BAYER LEVERKUSEN, campeão alemão 2023/24!

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Apesar de ser um clube associado ao topo do futebol alemão, o Bayer Leverkusen, à entrada para esta época, não tinha ganho mais que dois troféus (principais) na sua longa história – uma Taça UEFA (atual Liga Europa) em 1987/88 e uma DFB-Pokal (taça alemã) em 1992/93. Aliás, não só é conhecido por ser um clube com a vitrine algo vazia no que conta a títulos, é famoso por perder campeonatos e taças à boca do sucesso. Entre 2000 e 2002, o clube encontrou-se em várias finais e consequentes oportunidades de oferecer o sabor da vitória aos seus adeptos. Dita a história que as várias derrotas em finais batizaram a instituição com uma nova alcunha, Neverkusen ou Vizekusen (em alemão).

20 anos depois, o Bayer tem a possibilidade de ganhar mais que o número de títulos conquistados em toda a sua história, numa época só. Para além da Bundesliga, vai à final da “Pokal” onde vai defrontar uma equipa do segundo escalão e, também, está nos quartos-de-final da Liga Europa, tendo já vencido o West Ham United na primeira mão por 2-0. Mas justo será dizer que o campeonato germânico era o objetivo mais desejado. Para além de ter sido inalcançado até então, simboliza a superação ao gigante bávaro, Bayern de Munique, que tem sido o clube hegemónico no país. Por isso, o feito de ser campeão, ainda sem derrotas somadas e com mais cinco jornadas por disputar, mostra a perfeição exigida a um rival que quer destronar o líder da última década. Mas como é que um Bayer que não lutava pelo título há duas décadas construiu uma equipa capaz desta temporada impecável que estamos a assistir?

Tudo começou em outubro de 2022, quando, no 17º posto, despediu Gerardo Seoane e o substituiu com um treinador que, à altura, tinha apenas três épocas de experiência enquanto treinador sénior, todas nos escalões inferiores espanhóis com a Real Sociedad B. Fazer de 2022/23 memorável ia ser uma tarefa complicada, depois de um início tão duro, mas apesar das adversidades, Xabi Alonso atingiu o 5º lugar no campeonato e as meias-finais na Liga Europa. Um plano de jogo parecia assente e colocou-se na cabeça dos adeptos a questão de até onde poderia ter ido esta equipa se tivesse tido o treinador espanhol desde o início. A equipa jogava bem, mas se queria dar o próximo passo precisava de reforços do tamanho da ambição. Entre outros, Alejandro Grimaldo, Granit Xhaka, Jonas Hofmann e Victor Boniface chegaram no verão e inseriram-se imediatamente no onze inicial e, em maior destaque numa fase ou noutra, têm apresentado rendimento sempre que estão em campo e têm sido vitais para a manutenção da liderança ao longo da época. O Bayer joga, consistentemente, num 1-3-4-2-1 assimétrico com o ala direito mais projetado (quase como um extremo) que o ala esquerdo, um duplo pivô à frente da defesa e dois médios ofensivos atrás de um avançado. Alonso valoriza a bola e o controlo do jogo pela manutenção dela, e assim tem garantido sustentabilidade de resultados, semana após semana.

As boas notícias são que o sucesso pode não ser esporádico e que há intenções de clube e treinador em manter o conto de fadas para lá desta época. Após demasiados rumores a ligar Xabi Alonso com os cargos técnicos dos maiores clubes europeus, o espanhol confirmou que tenciona ficar na Renânia e comandar os “leões” nas campanhas de defesa da Bundesliga e de regresso à Liga dos Campeões. Teremos uma nova dinastia na Alemanha? Fica a questão, mas antes de olhar para o futuro e tentar responder às diversas questões que vêm aí, os adeptos do Bayer, mais que todos os outros, só têm de celebrar o maior feito da sua história.

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