Futebol português à Valenciano

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A equipa do Valência é uma das três equipas da Liga Espanhola que tem no seu plantel três jogadores de nacionalidade portuguesa. As restantes são o Real Madrid – Cristiano Ronaldo, Pepe e Fábio Coentrão – e o Sevilla – Beto, Diogo Figueiras e Daniel Carriço. O conjunto português instalado em Valência é composto por Ricardo Costa, João Pereira e Hélder Postiga. Se a estes três jogadores somarmos os brasileiros Jonas e Diego Alves, é seguro afirmar que o português é a segunda língua mais falada nos balneários do Mestalla. De facto, em termos percentuais, o “português” perfaz 21,7% contra os 65,1% do “espanhol” (divididos entre jogadores de origem espanhola, mexicana, colombiana e argentina).

Se é verdade que o impacto português em Valência é, então, bastante significativo, é de igual forma verdade que o consulado lusitano não tem convencido os espanhóis. A equipa do Valência tem feito um início de época muito abaixo das expectativas, somando resultados negativos e exibições paupérrimas. Todo o plantel, e principalmente o treinador, Miroslav Djukic, tem sido alvo dos protestos dos adeptos valencianos.

João Pereira tenta parar Messi Fonte: zimbio.com
João Pereira tenta parar Messi
Fonte: zimbio.com

Neste momento, os “Los Ché”, como são conhecidos em Espanha, ocupam a 9a posição da tabela com 17 pontos, a 20 (!) pontos do líder Barcelona. Aquele que é, para mim e para muitos outros, o terceiro grande clube espanhol – depois de Real Madrid e Barcelona – tem perdido espaço para um fantástico Atlético de Madrid, que consolida ano após ano a sua posição no pódio. O Valência conta com 23 títulos no seu currículo: entre eles, seis campeonatos de Espanha (o último em 2003/2004), sete Copas Del Rey, uma Liga Europa, duas Supertaças Europeias e uma Taça das Taças. Não é, como podem ver, um clube qualquer.

Ainda assim, o Valência tem todas as condições para atingir os lugares europeus e fazer uma época positiva. Afinal, ainda vamos em novembro. O que preocupa os adeptos, e inclusive a comunicação social espanhola, é o futebol pobre, inconstante e melancólico que o Valência pratica. O 4-2-3-1 escolhido por Djukic como base de jogo demonstra clara ineficácia. O Valência não consegue criar situações de perigo ofensivas num volume razoável e os dois pivôs defensivos não auferem solidez na retaguarda – para não dizer que a utilização do duplo pivô é altamente criticável no futebol moderno -, como prova a média de 1,59 golos sofridos por jogo.

Postiga tem tido dificuldade em acertar com as redes adversárias Fonte: media.miamiherald.com
Postiga tem tido dificuldade em acertar com as redes adversárias
Fonte: media.miamiherald.com

As alas não exibem a profundidade desejada e o jogo move-se instintivamente para um meio-campo com problemas em arquitetar o futebol ofensivo.
Esporadicamente, principalmente nos jogos europeus, o Valência demonstra a sua qualidade e os jogadores, motivados pelo palco internacional, conseguem mascarar a falta de dinâmica que já é característica. Mas é preciso mais, o Valência merece mais.

Os jogadores lusos, que até foram titulares na jornada inaugural frente ao Málaga, têm perdido espaço no onze base composto por Djukic. João Pereira entrou de início no lado direito da defesa em 11 jogos dos 17 realizados pelo Valência, mas tem perdido nas recentes partidas o estatuto de titular para o espanhol Antonio Barragán. Quanto a Hélder Postiga, o avançado português tarda em demonstrar a qualidade exibida no Zaragoza. Em 902 minutos de jogo – distribuídos por 14 jogos – soma apenas três golos. Muito, muito pouco para uma equipa como o Valência. Também ele, à imagem do seu compatriota João Pereira, tem perdido espaço nas escolhas do treinador sérvio.

Ricardo Costa é o único português em Valência com razões para sorrir Fonte: antena3.com
Ricardo Costa é o único português em Valência com razões para sorrir
Fonte: antena3.com

Por fim, o defesa português Ricardo Costa foi titular em 14 partidas e soma uns notáveis quatro golos (mais um do que Postiga). Contrariando a tendência, o internacional português tem sido o grande destaque da equipa valenciana, efetuando excelentes exibições, com uma entrega total ao jogo. Os adeptos Ché já por diversas vezes demonstraram respeito e admiração pelo defesa português e Ricardo Costa tem feito por merecê-los, diga-se.
Numa altura em que a nossa seleção disputa o Play-Off de acesso ao Mundial de 2014, no Brasil, que futuro podem ambicionar os três portugueses “valencianos”?! Se querem estar presentes no Brasil (caso a seleção consiga o seu objetivo), João Pereira e Hélder Postiga têm imperativamente de melhorar as suas prestações individuais. Caso contrário – e acreditando que não existem lugares cativos na Seleção Nacional – o destino brasileiro pode perfeitamente mudar do Maracanã para as apelativas praias cariocas.

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