Copa América’2015 – Equador 2–3 Bolívia: O Preço das Infantilidades

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A Bolívia venceu, com muito sacrifício, o Equador na segunda jornada do Grupo A da Copa América. A seleção orientada por Mauricio Soria foi para o intervalo a vencer por 3-0, mas terminou a partida encostada às cordas, conseguindo, ainda assim, conservar a vitória e amealhar três pontos que podem ser importantíssimos para assegurar a qualificação para os quartos de final.

A equipa boliviana entrou praticamente a vencer no encontro. Estavam apenas decorridos 4 minutos quando Ronald Raldes apareceu solto de marcação a finalizar o pontapé de canto cobrado por Martin Smedberg. O central e capitão boliviano fugiu da marcação deficiente de Fidel Martínez e inaugurou o marcador no estádio Elias Figueroa, em Valparaíso. A seleção equatoriana não melhorou o seu rendimento defensivo e sofreu o segundo logo à passagem do minuto 18. O lateral esquerdo Ayoví ofereceu a bola a Lizio, este tocou para Marcelo Moreno, que, por sua vez, deixou para Smedberg encher o pé de fora da área, rematando sem hipóteses de defesa para Alexander Domínguez. Ainda não estavam decorridos 20 minutos e a favorita seleção equatoriana estava a perder, fruto da extrema passividade com que estava a encarar o jogo e de erros defensivos inadmissíveis.

A vencer, a Bolívia começou a jogar como gosta, com muita entreajuda e solidariedade nos momentos defensivos. A equipa fechou-se no seu meio-campo, defendendo com todos os jogadores, incluindo os avançados Marcelo Moreno e Pedriel. Perante tão densa muralha defensiva, os equatorianos tiveram dificuldades para criar ocasiões de golo. Nas poucas que criaram, encontraram pela frente um guarda redes inspirado. Romel Quiñonez esteve intransponível na primeira parte, defendendo inclusivamente uma grande penalidade aos 36 minutos. Na primeira tentativa, Enner Valencia introduziu a bola na baliza, mas o árbitro Joel Aguilar mandou repetir o castigo máximo, por invasão da área antes da cobrança da penalidade. Na segunda tentativa, Quiñonez defendeu o remate displicente de Enner Valencia, deixando os adversários à beira de um ataque de nervos.

Os equatorianos ficaram ainda mais destroçados quando aos 41 minutos sofreram o terceiro golo. O central Frickson Erazo esqueceu-se das regras e levantou o pé tão alto dentro da área que acertou na cara de Lizio. Na conversão da grande penalidade, Marcelo Moreno não perdoou e colocou o resultado nuns quase escandalosos 3-0 para a Bolívia.

Marcelo Moreno festeja com Pedriel após apontar o terceiro golo da Bolívia
Marcelo Moreno festeja com Pedriel após apontar o terceiro golo da Bolívia
Fonte: Site oficial da Copa América

Na segunda parte, assistimos a um carrossel de ataques equatorianos, das mais variadas formas e feitios, à baliza de Romel Quiñonez. Para isso, muito contribuiu a entrada ao intervalo de Juan Cazares. O médio do Banfield veio trazer alguma clarividência e frescura ao meio campo amarelo, formando com Noboa uma dupla forte no momento da distribuição de bolas para o ataque. Logo no terceiro minuto do segundo tempo, a seleção equatoriana reduziu para 1-3. Mais um erro defensivo, desta vez no lado boliviano – a bola sobrou para Montero, este furou entre dois defesas e assistiu Enner Valencia, que apenas teve de encostar para a baliza aberta. Estava relançado o jogo para a segunda metade, onde vimos um Equador a atacar bastante, mas de forma descoordenada nos últimos 30 metros. As boas exibições de Noboa e Cazares não tiveram sequência nos elementos do setor atacante e a defesa boliviana, que, apesar do bom resultado, mostrou que não é nada de especial, foi chegando para as encomendas, principalmente depois da entrada de um terceiro central, Cristian Coimbra, para o lugar do dianteiro Ricardo Pedriel, quando ainda faltava mais de meia hora para o final do encontro.

Romel Quiñonez ainda negou por mais duas ou três vezes o segundo golo equatoriano, que acabou por chegar aos 82 minutos, num remate de fora da área de Miller Bolaños. O número 8 aproveitou algum adiantamento de Quiñonez e rematou forte,  fazendo a bola a sobrevoar o guardião. Três minutos depois, esteve muito perto o empate, num lance a papel químico do 3-2. Desta vez, foi Noboa a rematar, novamente com a bola a sobrevoar o guarda redes, mas a embater com estrondo na trave. Até ao fim, nota para mais dois remates de Cazares, ambos superiormente defendidos por Romel Quiñonez.

Com este resultado, a Bolívia passa a somar 4 pontos e está em ótima posição para passar à fase seguinte, ao contrário do Equador, que somou a segunda derrota em duas partidas.

Este jogo foi mais uma excelente propaganda para a Copa América. Teve muita polémica, muitos erros defensivos, jogadas espetaculares e lances mais ríspidos, bem ao estilo sul americano. Venham mais jogos destes nesta competição!

A Figura:

Romel Quiñonez – Esteve em grande, o guarda-redes boliviano. Fez 3 ou 4 defesas de alto nível e ainda parou uma grande penalidade de Enner Valencia na primeira parte. Remendou vários erros do seu setor defensivo e foi um dos pilares da vitória da sua equipa.

O Fora de Jogo:

A defesa do Equador – Toda a equipa ficou parada no primeiro golo, Ayoví deu a bola ao ataque boliviano no segundo e Erazo teve uma “paragem cerebral” que resultou em grande penalidade no terceiro golo. Os defesas equatorianos estiveram horríveis na primeira parte e deitaram tudo a perder.

Foto de capa: Site oficial da Copa América

Diogo Janeiro Oliveira
Diogo Janeiro Oliveira
Apaixonado por futebol, antes dos livros da escola primária já lia jornais desportivos. Seja nas tardes intermináveis a jogar, nas horas passadas no FIFA ou a ver jogos, o futebol está sempre presente. Snooker, futsal e andebol são outras paixões. Em Portugal torce pelo Sporting; lá fora é o Barcelona que lhe enche as medidas. Também sonha ver o Farense de volta à primeira…                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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