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O título que faltava | SE Palmeiras

Miguel Costa · 4 min

Abel Ferreira Recopa Brasil Futebol SE Palmeiras
Foto: SE Palmeiras

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Existem coisas no futebol que são inexplicáveis e outras que são óbvias… O SE Palmeiras é, e foi, a equipa mais consistente e estável no campeonato brasileiro.

Um Palmeiras histórico que escreve mais um capítulo na sua biografia gigantesca com Abel Ferreira, que se consagra um dos maiores técnicos da história do Palmeiras e do futebol brasileiro. Não só pela conquista das duas libertadores em sequência, mas pela forma e consistência que as equipas do treinador português se perfilam.

Além deste grupo de jogadores estar na história do futebol brasileiro, também pertencem a um dos maiores ciclos vitoriosos do clube. De recordar, os anos 90 do verdão, que também são de louvar, com a conquista de nove troféus, com dois, emblemáticos, campeonatos brasileiros e uma Libertadores. Mas a equipa de Abel Ferreira, e bem, já se pode sentar “nessa” sala que é para poucos.

Abel Ferreira é sinónimo de excelência em tudo o que faz. A equipa do Palmeiras sabe sempre o que fazer, até nos piores momentos – podemos mesmo rebobinar aos quartos de final da Libertadores, onde o alviverde esteve a jogar perante o Atlético Mineiro, com apenas nove jogadores e, mesmo assim, empatou a partida, levando a mesma para os penáltis.

Num campeonato de pontos corridos é necessário existir planeamento, regularidade e estabilidade. Nenhuma equipa em 2022 foi tão segura como o conjunto de Abel Ferreira e confirmou-se o que já se previa: o Palmeiras é campeão brasileiro e o treinador português conquista, assim, todos os títulos possíveis ao leme do verdão, em apenas dois anos. À exceção do Mundial de Clubes que, atualmente, é muito difícil que um sul-americano ganhe aos poderosos da Europa.

Basta olharmos para a tabela classificativa e é notória a consistência que o Palmeiras teve ao longo da competição, sem ser incomodado por nenhum adversário. Consagram-se como a melhor defesa e ataque, foram a equipa que passou mais tempo sem sofrer golos e, acima de tudo, ganharam mais e perderam menos (duas derrotas).

Tudo “somado”, e sendo um campeonato de pontos corridos, o Palmeiras entregou tudo o que este tipo de competições exige do seu campeão.

A segurança foi a chave para este campeonato do Palmeiras. Nenhuma outra equipa esteve tão regular nesta competição, o que levou os candidatos a alternarem-se, mas o líder a manter-se.

Esta segurança provém de um sistema bem definido (4-2-3-1) com características bem vincadas e um onze base com Weverton (GR), Marcos Rocha (DD), Gustavo Gomez (DC), Murilo (DC), Joaquín Piquerez (DE), Danilo (MC), Zé Rafael (MC), Gustavo Scarpa (MCO), Makye (MD), Dudu (ME) e Rony (PL).

Estes foram os homens que Abel Ferreira apostou na maioria dos jogos do campeonato. Um sistema que tinha várias vertentes a construir, Scarpa descaia bastante para a posição de Zé Rafael e o mesmo, desmarcava-se na vertical entre os centrais e os laterais, o que deu um claro destaque ao médio que está de saída para o Nottingham Forest Football Club, para que, com a sua classe, conseguisse distribuir com critério.

Outra das variantes na construção é a projeção dos laterais que dão largura no campo todo, essencialmente o defesa esquerdo, Joaquín Piquerez, e desta forma, os médios exteriores ficam com mais mobilidade em participar no jogo interior, principalmente, Dudu que aumentou o seu rendimento com a incorporação de Rony na frente que, com a sua disponibilidade física predisponha-se sempre a desmarcar nas costas da defesa e abrir espaços para que os colegas conseguissem aproveitar essas zonas.

Ao nível defensivo é onde o Palmeiras de Abel se mostrou mais consistente com uma dupla que se completa bastante, Gustavo Gomez e Murilo. Ambos fortes nos duelos aéreos, mas com diferenças na velocidade. O paraguaio fica mais preso à marcação do ponta de lança contrário, o que “relaxa” o brasileiro para que possa ser o libero tendo em conta a sua rapidez. A defender, os laterais deram sempre garantias com a velocidade na reação e muito fortes a encurtar espaços. Os médios também têm um papel importante: Danilo destacasse na antecipação e na leitura de espaços, já Zé Rafael sobressai pela agressividade e capacidade de “manusear” a posse do Palmeiras.

O meu destaque neste campeonato brasileiro é Gustavo Scarpa. Um jogador que está prestes a dar o “salto” para a Liga inglesa, merecido, e que se destacou bastante, principalmente, na criação para os seus colegas. Os seus lançamentos nas saídas do verdão eram fantásticos, já para não falar das bolas paradas, onde o médio criativo teve um papel preponderante, tanto para o próprio fazer o golo como para assistir os seus companheiros. O sinónimo disso mesmo é o Palmeiras ser a equipa com maior efetividade na cobrança de cantos do campeonato com mais de 15 tentos.

O que mais me impressiona num treinador como Abel Ferreira é a consciência que teve ao longo da temporada, do que fazer, quando fazer e como fazer sem nunca desesperar, seja em que situação fosse.

É de louvar o trabalho da estrutura do Palmeiras, algo que já vem de 2015, e de Abel Ferreira que termina mais uma temporada com números fantásticos à frente do campeão brasileiro, consagrando-se um dos melhores treinadores da história do clube.

 

 

Miguel Costa

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