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Os campeonatos estaduais têm que acabar

Renato M. Mendes · 2 min

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Já começaram os Campeonatos Estaduais no Brasil, disputas, que por serem regionais, afetam de forma direta a paixão dos grandes e pequenos clubes de futebol do país. Para muitos times significa um teste de sobrevivência, para outros,meras competições irrelevantes. No entanto, o que ninguém pode discordar é que graças aos estaduais os grandes clássicos brasileiros acontecem ao menos uma vez no ano. E talvez seja esse o único ponto positivo deles.

Diferente do peso que tinha há décadas atrás, os estaduais no país encontram-se extremamente enfraquecidos, tanto pela super-valorização da Taça Libertadores e Copa do Brasil quanto pelas más organizações das federações responsáveis.

As fracas arbitragens e a participação de equipes que beiram o amadorismo também desvaloriza – e muito – as competições estaduais. Outro fator que pesa contra é o exaustivo e insano calendário brasileiro, que, durante a temporada, leva ao limite do corpo até os jogadores mais resistentes.

A grande verdade é que as disputas estaduais são boas apenas para as torcidas, que prestigiam os espetáculos promovidos pelos jogos de grandes rivais. Para os clubes de grande expressão do país, até mesmo para os atletas, são competições que atrapalham o planeamento e o condicionamento físico da equipe para as competições que realmente importam. Até porque, entre Campeonato Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores e Copa Sul-Americana, o campeonato estadual é o que tem menos prioridade.

Infelizmente a alegria de ganhar o título de um estadual dura somente alguns dias – sendo otimista. E ainda há estados onde o troféu se alterna somente entre duas equipes, como é o caso do Campeonato Cearense, que desde 1995 não tem um campeão diferente de Ceará e Fortaleza.

O campeonato pernambucano, por exemplo, desde sua primeira edição, em 1915, nunca teve um campeão de fora da capital. Todos esses fatores, somados aos baixos investimentos em infraestrutura, fazem dos estaduais brasileiros competições irrelevantes para o futebol nacional e para os próprios clubes de expressão no país.

jogo entre Lagarto e Guarany, válido pelo campeonato sergipano de 2019
Fonte: FSF (Federação Sergipana de Futebol)

Algumas equipes como Grêmio, Palmeiras e Athlético Paranaense já encontraram soluções para amenizar os desgastes causados pelos estaduais. Grêmio e Palmeiras, desde o ano passado vêm escalando equipes alternativas. Já o Athético Paranaense chegou a escalar jogadores juvenis para disputar alguns jogos. A tendência é que, se nada mudar no formato dessas competições, cada vez mais times jogarão com equipes reservas ou juvenis, baixando ainda mais o nível das competições.

A Confederação Brasileira de Futebol – CBF -, deveria, além de colecionar escândalos de corrupção, articular uma reformulação do modelo das disputas estaduais no país, promovendo campeonatos mais abrangentes e consequentemente mais fortes.

A Copa do Nordeste é um exemplo de que deveria ser seguido também no Sul, Sudeste e Norte do Brasil. Outra provável solução seria voltar às competições bi estaduais como Rio-São Paulo e Sul-Minas.

Enquanto os estaduais forem sustentados somente pela tradição e não pela viabilidade, continuaremos a ver crassos erros de arbitragem, campos esburacados, times de várzea e estádios sem a mínima estrutura. Uma mudança é necessária e urgente.

 

Foto de Capa: FCF – Federação Catarinense de Futebol

Renato M. Mendes

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João Carlos Gameiro · 4 min de leitura
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