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De quarta opção a reinventado

Filipe Carvalho · 3 min

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Depois da tempestade vem a bonança. Neste caso, aplica-se a um craque brasileiro que andou meio perdido na Europa e teve de regressar ao seu país para atingir o sucesso. Coincidência ou não, pela mão de um português. Gabriel Barbosa, fez finalmente jus à alcunha de “Gabigol”.

No terceiro empréstimo consecutivo por parte dos “nerazzurri”, voltou a demonstrar toda a qualidade que fez com que o emblema de Milão o contratasse em 2016, por uma verba a rondar os 30 milhões de euros.

Além de ter sido o melhor marcador da Taça Libertadores, é também, até ao momento, o melhor artilheiro do Brasileirão (24 golos em 27 jogos). Ao lado do compatriota Bruno Henrique tem sido, como mostram os números, uma das unidades mais influentes desta conjugação de estrelas, liderada por Jorge Jesus.

Talvez não estivesse preparado para integrar imediatamente o plantel de uma equipa como o Inter em tão tenra idade. Ou melhor, para se apresentar verdadeiramente ao futebol europeu pela porta da Série A. Um campeonato tão complexo, perfeito para as ditas, “raposas velhas”, e complicado para quem vem de países em que o rigor tático é como que deixado de parte, em contraposição a outras vertentes do jogo.

O empréstimo ao SL Benfica poderia ter sido proveitoso, não contasse o clube português com avançados como Jonas, Haris Seferovic e Raúl Jiménez nas suas fileiras. A Primeira Liga teria sido um bom espaço para o desenvolvimento de Gabigol, não fosse ele a quarta opção.

Seguiu-se o regresso ao futebol brasileiro. Primeiro à casa-mãe, o Santos FC, depois ao CR Flamengo, onde foi pedido expresso do “mister”. Passou o ano de 2018 no “Peixe”, já com uma recuperação notável em relação às épocas anteriores (19 golos distribuídos pelo Brasileirão e pela Libertadores). Em 2019, é o que se sabe. Ajudou a escrever mais um capítulo na bela história do “Mengão”.

Apenas algumas das estrelas da constelação às ordens de Jorge Jesus
Fonte: CR Flamengo

Com o contrato de empréstimo a terminar a 31 de dezembro e com o Mundial de Clubes (FIFA) em perspetiva, já deve estar a equacionar onde irá jogar em 2020. Existem então, três possibilidades: continuar no Flamengo, em definitivo; integrar o plantel de Antonio Conte; ou ser vendido para outro clube europeu.

Do meu ponto de vista, é praticamente impossível ficar no clube do Rio. Após o seu melhor ano futebolístico, muito dificilmente Gabriel Barbosa quererá perder a oportunidade de dar o “salto” para a ribalta dos milhões e visibilidade europeia.

Pela forma como é conhecido o técnico italiano e pelo bom momento que atravessam os homens-golo do Inter, muito dificilmente ficará no emblema transalpino. Um estilo de jogo que não se enquadra minimamente com o do avançado brasileiro. Para além disso, o clube não deve querer perder a oportunidade de lucrar, dada a valorização do jogador nos últimos meses.

Desta maneira, apenas sobra uma solução: a contratação por parte de outro clube europeu (e interessados não faltarão, certamente). Não o imagino em Inglaterra, Itália ou Alemanha. Em França servia perfeitamente, mas a sua posição na única equipa capaz de o contratar (Paris Saint-Germain) está ocupada.

Já em Espanha, encaixaria que nem uma luva! E há quem precise de golos… O Atlético de Madrid só pode contar com Morata (devido às lesões constantes de Diego Costa) e vejo atualmente, um Gabigol completo, mais físico e ao mesmo tempo, cerebral, lapidado por Jesus, com condições de se juntar à turma de Simeone. Em Barcelona, “chamam” por um futuro substituto de Luís Suárez.

Não é por ser português, mas deduzo que não poderia ter havido melhor treinador que “JJ” para trabalhar o ponta de lança brasileiro nesta fase da sua carreira. E o próprio já admitiu que se sente “reinventado”, tendo em conta a preponderância que o técnico teve nesta época desportiva. Agora fica a questão, em que parte do globo irá jogar a partir de janeiro?

Foto de Capa: CR Flamengo

Artigo revisto por Joana Mendes

Filipe Carvalho

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