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O golo de uma vida

Daniel Melo · 2 min

O golo de uma vida

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São Paulo, 12 de Agosto de 1959

O Estádio estava cheio, como um ovo. O público gritava muito. Jogava-se uma partida entre o Juventus (este sim, masculino) e o Santos. O time da casa devia o seu nome aos congéneres italianos. Até porque o clube ainda existe: fica situado num bairro italiano de São Paulo, chamado Mooca. O placard mostrava o resultado de 0-3 para os santistas.

Contextualizados que estamos, podemos então dizer o que se passou, com algum grau de certeza. Ao que parece, o rei Pelé não estava a fazer uma grande exibição. O público da casa – reza a lenda – não costumava apupar nem provocar os jogadores adversários. Ainda para mais o king, que na época ainda não tinha construído a imagem de lenda que hoje ostenta (havia acabado de se sagrar campeão do mundo um ano antes, mas ainda era muito jovem). Só que naquela tarde, os adeptos do pequeno clube paulistano decidiram cortar com a tradição e começaram a zoar Edson Arantes do Nascimento. Só podia ter dado mau resultado. O rei pegou na bola, passou por um, dois, três de chapéu… e quando ficou sozinho com o guarda-redes, quando todos pensavam que ia desferir o golpe final, o santista ainda teve tempo para dar uma machadada na dúvida sobre quem é que ali era o melhor e conseguiu fazer passar o esférico sobre a cabeça do guarda-redes e fazer o 0-4 final.

Infelizmente, não houve qualquer registo televisivo do sucedido. Provavelmente os risos dos da casa transformaram-se em lágrimas e as bancadas aplaudiram de pé, durante largos momentos, o génio que ali havia descido para os brindar com a maior das maravilhas. Os próprios adversários felicitaram Pelé. É ele mesmo que diz que este foi o golo mais bonito da carreira – um homem que foi três vezes campeão do mundo e fez mais de mil tentos. A FIFA fez uma simulação do golo, através dos testemunhos do público e dos adversários. Melhor que escrever, só mesmo ver. Por isso é que Pelé era, é e será sempre o melhor de todos os tempos.

Foto de Capa: supercompressor.com

Daniel Melo

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