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Sangue, suor e lágrimas

André Eusébio · 2 min

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A expressão que se transformou num autêntico jargão de rua, serve perfeitamente para descrever aquilo que se passou no Brasileirão deste ano. A final da Copa do Brasil ainda não se jogou. E não é que a Taça seja um triunfo de somenos, mas os dois grandes troféus da temporada, esses, foram para Atlético Mineiro e Cruzeiro. Em período de austeridade – esta expressão já cansa, lembrando sempre a figura do pai austero e autoritário – diz-se que é preciso cortar nas gorduras do Estado. Porém, as gorduras que foram para os dois gigantes de Belo Horizonte são saudáveis. E que campeões gordinhos e comilões foram eles. Cruzeiro campeão nacional, numa prova dificílima. Trinta e oito jogos. Regularidade é a palavra de ordem. E a Raposa sagrou-se tricampeã a quatro jogos do fim.

Já o Atlético é campeão da Terra Nova. Das Américas. E agora, disputará o título de campeão do mundo, em Marrocos. Tudo leva a crer que o Galo Mineiro vá á final com o Bayern de Munique. Ronaldinho Gaúcho tenta recuperar por tudo. Será o grande trunfo dos belo-horizontinos, já que Bernard saiu a meio do defeso.
A locução “lanterna-vermelha” é também muito usada no meio desportivo. Significa o último classificado. No nobre ofício da mineração, quem segurava a lanterninha rubra era o trabalhador que ia atrás, para iluminar o caminho de todos os outros e sinalizar o fim da fila. É uma posição quase aristocrática pois, em caso de tragédia, é quase certo que o lanterninha não se safa. Mineiros são fortes e lutadores. E assim aconteceu com os dois maiores de Minas Gerais, onde, outrora, foi o mais importante Estado do Brasil pelo minério que produzia, não só para a coroa portuguesa, como para o Brasil pós-1822. Fizeram das tripas coração e conseguiram um feito inédito. Este é, sem sombra de dúvidas, o ano de Minas. E mais que merecido.

Como curiosidade, fica a informação de que de todos os Estados de Terras de Vera Cruz, cujos clubes oriundos foram campeões, apenas Minas Gerais não tem mar. É verdade que está na zona mais importante do país; o sudeste, sub-região de onde também fazem parte o Rio de Janeiro e São Paulo. São 80 milhões de almas, quase metade da população. 20 milhões delas são mineiras. Minas não precisa de praia. Minas é um mar de montanhas.

Se à arte da alquimia correspondia transformar vis metais em ouro, à arte da mineração equivalia e equivale britar a pedra, escavar, estar no escuro, sem ver a luz. Mas, depois de encontrado o minério, é saborosa a recompensa pelo prémio. Muita luta e muito sangue. Lágrimas? Sim, mas de alegria

André Eusébio

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Opinião

Torreense ‘Til I Die On The Beach

O Sunderland é uma das equipas mais românticas desta edição da Europa League. Não pelo futebol, mais próximo da ideia genérica do futebol inglês e britânico e pouco dado a estéticas e modernidades, mas pela história de um clube tradicional que, aos olhos de todo o mundo, desceu à 3.ª Divisão, fez o caminho das trevas e, à primeira, garantiu o acesso às competições europeias. Nesta caminhada, a série «Sunderland ‘Til I Die» ajudou o clube do Nordeste de Inglaterra a tornar-se mais global, solidarizando e sensibilizando adeptos de todo o mundo. No que toca a ter as ruas do seu lado, há poucos clubes mais bem posicionados do que o Sunderland. Um deles, ainda assim, é o Torreense. Por mais que seja interessante olhar para lá do óbvio, não nos podemos esquecer, em qualquer análise, que a competição para o emblema de Torres Vedras é altamente desigual. Enquanto se debela com um arranque de época delicado na Segunda Liga, o Torreense vai usando a Europa League como uma diversão cada vez mais competitiva, como uma montra de luxo para se publicitar enquanto clube e como uma recompensa merecida a um feito extraordinário. Este carinho natural para com o outsider roubou algum do protagonismo à primeira deslocação europeia do Sunderland em 53 anos. E, mais do que os dados lançados antes do jogo, o rumo dos 90 minutos ajuda a ganhar um sentimento de identificação com o Torreense.

Diogo Ribeiro · 7 min de leitura
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