Bayer 04 Leverkusen 2-4 FC Bayern München: Bávaros metem a décima e cavalgam para o ‘octa’

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A CRÓNICA: MENOS UM PERCALÇO NO CAMINHO DO (QUASE) OCTACAMPEÃO

O clássico entre Bayern München e Bayer Leverkusen é protagonista desta 30.ª jornada da Liga Alemã. Colocou frente a frente o 1º e 5º classificados da tabela da Liga alemã, num jogo onde havia muito a ganhar e alguma coisa a perder para os dois históricos emblemas da Alemanha.

Por um lado, Bayern podia encontrar nesta deslocação a Leverkusen um dos maiores percalços que ainda os separam do inédito feito de conquistar oito campeonatos alemães consecutivos. Por outro, o Bayer Leverkusen queria aproveitar o deslize do Borussia Mönchengladbach, que ontem perdeu diante do Freiburg por 2-0, para ascender ao quarto lugar da Bundesliga. Para desagrado dos Lowën (Leões), a equipa não pôde contar com a estrela da companhia, Kai Havertz, que está com problemas musculares e falhou a partida diante do (ainda) heptacampeão.

O Leverkusen entra com a lição bem estudada. Pressionar com alta intensidade o primeiro momento de construção do Bayern, tentando evitar que os bávaros controlem o jogo. A estratégia começa por funcionar muito bem, e o Bayer Leverkusen inaugura o marcador à passagem do minuto 10, por intermédio do argentino Lucas Alario, que beneficia de um passe a régua e esquadro do veterano capitão do Leverkusen, o austríaco Julian Baumgartlinger.

Contudo, o Bayern toma inevitavelmente o leme da partida. Aos 27 minutos, na sequência duma perda de bola de Moussa Diaby no meio campo, Goretzka serve a corrida de Kingsley Coman, que empata a partida, depois de uma finalização muito colocada, sem deixar hipóteses a Hradecky, o finlandês que defende as redes do Bayer Leverkusen. Já em cima do intervalo, o Bayern acaba a deitar por terra qualquer esperança dos Lowën ao marcar dois golos de rajada. Aos 42 minutos, Goretzka recebe o passe de Müller e o seu remate certeiro de pé esquerdo só pára dentro das redes de Hradecky. No minuto 45, um sensacional passe picado de Kimmich atravessa o relvado duma ponta à outra e apanha a defesa do Bayer Leverkusen desprevenida. Gnabry domina e, com tempo para tudo, faz um chapéu ao guarda-redes finlandês, fixando o resultado ao intervalo no 1-3.

Inconformado com o marcador, Peter Bosz faz três substituições ao intervalo com a esperança de ainda conseguir dar algum ânimo à partida, um esforço que acaba por ser em vão. Na segunda parte, o Leverkusen só conseguiu jogar aquilo que o Bayern permitiu. Corre o minuto 66 quando o ex-Vitória de Guimarães, Edmond Tapsoba, faz um passe disparatado, que acaba por resultar num quarto golo do Bayern com assinatura de Lewandowski, que chega hoje à meta dos 30 golos em 30 jogos na Bundesliga.

Importa referir, também, o destaque da segunda parte: o segundo golo do Bayer Leverkusen, marcado já mesmo no final da partida pelo muito jovem Florian Wirtz. Depois de uma boa troca de bola ofensiva entre Demirbay, Paulinho e Kevin Volland, o menino, de apenas 17 anos, um mês e três dias, marca um golo fantástico a Manuel Neuer, colocando a bola fora do alcance do gigante alemão. Com este golo, Wirtz torna-se o jogador mais jovem de sempre a marcar um golo na Liga alemã. 

A FIGURA

 

Thomas Müller – Apesar de termos assistido a um dos melhores jogos de Coman na presente temporada – certamente o melhor desde a retoma da Bundesliga -, no qual o Leverkusen cai aos pés da belíssima forma de Goretzka, é o inevitável Thomas Müller que leva o prémio de homem do jogo do Bola na Rede. Com os dois passes para golo que faz hoje, chega às 20 assistências em 30 jogos nesta edição da Bundesliga. Seja a ir buscar jogo ao meio-campo, a aparecer na zona de finalização ou a driblar as defesas adversárias, o avançado alemão não sabe fazer uma exibição que desiluda os adeptos de futebol. Nem a paragem de mais de dois meses impede Müller de viver um dos melhores momentos da sua carreira, aos 30 anos de idade.

