A luta do futebol brasileiro contra o preconceito

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Abaixo a nota oficial da torcida Alma Celeste do Paysandu a respeito da sua conscientização sobre o erro de ter atitudes preconceituosas nos estádios:

 

“Vivemos em um mundo cheio de crenças, etnias, identidade de gênero e pensamentos políticos distintos.

Durante muito tempo o racismo, a escravidão e a inferioridade atribuída as mulheres foi considerado normal.

Nos esportes, a arquibancada sempre foi um local de livre manifestação, com o futebol não seria diferente. Muito além do desporto, o futebol nos proporciona momentos de alegria e tristezas. Na hora do gol, por exemplo, não escolhemos quem abraçar, tudo flui como se todos fossemos iguais e de fato somos!

Entretanto, xigamentos aos árbitros, homofobia disfarçada de rivalidade e a intolerância ao “diferente” ainda são algumas das atitudes consideradas “normal” na arquibancada.

A Banda Alma Celeste, que inicialmente era composta por um grupo de dezenas de torcedores bicolores cresceu! E aquele grupinho que começou a se juntar para torcer na parte superior da arquibancada, no Lado B do Mangueirão e na parte central da Curuzu, ganhou notoriedade nos últimos anos, tornando-se e uma das torcidas do Paysandu que mais influencia a arquibancada.

Conquistando vários adeptos a cada novos jogos do Papão, a Banda Alma Celeste cresceu justamente pelo fato de respeitar as crenças, etnias, identidade de gênero e pensamentos políticos distintos, contagiando com o seu estilo de torcer, até o ano de 2007, inexistente no Norte-Nordeste do Brasil.

Os torcedores que compõem a BAC são pessoas normais, como qualquer torcedor do Maior Clube do Norte, estudantes, homens, mulheres, crianças e etc. Cada um tem sua crença, orientação sexual, cor de pele e vidas diferentes, unidos por um sentimento chamado Paysandu Sport Club.

Desde o surgimento da BAC, vários cantos foram incrementados ao jogos do Papão com frases de apoio incondicional e amor incondicional ao Papão!

Porém, nem sempre acertamos. Durante os 10 anos da torcida, surgiu em uma das nossas músicas algo fora dos padrões da Ideologia da Alma Celeste, intitulada de “o leão é gay!”. ERRAMOS DURANTE VÁRIOS ANOS, propagando cantos homofóbicos disfarçado de rivalidade.

Diante disso, após vários debates de torcedores e da influência que a Alma Celeste possui nas arquibancadas do Paysandu, informamos que:

Em decisão tomada em uma das nossas reuniões mensais, viemos comunicar que músicas e manifestações de cunho racial/homofóbico estão extintas do nosso repertório, entre elas a famosa música que chama o mascote do rival de gay.

Entendemos que existem outros meios de manter viva a rivalidade com o time sem divisão, como os fantasmas que fizeram sucesso, as zoações pra pagarem a companhia de eletricidade, os títulos fakes e afins.

Por fim, não se trata de criar uma nova polêmica, acabar com o futebol, ou simplesmente ser politicamente “chatos e corretos”. Apenas evoluímos e atualizamos nossa forma de pensar.

 

Atenciosamente, Banda Alma Celeste.”

César Mayrinck
César Mayrinckhttp://www.bolanarede.pt
Enquanto criança queria ser jogador de futebol e para o bem dos torcedores do Atlético Mineiro não foi aprovado no teste. Encontrou nas palavras a melhor maneira de se expressar sobre a sua paixão, o futebol. Amante do futebol brasileiro e do futebol alternativo, acorda facilmente às três horas da madrugada para ver um jogo do campeonato neozelandês.

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