Eduardo Berizzo e o Celta de Vigo: O bom filho a casa torna

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Numa semana em que foi apontado como o possível sucessor de Marcelo Bielsa ao leme do Olympique Marselha para a próxima época, olhamos para o trabalho que Eduardo “Toto” Berizzo tem vindo a levar a cabo no Celta de Vigo, ao mesmo tempo que analisamos o regresso do filho pródigo a uma casa que bem conhece.

A saída de Luis Enrique para o Barcelona no passado Verão havia aparentemente deixado um vazio difícil de colmatar no Celta, mas o clube viguês encontrou em Eduardo Berizzo, um antigo jogador do clube, o homem certo para dar continuidade ao projecto a que o treinador asturiano tinha dado início na temporada passada.

Em 2012, Berizzo assumiu o comando do O’Higgins FC e orquestrou uma autêntica revolução naquele histórico clube chileno, da qual resultou a conquista do Torneo de Apertura 2013-14 (o primeiro na história do clube) e da Supercopa do Chile.

El Toto herdou um Celta altamente organizado e completamente reestruturado após a breve passagem de Luis Enrique pelos Balaídos na temporada passada. O antigo internacional espanhol pôs fim a um período de mediocridade dos celestes, colocando a equipa no top 10 da liga espanhola, e deixou ao seu sucessor a pesada responsabilidade de dar continuidade a esse trabalho, algo que muitos julgavam impossível quando o técnico asturiano chegou à equipa, em Junho de 2013.

Berizzo não só deu continuidade ao trabalho do actual timoneiro do Barcelona como também fez o Celta melhorar em diversos aspectos. A equipa galega entrou na Liga BBVA a todo o vapor, conseguindo resultados memoráveis, como uma vitória sem espinhas em Camp Nou diante do poderoso Barça, um empate a dois golos no Vicente Calderón e os três pontos no dérbi galego contra os seus eternos rivais, o Deportivo da Corunha.

Este novo super Celta, que se manteve invicto até Outubro, começou a perder força, curiosamente, após derrotar o Barcelona de Luis Enrique. Os homens de Berizzo entraram então numa série absolutamente catastrófica de resultados com oito derrotas em dez jogos, algo que colocou um ponto final na lua-de-mel do treinador argentino ao leme dos celestes.

Eduardo Berizzo, o timoneiro de um Celta rejuvenescido
Eduardo Berizzo, o timoneiro de um Celta rejuvenescido
Fonte: moiceleste.com

El Toto é, contudo, um verdadeiro guerreiro (provou-o enquanto jogador, estivesse em campo ou no banco de suplentes, de onde já orientava a equipa como se fosse um treinador experiente) e a série de maus resultados do Celta não o fez perder o entusiasmo nem a confiança nos seus jogadores. Quando os meios de comunicação começaram a gizar a sua saída de Vigo, Berizzo reuniu as tropas, sacudiu a poeira e colocou novamente o Celta na rota certa.

“Mis equipos muestran su fútbol, pelean los partidos, no se lo hacemos fácil al rival. No sólo tenemos que tratar de jugar bien, también debemos saber comportarnos dentro de un fútbol directo, con oficio, donde haya que ponerse el overol.”

Um apaixonado pelas ideias de Marcelo Bielsa (com quem trabalhou na selecção do Chile, entre 2007 e 2010), Berizzo implementou no Celta um futebol de ataque, de posse de bola efectiva e de movimentos rápidos no último terço do terreno. Baseando as suas ideias num 4-3-3 híbrido, onde os jogadores dispõem de liberdade criativa, o técnico argentino construiu uma equipa que apresenta um futebol ofensivo de elevada qualidade e que é capaz de olhar nos olhos qualquer adversário (que o digam Barcelona e Atlético Madrid, que já tombaram às mãos do clube viguês esta temporada, ou até mesmo o super Real Madrid, que passou momentos bastante difíceis nos Balaídos há duas semanas atrás).

Contando com um grupo de jogadores altamente dedicados e que rapidamente absorveram a mística do clube galego, como por exemplo Nolito, Augusto Fernández e Krohn Dehli, e recorrendo à chamada prata da casa, como são os casos de Sergio Alvárez, Hugo Mallo, Santi Mina e Álex López, Berizzo conseguiu contornar os problemas financeiros do clube viguês, criando uma equipa de guerreiros que lutam em cada jogo pelos três pontos até ao apito final.

Enquanto jogador, Berizzo viveu com o Celta momentos verdadeiramente memoráveis, pelas melhores e piores razões, fazendo parte daquela equipa liderada pelo “El Zar” Mostovoi que caiu nos quartos-de-final da Taça UEFA, às mãos do Barcelona, na temporada de 2000-01, e também daquela equipa que desceu às catacumbas da segunda divisão espanhola quatro anos mais tarde.

Aos 45 anos, Eduardo Berizzo é seguramente um dos treinadores mais talentosos a trabalhar no velho continente e, caso continue ao comando do Celta, irá certamente dirigir a equipa viguesa aos grandes palcos europeus a muito curto prazo.

Foto de Capa: Facebook da página moiceleste

Joel Amorim
Joel Amorimhttp://www.bolanarede.pt
Foi talvez a camisola amarela do Rinat Dasaev que fez nascer, em Joel, a paixão pelo futebol russo e pelo Spartak Moscovo. O futebol do leste da Europa, a liga espanhola e o FC Porto são os tópicos sobre os quais mais gosta de escrever.                                                                                                                                                 O Joel não escreve ao abrigo do novo Acordo Ortográfico.

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