 

O FORA DE JOGO

 


 

Edmond Tapsoba – Um dia complicado para o jovem central da Burkina Faso. Todas as repetições escolhidas pela realização da Bundesliga mostram Tapsoba a correr atrás do prejuízo. Depois de uma perda de bola de Diaby no meio-campo, Tapsoba só não acompanha a velocidade de Coman, que acaba por empatar a partida, porque parou de correr. Mais tarde, um espetacular passe de Kimmich apanha Tapsoba desconcentrado, permitindo que Gnabry faça o terceiro golo do Bayern mesmo em cima do intervalo. Já com o jogo mais frio, o defesa faz um passe disparatado e acaba por obrigar Hradecky a ir buscar a bola ao fundo das redes pela quarta vez. Uma exibição que não mancha a boa temporada que o ex-Vitória de Guimarães tem feito pelos Lowën, mas que deixa muito a desejar.

ANÁLISE TÁTICA – BAYER LEVERKUSEN 

Ciente das dificuldades que os bávaros poderiam causar, Peter Bosz desenhou um 3-4-3 para garantir solidez na última linha antes de Hradecky e, simultaneamente, velocidade para lançar um ataque rápido e capaz de danificar a fortaleza defensiva do Bayern. Ficou evidente que os jogadores do Leverkusen subiram ao relvado com duas indicações do treinador: pressionar alto no momento de construção do Bayern e despejar bolas longas para as alas.

O pensamento tático de Peter Bosz até começa por funcionar, mas rapidamente se vê contrariado pela superioridade individual dos jogadores do Bayern, que se manteve sempre fiel aos seus princípios.

Ao intervalo, e ciente de que o sistema apresentado no início da partida não estava a funcionar, Bosz faz entrar Wendell, Wirtz e Demirbay para os lugares dos muito apagados Bellarabi, Leon Bailey e Amiri. A equipa passa a jogar num mais tradicional 4-3-2-1 num jogo que o Bayern congelou, e, por isso, a mexida tática já não veio a tempo de fazer a diferença. 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

Hradecky (5)

Dragovic (5)

Sven Bender (6)

Tapsoba (3)

Amiri (4)

Aranguiz (5)

Baumgartlinger (6)

Leon Bailey (5)

Bellarabi (4)

Alario (6)

Moussa Diaby (6)

SUBS UTILIZADOS

 Wendell (6)

Wirtz (7)

Demirbay (5)

Paulinho (5)

Volland (5) 

ANÁLISE TÁTICA – FC BAYERN MÜNCHEN

 

A turma de Hans-Dieter Flick não pensa em mais nada senão em jogar à sua maneira, independentemente do adversário que tem pela frente. Um 4-2-3-1 que joga em posse de bola, constrói a partir de Manuel Neuer e aproveita a velocidade de Alphonso Davies no lado esquerdo, ou a visão de jogo dos imperiais Joshua Kimmich e Leon Goretzka no meio campo. No início, Peter Bosz parecia ter encontrado o antídoto para as rotinas de Hans-Dieter Flick, mas o treinador do Bayern acaba por vencer o jogo sem sequer pensar em abandonar os seus princípios de monopolização da posse de bola e desgaste das defesas adversárias.

 

11 INICIAL E PONTUAÇÕES

 Manuel Neuer (6)

Pavard (5)

Boateng (6)

Alaba (6)

Davies (7)

Kimmich (7)

Goretzka (8)

Coman (8)

Müller (8)

Gnabry (6)

Lewandowski (7)

SUBS UTILIZADOS 

Perisic (6)

Thiago Alcantara (6)

Javi Martinéz (6)

Lucas Hernandéz (-)

Artigo revisto por Mariana Plácido

Diogo Dá Mesquita
Diogo Dá Mesquitahttp://www.bolanarede.pt
O Diogo é licenciado em Jornalismo pela Universidade Católica. Também tirou o curso de árbitro na Associação de Futebol de Lisboa. Tinha 8 anos quando começou a perceber a emoção que o desporto movia. No espaço de quinze dias, observou a família a chorar de alegria o golo do Miguel Garcia em Alkmaar, a tristeza da derrota em Alvalade contra o CSKA o ensurdecedor apoio dos adeptos do Liverpool enquanto perdiam a final da Liga dos Campeões por 3-0. Hoje, e cada vez mais apaixonado por futebol, continua a desenhar o seu percurso para tentar devolver a esta indústria tudo o que dela já recebeu.                                                                                                                                                 O Diogo escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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