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Alexis Sánchez, um actor secundário de classe mundial

André Eusébio · 3 min

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Alexis Sánchez acaba por ser uma estrela secundária num conjunto que tinha Messi e agora tem também Neymar. Apesar de esse estatuto não corresponder à sua qualidade, a verdade é que o extremo/avançado aceitou bem esse papel, terminando as duas temporadas anteriores com números bastante interessantes (14 golos em 11/12 e 11 em 12/13). Em 13/14, o chileno caminha para a melhor época ao serviço do Barcelona – leva 7 golos em apenas 13 jornadas – e tem sido, na minha opinião, o melhor jogador da equipa de Tata Martino.

Festejos de Alexis estão a tornar-se habituais / Fonte: standingosports.com
Festejos de Alexis estão a tornar-se habituais / Fonte: standingosports.com

Na Udinese, Alexis destacava-se essencialmente por ser um jogador muito vertical, explosivo e sempre de olhos postos na baliza. Conseguia desequilibrar com enorme frequência, mas por vezes exagerava nas acções individuais. Na teoria, as suas características dificilmente teriam espaço num modelo baseado na posse de bola e, por isso, as dúvidas em relação à forma como se adaptaria em Barcelona eram justificadas. Depois de duas épocas regulares, em que foi bastante útil para a equipa mas não atingiu o nível exibicional que se esperava, o chileno está a atravessar o melhor momento em Camp Nou, provando finalmente por que era apontado como um dos grandes talentos do futebol mundial. Neste momento, é justo afirmar que a mudança para a Catalunha foi benéfica para Alexis. Não só manteve as suas principais qualidades, como também foi capaz de evoluir nalguns aspectos do seu jogo, nomeadamente ao nível da decisão. Está um jogador mais maduro e mais objectivo.

Aproveitando a menor preponderância de Messi nesta temporada, Alexis está a assumir-se como uma das figuras do conjunto de Tata Martino e, tendo em conta que o argentino só regressa em 2014, poderá ter uma influência ainda maior nos próximos tempos. A subida de rendimento do avançado pode também estar relacionada com o “desaparecimento” do tiki-taka. O Barça actual pouco tem a ver com o de Guardiola. A equipa tem menos qualidade na posse de bola (já não domina os adversários), o que faz com que a criação ofensiva seja mais precipitada e que o talento individual dos jogadores tenha de resolver. É aí que entra o chileno, que tem feito a diferença com a sua velocidade, poder de desmarcação e classe na finalização – basta ver o golo ao Real Madrid, até agora um dos melhores do ano.

Não só no Barcelona o craque tem estado em bom plano. Contribuiu com dois golos para a vitória da sua selecção em Wembley frente à Inglaterra (0-2), sendo claramente a principal referência nacional e a grande esperança para o Mundial do Brasil. Já soma 62 internacionalizações e 22 golos, o que leva a crer que no final da sua carreira terá batido todos os recordes do futebol chileno (o melhor marcador é Marcelo Salas, com 37 golos).

Pensar num trio de ataque composto por Messi, Neymar e Alexis com todos no auge das suas capacidades assusta. Se é certo que o brasileiro e o argentino já estão entre a elite do futebol mundial, o chileno ainda não conseguiu chegar a esse patamar. Não tenho dúvidas de que já lá estaria caso estivesse noutro clube, mas qualquer jogador que aceite transferir-se para o Barça tem de saber que não poderá aspirar a mais do que um papel secundário. Quando muito, ser a estrela maior de forma temporária.

André Eusébio

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