque uruguaia, podemos constatar que Tabárez tem ao seu dispor pelo menos quatro pontas de lança que seriam titulares no conjunto de Portugal.

Um outro elemento que pode vir a ser relevante e vantajoso para a equipa uruguaia é o facto de nunca uma equipa europeia ter ganho um Mundial jogado no continente americano. Em sentido inverso, ambos os Mundiais conquistados pelo Uruguai deram-se na América do Sul. No entanto será necessário mais do que o apoio do seu povo, as condições climatéricas favoráveis ou uma combinação de factores extra-futebolísticos para que Suárez e companhia tenham sucesso no Brasil. Passar o (complicadíssimo) grupo com Itália, Inglaterra e Costa Rica será um grande passo para esse sucesso.

OS CONVOCADOS

Guarda-redes – Fernando Muslera (Galatasaray), Martín Silva (Vasco da Gama) e Rodrigo Muñoz (Libertad).

Defesas – Diego Lugano (West Bromwich), Diego Godín (Atlético Madrid), José María Giménez (Atlético Madrid), Martín Cáceres (Juventus), Maxi Pereira (Benfica), Jorge Fucile (FC Porto) e Sebastián Coates (Nacional).

Médios – Egidio Arévalo Ríos (Morelia), Walter Gargano (Parma), Diego Pérez (Bolonha), Alvaro González (Lázio), Álvaro Pereira (São Paulo), Cristian Rodríguez (Atlético Madrid), Gastón Ramírez (Southampton) e Nicolás Lodeiro (Botafogo).

Avançados – Luis Suárez (Liverpool), Edinson Cavani (Paris Saint-Germain), Diego Forlán (Cerezo Osaka), Cristian Stuani (Espanyol) e Abel Hernández (Palermo)

A ESTRELA

Luis Suárez é a estrela maior do conjunto do Uruguai  Fonte: generalseveriano.wordpress.com
Luis Suárez é a estrela maior do conjunto do Uruguai
Fonte: generalseveriano.wordpress.com

Luis Suárez foi, nesta época, o melhor marcador da Premier League e um dos grandes impulsionadores para a excelente época do Liverpool. O avançado afirmou-se como um dos melhores do mundo na sua posição e, não fosse existirem os extraterrestres Messi e Ronaldo, seria um dos mais fortes candidatos à Bola de Ouro de 2014. Melhor marcador da zona de apuramento da América do Sul com 11 golos, dele os Uruguaios não esperam menos do que golos, golos e golos. Contudo, a estrela do Liverpool poderá não estar no auge da sua forma no Mundial depois de ter sido operado ao joelho esquerdo no dia 22 de Maio. A sua presença nos convocados foi, aliás, uma das grandes dúvidas até terem sido oficiais os 23 escolhidos por Oscar Tabarez. Se se apresentar nas suas máximas potencialidades, esta é uma selecção que poderá ganhar qualquer jogo. Principalmente porque a seu lado estará um outro avançado fantástico chamado Cavani e… no banco está Forlán.

O TREINADOR

Tabarez, técnico da selecção do Uruguai  9worldcup.com
Tabarez, técnico da selecção do Uruguai
Fonte: 9worldcup.com

Oscar Tabárez, que está à frente da selecção uruguaia desde 2006, já conquistou o respeito do seu país e do seu grupo de jogadores há algum tempo: em 2010 obteve um muito bom 4º lugar no Campeonato do Mundo da África do Sul; em 2011 venceu a Copa América, prova onde Brasil e Argentina são claros favoritos. Estes resultados são elucidativos da qualidade do técnico uruguaio, principalmente se tivermos em conta a fraca prestação que esta selecção havia apresentado nos anos anteriores à sua contratação. Uma das características desta equipa, para além da grande garra e entrega típica dos países sul-americanos, é a capacidade de se adaptar a diversas formações. 4x4x2, 4x3x3 ou até 3x4x3 são sistemas em que o Uruguai jogou recentemente. Pessoalmente, não sei até que ponto esta polivalência colectiva pode vir a ser positiva: se, por um lado, é complicado prever como o Uruguai irá jogar, por outro, as rotinas podem vir a ser colocadas em causa também porque uma selecção tem sempre menos tempo de trabalho do que uma equipa. Cabe a Tabárez decidir sobre qual o melhor sistema a apresentar.

O ESQUEMA TÁTICO

Uruguay

O PONTO FORTE

O Uruguai tem na qualidade individual do seu 11 titular (e em alguns substitutos até) o seu ponto forte. Na baliza, Muslera fica a dever algo a muito muito poucos guarda-redes mundiais. Na defesa, os centrais são fortes, seguros e autoritários. Cáceres, pela esquerda, dará menor profundidade ofensiva mas uma estabilidade defensiva importante e Maxi Pereira, pela direita, é – como se sabe em Portugal – um jogador bastante competitivo embora não se trate de um fora-de-série. O meio-campo é fortíssimo, pressionante e imprime uma intensidade elevadíssima ao jogo. Gargano e Arevalo enchem o campo e encarregam-se de que é complicado para qualquer selecção jogar no meio-campo do Uruguai. Depois, embora dependa do sistema que Tabarez utilize, Gaston Ramirez é um médio mais criativo, capaz de jogar entre linhas e de explorar os espaços abertos quer através da condução de bola quer do passe de ruptura e Cristian Rodriguez é um jogador de ala que deixa sempre tudo no campo. No banco estarão ainda Lodeiro, jogador semelhante a Gaston Ramirez e Álvaro Pereira, ex-Porto, que pode fazer a ala esquerda. Contudo, é na frente que se encontra o maior poderio da equipa: Suárez e Cavani são possivelmente a melhor dupla de avançados do mundo e, inspirados, são capazes de desiquilibrar qualquer jogo. Forlán, embora já não se encontre na melhor forma, é ainda uma excelente opção, tal como Stuani e Abel Hernández. Em termos de jogo jogado, a alta intensidade de jogo que a equipa consegue imprimir é talvez o ponto mais forte desta selecção.

O PONTO FRACO

A falta de jogo exterior pode vir a ser um problema para Oscar Tabarez se os seus adversários forem capazes de fechar bem o corredor central e, dessa forma, impedir que o Uruguai o utilize na sua manobra ofensiva. Tanto no meio-campo como no ataque, os melhores jogadores uruguaios são todos eles jogadores que privilegiam o jogo interior. Suárez, Cavani, Forlan, Gaston Ramirez, Lodeiro, estes são os mais perigosos, criativos e os que podem criar mais problemas aos adversários no momento de ataque e, ao mesmo tempo, são todos eles fortes no centro do terreno e mais fracos quando encostados numa linha. É certo que tanto Suárez como até Cavani conseguem flectir bem do flanco para o meio, mas resta a dúvida sobre como irá o Uruguai apresentar o seu jogo, por exemplo, na partida de estreia frente à Costa Rica, que adoptará certamente um sistema bem defensivo e de linhas juntas.

João Almeida Rosa
João Almeida Rosa
Adepto das palavras e apreciador de bom Futebol, o João deixou os relvados, sintéticos e pelados do país com uma certeza: o futebol joga-se com os pés mas ganham os mais inteligentes.                                                                                                                                                 O João não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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