Publicidade

A (ainda curta) história de um treinador de 28 anos na Bundesliga

Gonçalo Tristão Santos · 2 min

A (ainda curta) história de um treinador de 28 anos na Bundesliga

Vê mais Bola na Rede no teu Discover Seguir no Google

Cabeçalho Liga Alemã

O TSG Hoffenheim é um clube sem muita história no futebol germânico. Fundado em 1899, tem apenas um título no palmarés – a edição 2000/2001 da Oberliga Baden-Württemberg, divisão distrital alemã – e está a disputar a Bundesliga apenas pela oitava vez em toda a sua história; esta é no entanto, a oitava presença consecutiva na competição, uma vez que o clube se estreou no principal escalão do futebol do seu país em 2008/2009 e de lá não mais saiu desde então.

Em 2015/2016, o clube luta por se manter entre os grandes, e a situação está complicada. Contudo, se o Hoffenheim consegue, atualmente, ter alguma margem de manobra para evitar a descida da Bundesliga, bem pode agradecer ao seu terceiro treinador da época, Julian Nagelsmann. O sucessor de Markus Gisdol, que iniciou a temporada, e Huub Stevens chegou em fevereiro e, em apenas seis jogos, tirou o clube da zona de despromoção pela primeira vez em muitos meses – o Hoffenheim chegou mesmo a ocupar o último lugar da tabela classificativa.

É normal no mundo do futebol as chamadas “chicotadas psicológicas” resultarem na subida de rendimento de uma equipa, conforme a atitude e as ideias do novo treinador. Por isso, este poderia ser apenas mais uma história de um clube que, fruto de uma mudança no comando técnico e de um bom momento de forma, melhorou na tabela classificativa. Mas não é o caso. Julian Nagelsmann teve uma carreira curta como futebolista, que chegou a conciliar com a de observador e de treinador adjunto. Em 2011/2012, assumiu o comando técnico das formações jovens do Hoffenheim, que só deixou para orientar a equipa sénior, há dois meses atrás. O mais surpreendente de tudo isto é que estou a falar de um treinador com apenas 28 anos de idade (completa 29 em julho). Nagelsmann é mais novo que vários dos seus jogadores, embora o Hoffenheim tenha um plantel bastante jovem, mas isso não tem sido um problema para ele.

Julian Nagelsmann teve o condão de despertar o Hoffenheim, que está na luta pela manutenção na Bundesliga Fonte: TSG 1899 Hoffenheim
Julian Nagelsmann teve o condão de despertar o Hoffenheim, que está na luta pela manutenção na Bundesliga
Fonte: TSG 1899 Hoffenheim

Nos únicos nove jogos que realizou desde que chegou à Rhein Neckar Arena, todos eles a contar para a Bundesliga, o jovem treinador alemão conseguiu cinco vitórias e perdeu apenas por duas ocasiões. Significa isto que Nagelsmann conseguiu, num par de meses no comando técnico do Hoffenheim, vencer mais que os seus dois antecessores juntos: o compatriota Gisdol tinha ganho apenas um de onze jogos, num registo semelhante ao do holandês Stevens, que ganhou um em dez.

Com cinco jornadas por disputar no campeonato alemão, o Hoffenheim atravessa a melhor fase da temporada, não perdendo há quatro partidas consecutivas. Está, no entanto, na 14ª posição, com apenas mais três pontos que o Werder Bremen, equipa imediatamente abaixo da linha de água. Julian Nagelsmann está a realizar um trabalho notável até agora, mas a manutenção está longe de estar garantida. Esta reta final da Bundesliga vai, por isso, ser determinante para o sucesso do seu clube. Para um técnico tão jovem, a permanência no principal escalão do futebol alemão seria um feito, que iria também pôr em causa ideias preconcebidas de que um treinador precisa de ter uma idade mínima para ter sucesso ao mais alto nível. Nagelsmann ainda tem um longo caminho por percorrer, mas, para por agora, ameaça seriamente entrar para a história.

Foto de capa: TSG 1899 Hoffenheim

Gonçalo Tristão Santos

Redação Bola na Rede · ver artigos

Continua a ler

as mais recentes
Opinião

GP Estados Unidos: Kimi Antonelli a dois pontos do título

A CORRIDA: AINDA NÃO FOI DESTA, MAS KIMI ANTONELLI FEZ TUDO O QUE LHE COMPETIA NO FIM DE SEMANA DE AUSTIN Kimi Antonelli venceu este domingo o Grande Prémio dos Estados Unidos de Fórmula 1, com o título a ser apenas uma formalidade à espera de acontecer, que será provavelmente na ronda seguinte, no México, onde um nono lugar chega para assegurar o cetro.

Bernardo Figueiredo · 2 min de leitura
Ler a crónica
Benfica

O Açor não tem medo da Águia | Santa Clara x Benfica

«A nós compete-nos olhar para nós. Não é agradável olhar para a classificação. Quem não gostar de olhar, não olhe, e quem não sentir nada pode olhar.» Foi assim, lacónico, que Marco Silva abordou a já histórica sequência do FC Porto, de começar o campeonato com nove vitórias consecutivas. O Benfica está bem e recomenda-se, como ficou patente pela segunda parte feita em Nicósia na quinta-feira passada, mas entra, à condição, a oito pontos dos Dragões, no difícil desafio desta segunda-feira. «Já disse aos jogadores que temos de olhar para nós e ganhar os nossos jogos. A partir do momento em que preparámos a temporada, não previmos estar à frente ou atrás, sabendo que iríamos jogar muitas vezes depois dos nossos adversários, porque, competindo na Liga Europa, sabemos que isso vai acontecer. Não adianta gastar energia naquilo que não controlamos.» E, realmente, o Benfica tem feito a sua parte. Os recordes ofensivos sucedem-se e obrigam às comparações com Jesus e Eriksson, a estatística aproximando a actual equipa de outras, das que conseguiram conciliar nota artística e troféus. E, à boa maneira dos dois referidos, é na crista da onda que Marco Silva aproveita para dar ar do seu perfeccionismo e exigência - ainda mais impressionantes que as dinâmicas de futebol associativo: «Também gosto de sofrer poucos golos. Gosto de incutir nos jogadores a ideia de que não há ninguém que consiga atacar bem sem ter a capacidade de não sofrer golos. Fiquei muito satisfeito com o resultado frente ao Omonia, mas furioso com o golo sofrido. Quando recuamos tantos anos na história de um clube da dimensão do Benfica, que habitualmente é dominador e que teve grandes jogadores com grande capacidade ofensiva, é sinal de que estamos a fazer as coisas bem. Sempre foi meu objetivo que as pessoas sentissem que é o Benfica que está a jogar, independentemente de não sermos perfeitos, porque estamos muito longe disso. Sou o primeiro a dizer que há um caminho muito grande para percorrermos em todos os aspetos daquilo que queremos para o Benfica, mas estou satisfeito com a abertura e a abordagem dos jogadores, que querem sempre melhorar.»

Pedro Cantoneiro · 7 min de leitura
Ler a crónica

Newsletter Bola na Rede

Estamos a preparar a newsletter do Bola na Rede. Deixa o teu email e és dos primeiros a recebê-la. Sem spam.

Feito. Ficas na lista e avisamos-te quando arrancar.