Athletic Club de Bilbao: um clube, uma filosofia

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Em 1898 foi fundado aquele que é, a par de Real Madrid e Barcelona, um dos únicos totalistas de presenças na Liga Espanhola. É o terceiro clube mais titulado em Espanha, com 8 campeonatos, 24 Taças do Rei e uma Supertaça Espanhola. Na verdade, comparado com os dois colossos que dominam de fio a pavio a Liga Espanhola, nem é um palmarés muito rico nem extremamente apelativo. Mas o que é facto é que esse palmarés é conseguido através de uma filosofia própria, uma maneira de estar no futebol diferente. O Athletic adopta uma política desportiva que só admite jogadores nascidos ou formados no País Basco, uma política conhecida pelo seu famoso lema “Con cantera e afición, no hace falta importación”, que é o mesmo que dizer “com uma boa formação e com os adeptos não é preciso importação”.

É nesta realidade futebolística que actualmente encontramos este Athletic Club, um clube ímpar, que é dos poucos que pode dizer que não é uma SAD (e são apenas quatro na Liga Espanhola), sendo o seu património dos sócios. Além disso, é um clube que, fiel a uma filosofia de anos e anos, trabalha a formação como poucos, que investe nela e que a aproveita de real maneira. No panorama desportivo actual só o Barcelona dos últimos 10/15 anos terá dado tanta qualidade ao futebol espanhol no desenvolvimento de novos talentos, aproveitando-os de maneira eficaz.

Iker Muniain é uma das figuras do actual Athletic  Fonte: squawka.com
Iker Muniain é uma das figuras do actual Athletic
Fonte: squawka.com

Com esta política, a história do Athletic transporta alguns jogadores que foram, nos seus diversos tempos, baluartes das várias seleções espanholas, como são os casos de Manu Sarabia, Joseba Exteberria, Julen Guerrero, Izmael Urzaiz, Andoni Goikoetxea, Andoni Zubizarreta, Ernesto Valverde, Javier Clemente, Rafael Alkorta, Julio Salinas ou Javier Irureta. Mais recentemente, fez despontar uma nova panóplia de jogadores de enormissima qualidade como Fernando Llorente, Iker Muniain, Ander Herrera, Javi Martinez, Oscar de Marcos, Ibai Gomez, Susaeta, Iraola ou Gurpegui, sendo que alguns deles são ainda autênticas promessas que poderão ter uma palavra a dizer numa futura Espanha que aposta cada vez mais na formação.

Deste modo, e procurando respostas num fenómeno cada vez mais dependente dos mihões, pode estar aqui, neste modelo adpotado por um clube centenário e icónico no país vizinho, uma das respostas para um futuro economicamente mais viável para clubes que não tenham o poderio dos dois grandes colossos espanhóis. Afinal de contas, foi com esta política que, ainda há dois anos, disputaram uma final europeia com um futebol que chegou a encantar a Europa.

Nelson Nunes
Nelson Nuneshttp://www.bolanarede.pt
Nasceu há 28 anos e é um apaixonado pelo "fenómeno futebol" nas suas várias vertentes. Cresceu com o Dragão tatuado no coração, respira Porto e vive-o intensamente. Reside em Espanha, acompanhando de perto o futebol de nuestros hermanos.                                                                                                                                                 O Nelson não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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