Nagelsmann é a lufada de ar fresco necessária

- Advertisement -

As negociações efetivaram-se e o alemão Julian Nagelsmann, atual técnico do RB Leipzig, irá em breve rumar ao FC Bayern München, passando a ser o treinador mais caro da liga alemã. Importa agora ir mais além no caminho que percorremos sempre de mãos dadas com o amor que nos une: o futebol. Por isso mesmo, o mínimo que podemos fazer é debruçarmo-nos um pouco sobre o assunto para entender o porquê de considerar que esta relação Bayern – Nagelsmann tem tudo para dar certo.

Comecemos por evocar um dos títulos mais conhecidos dos alemães Scorpions, Wind Of Change, apenas para recordar que o mundo vive da mudança e da consequente adaptação que temos obrigatoriamente de lhe dedicar. Se não mudarmos, não aprendemos. Se não formos desafiados, não evoluímos. No início da presente época cheguei a ser criticada por afirmar com inquietação a pés juntos que Hansi Flick deveria ter saído no ano passado. A equipa não deixou de ser formidável, longe disso. Dificilmente deixarão escapar o 31.º título alemão e há muito tempo que não sabem marcar menos de 100 golos por temporada. Hansi Flick? Exímio trabalho no Bayern e carreira incontestável. Deu muitas e boas cartas em diferentes cargos, inclusivamente na Federação Alemã de Futebol, mas até ele, ao tomar a iniciativa de rescindir o contrato, chegou claramente à conclusão que também precisa de uma pedra nova no seu caminho. Notou-se simplesmente que faltou desafio ao Bayern esta época. Faltou o pragmatismo mais acentuado a que nos habituaram.

A direção do Bayern decidiu então apostar em Julian Nagelsmann, com quem as conversações haviam começado há cerca de seis anos. O técnico alemão chegou a rejeitar uma proposta do Bayern para treinar os seus sub-23. Para a proposta atual ainda seria cedo na altura, contudo o interesse vinha sendo manifestado e as dúvidas em relação à sua inexperiência estão visivelmente mais do que dissipadas, tornando possível a realização de um sonho que o alemão nascido na Baviera nunca escondeu ter.

Enquanto defesa central, Nagelsmann passou pelo TSV 1860 München e pelo FC Augsburg. Obrigado a terminar a carreira de futebolista aos 20 anos devido a lesões contínuas no menisco, desde essa altura que se dedicou de corpo e alma à carreira de treinador. Começou no scouting do Augsburg onde trabalhou com Thomas Tuchel, passando depois para treinador assistente dos sub-17 do 1860 München. Em 2010 mudou-se para o TSG 1899 Hoffenheim onde saltitou entre posições e escalões até finalmente assumir o comando da equipa principal no início de 2016, tornando-se assim, com 28 anos, no mais jovem treinador da estória da Bundesliga. Foi aí que ganhou a alcunha de “mini-Mourinho” e destacou-se por salvar a equipa da despromoção, conduzindo-a depois a 4.º e 3.º lugares nas duas épocas seguintes, respetivamente. O Leipzig também não saiu defraudado na confiança que lhe depositou: entrou diretamente para a história do clube ao levá-lo pela primeira vez a uma meia-final da Liga dos Campeões na época passada e, de momento, encontra-se ainda na luta pelo título alemão.

Aquilo que Julian Nagelsmann aporta às suas equipas tem semelhanças com o que Rúben Amorim está a fazer no Sporting CP. Facilmente nos apercebemos ao ver jogar as suas equipas que falamos de um treinador inquisitivo, perfecionista, altamente competitivo na arte de querer a todo o momento ser melhor. Falamos de talento, sim, e de como o trabalho árduo é o único caminho para o sucesso. Nagelsmann é inovador nos treinos, detalhista na preparação dos jogos, dominante no conhecimento técnico e no rigor tático. As características do futebol moderno estão completamente enraizadas na sua cabeça: foco nas transições rápidas, nos passes precisos, no posicionamento e nos movimentos sem bola. Preza a versatilidade e a flexibilidade, estimulando os seus pupilos a jogar em posições distintas para que também eles possam ver o jogo por outro prisma. Desafia a equipa constantemente de forma a extrair o melhor de todos para todos. Apesar da exigência, não deixa de incentivar os jogadores para que não tenham medo de arriscar sempre que acham oportuno. E fora isto, que não é pouco, a cereja no topo do bolo: Julian Nagelsmann é um líder nato. Comunica com energia, paixão e carisma inesgotáveis. Cria empatia e inspira os seus jogadores. Escuta. Compreende.

O Bayern precisava de sangue novo e não teve receio de pagar uma quantia avultada por um treinador de 33 anos, porque Nagelsmann tem exatamente o perfil que o clube necessita. Quanto ao técnico, a rapidez da sua ascensão não tem outra explicação que não a velocidade estonteante com que aprimora o seu trabalho. E para o menino da Baviera, antes de se lançar à carreira internacional que seguramente o espera, também não poderia ser melhor. O mundo vive da mudança e o sonho comanda a vida.

Artigo redigido por Marta Rebelo

Artigo revisto por Inês Vieira Brandão

Subscreve!

Artigos Populares

Eis o Ranking UEFA depois da derrota do Benfica contra a Juventus na Champions League

O Benfica perdeu com a Juventus e não somou qualquer ponto para Portugal no Ranking UEFA. Conhece as contas depois deste dia.

Eis as contas do Sporting para ficar no top-8 e seguir diretamente para os oitavos de final da Champions League

O Sporting está na luta pelos oito primeiros lugares da Champions League. Leões não dependem só de si.

Eis as contas do Benfica para garantir um lugar no playoff da Champions League

O Benfica tem a situação complicada para seguir em frente na Champions League. Ainda assim, as contas mostram que é possível.

Eis a tabela da Champions League antes da última jornada da competição

Já está definida a tabela da Champions League ao final da sétima jornada. Algumas contas estão definidas.

PUB

Mais Artigos Populares

Adeptos da Juventus provocam José Mourinho no final do jogo com o Benfica

Vários adeptos da Juventus provocaram José Mourinho no final do jogo. Juventus ganhou ao Benfica por 2-0 na Champions League.

Fredrik Aursnes não atira a toalha ao chão: «Ainda acreditamos e vamos ver o que acontece depois do próximo jogo»

Fredrik Aursnes analisou o desfecho do Juventus x Benfica. Águias enfrentaram bianconeri na sétima jornada da Champions League.

Amar Dedic desapontado com a derrota: «Podíamos também ter marcado no penálti e não importa quem falhou»

Amar Dedic analisou o desfecho do Juventus x Benfica. Águias enfrentaram bianconeri na sétima jornada da Champions League.